A BÊNÇÃO DA HARMONIA FAMILIAR
Jesus,
O Conselheiro da Família
(Pr. Marcos Arrais)
Introdução
Nesta
terra, Deus proveu um lugar que seja uma reprodução do céu: o lar. Hoje vamos
falar sobre a família como um lugar de descanso e cuidado.
A Família Como Um Lugar de Descanso e
Cuidado
A
família é o ambiente de maior potencial para a formação da identidade do ser
humano. Uma família desajustada contribuirá para um caráter desajustado, mas
uma família sarada é o ambiente ideal para o desenvolvimento de pessoas sadias
e felizes.
Em
um mundo onde constantemente estamos expostos a situações adversas, nossas
emoções precisam encontrar um lugar em que sejam reparadas e fortalecidas.
No seio familiar podemos encontrar:
Formação
– mentes brilhantes ou criminosas encontram sua origem formativa dentro da
própria casa. Na família encontramos os referenciais de quem seremos no futuro.
Aceitação
– Em mundo em que freqüentemente somos expostos à rejeição (quer pelas pessoas,
quer pelos desafios), encontramos no lar um lugar onde devemos ser aceitos e
valorizados não com base em nossa produtividade ou nos nossos talentos, mas
simplesmente porque somos amados.
Mutualidade
– A família é o lugar para exercemos a dinâmica do “uns aos outros”,
perdoando-nos, encorajando-nos, aceitando-nos, orando, demonstrando afeto e
cooperação etc.
Instrução
– A família é o ambiente ideal para sermos educados e preparados para a vida. O
famoso provérbio popular aqui se aplica perfeitamente: “o caminho de casa leva
à praça!”.
Liberalidade – É na família que aprendemos a dar, a
compartilhar. É no contexto do lar, onde cada um exerce seu papel, que
aprendemos a abrir mão de certos “direitos” e nos tornamos generosos. Na
família não há lugar para o individualismo e o egoísmo, pois, para crescermos,
dependemos uns dos outros.
Identidade
– Na família, nossa identidade é formada ou deformada. A depender das
experiências que tivermos, seremos alguém ajustado aos padrões estabelecidos pelo Criador ou então desvirtuado em nossa
personalidade.
Afirmação
– Todos têm necessidade de afirmação. A família deve ser esse espaço onde todos
devem se sentir amados e aceitos. A afirmação no
contexto familiar é nos prepara para enfrentarmos oposições sem que estas
derrubem os conceitos que temos a respeito de nós mesmos. Cremos que Jesus
cresceu num lar onde sua identidade como Filho de Deus era constantemente
afirmada por aqueles que O amavam.
A
Família é o lugar de refúgio, ali somos encorajados e formados para
desempenharmos nosso propósito nesta terra. É da família
que devemos ter as melhores recordações os melhores exemplos a seguir.
Família: Vale a Pena?
Hoje
em dia a instituição familiar não apenas tem sido ignorada, mas também perseguida.
Percebemos no dia a dia o impacto de uma sociedade que despreza os valores
familiares e que tem se degradado por rejeitar fortemente os princípios
estabelecidos por Deus para a formação do ser humano como Sua imagem e
Semelhança.
O
padrão imposto pelos meios de comunicação e por personalidades famosas tem
colocado a validade da família em questão na mente daqueles que não conhecem a
Palavra de Deus. Satanás tem tentado remover os marcos
antigos postos pelo Criador e lançar novos fundamentos, convencendo os homens
de que a família é uma instituição falida e, portanto, obsoleta para os nossos
dias.
Os
resultados dessa falência estão ao nosso redor: Os índices de divórcios,
adultérios e filhos de pais solteiros crescem vertiginosamente, chegando a um
ponto em que a sociedade começa a admitir a formação familiar no contexto
homossexual. Jovens sem nenhum conceito de submissão às autoridades e uma
sociedade devastada pela violência e pela imoralidade repetem o ciclo vicioso
estendendo a maldição para futuras gerações.
Lares colchas de retalho: A degeneração familiar tem gerado muitos lares em seus
integrantes já vêm de várias experiências e começam novas tentativas cheias de
pendências do passado. Filhos que já conheceram “vários pais”, maridos que já
conheceram várias esposas e esposas que conheceram vários maridos. A perda do
referencial sadio acaba por trazer traumas e desajustes.
O Que a Bíblia Tem a Dizer Sobre a
Família?
A
família é um projeto divino para qualquer época e cultura. Por meio dela,
princípios eternos são consolidados e o equilíbrio emocional é mantido. Uma
sociedade bem sucedida depende de famílias bem sucedidas. Essa verdade é
afirmada no Salmo 128:
“Bem-aventurado aquele
que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos comerás,
feliz serás, e tudo te irá bem. Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira
frutífera; teus filhos, como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa.
Eis como será
abençoado o homem que teme ao SENHOR! O SENHOR te abençoe desde Sião, para que
vejas a prosperidade de Jerusalém
durante os dias de tua vida, vejas os filhos de teus filhos. Paz sobre Israel!”
Esse salmo nos ensina que a bênção de
Deus parte do individual para o coletivo (onde nasce o avivamento):
1.
“Aquele”(v.1) – Cada pessoa deve cumprir o
papel que lhe cabe, temendo a Deus e andando nos Seus caminhos.
2.
“Casa” (v.3) – Quando começamos a
assumir nosso papel espiritual individualmente, veremos a mão de Deus no
“interior” da nossa casa
(Efésios 5.22-6.9).
3.
“Jerusalém” (v.5) – Quando esses dois
níveis estão sendo cumpridos, ou seja, quando o sacerdócio familiar é
restaurado, a cidade começa a prosperar.
4.
“Israel” (v.6) – Então a bênção de
Deus se estabelece da Nação inteira.
De
Gênesis a Apocalipse vemos o papel fundamental da família para que a bênção de
Deus seja transmitida de uma geração a outra. Tanto a bênção como a maldição
podem entrar numa geração a alcançar as próximas (Êxodo 20.5,6). É fundamental
que busquemos a bênção de Deus em nossas famílias e cancelemos qualquer
maldição a fim de desfrutarmos do Seu plano abençoador.
Papéis na Família
Efésios
5.2-6.9.
Para
que uma família seja um lugar de descanso e felicidade, cada membro deve
cumprir seu papel, conforme as escrituras nos orientam. A seguir fazemos breve
referência ao papel dos membros da família:
1. Pai
a. A palavra
“pai”, em termos semânticos, nomeia o homem em relação a uma família ou
descendência que provêm dele; seu significado pode ser relacionado a “criador”,
“origem”, “autor ou causa de uma coisa”. É o pai quem incentiva o filho a
socializar-se e é ele quem instaura a lei. Isso explica como a imagem do pai
dentro de casa refletirá na forma como os filhos enxergam Deus.
b. A
autoridade não se fundamenta em uma suposta superioridade do homem, pois é
essencialmente um serviço, que não significa exercício de poder ou domínio
sobre os subordinados.
c. A
autoridade paterna é exercida por meio da entrega, do provimento do necessário
em termos materiais, emocionais e espirituais para o pleno desenvolvimento da
família.
d. Quando
a autoridade é exercida com base no amor, o problema do poder e do mando passa
para o segundo plano, de forma que cada membro da família sente-se confortável
em seu papel.
e. O
papel do pai também envolve a sustentação e o reforço da autoridade da mãe
diante dos filhos, “desgastada” devido ao contato mais contínuo e mais próximo
que ela tem com eles.
Em “Chaves para a Psicologia do
Desenvolvimento”, Griffa e Moreno afirmam: “Assistimos hoje a um questionamento da
autoridade paterna por parte dos ideólogos da "morte da família". Em
primeiro lugar, questionam a família; depois, a função da autoridade na
família e, por fim, seu papel na própria sociedade. Falam utopicamente da
família como uma sociedade entre iguais na qual ninguém deve mandar em ninguém,
afirmando que a subordinação de uma pessoa a outra faz com que a subordinada
seja diminuída. Ignoram tanto a hierarquia que existe na própria natureza
quanto o fato de que a dignidade de uma pessoa independe do lugar que ela ocupa
em uma ordem grupai ou social. Esses ideólogos interpretam a família como uma
sociedade que impõe restrições desnecessárias e penosas. Essa interpretação
corresponde ao paradigma a partir do qual é analisada, o
qual, como já dissemos, não admite hierarquias e, portanto, não pode
reconhecer a atitude dos pais, em geral de serviço, para garantir o crescimento
harmônico dos filhos”.
2. Mãe
a. O
cuidado materno é a continuação do laço profundo da vida intra-uterina, por
isso é desejável que a mãe assuma e cumpra seu papel materno, para o qual foi
preparada.
b. A
mulher é colocada como um elemento agregador imprescindível, sem o qual a
unidade familiar não sobrevive.
3. Filhos
1.
Efésios 6.1-4 - Devem ser criados com amor e disciplina, mas os pais não podem
provocar a sua ira, fazendo mau uso de sua autoridade,
dando ordens sem propósito e sem amor, descarregando nos filhos toda raiva. Não
ouvindo, não dialogando, sendo incoerente. Nunca admitindo estar errado,
fazendo promessas que não podem ser cumpridas e não respeitando o modo de ser
do filho.
2.
A relação entre irmãos deve desenvolver-se sem o sentimento de competição que
contaminou Caim. Embora cada filho tenha uma realidade diferente por conta de
sua primogenitura, por exemplo, todos são igualmente amados.
4. Cônjuges
a. Marido -
amor: “Amai a vossas mulheres” (Ef 5.25a). Aqui
está o primeiro papel do marido. Esse amor deve ser a projeção do amor de
Cristo para com Sua igreja. Um amor compromissado, isto é, que não é volúvel,
não é condicionado pelos sentimentos do momento mas um
amor comprometido para a vida toda. É um amor sacrificial.
E este amor é uma constante entrega da sua vida à sua esposa. Certamente todos
os maridos afirmariam que amam suas esposas, contudo a pergunta é: “Será que
sua esposa sente o seu amor por ela?” É uma coisa prática, criativa, constante,
é uma confirmação do seu compromisso.
b. Esposa -
submissão: “Mulheres, sede submissas a vossos próprios maridos”. Não pensemos em submissão com a idéia de um marido
com um chicote na mão na mão e a esposa tendo que limpar seus sapatos e fazendo
tudo o que ele mandar, e sofrer em silêncio e não ter opinião própria. A
palavra “submissão” vem de duas palavras: sub
que quer dizer “debaixo de” e a palavra missão.
A família tem uma visão dada por Deus, o homem tem uma missão e a mulher
submissa é a que está debaixo da missão que Deus tem para o seu lar.
c. Marido -
liderança: “Porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da
igreja…”. O marido deve demonstrar uma liderança amorosa. Há nas esposas um
profundo anseio de ter uma liderança espiritual em suas vidas. Quando o marido
não providencia esta liderança ou demonstra desinteresse em ser um bom líder,
ela encontra dificuldade em confiar plenamente nEle. É extremamente importante o homem reconhecer
que Deus o colocou como sacerdote espiritual, como líder dentro da sua casa,
dentro do seu relacionamento conjugal e, também, sobre os filhos.
Jesus, O Conselheiro da Família
João
2.1-10.
Os
desafios e dilemas da família moderna são inúmeros, tais como a escolha de um
cônjuge, o planejamento familiar, a reprodução humana, a sexualidade, a
educação dos filhos, as crises da adolescência, a economia doméstica, os
familiares dos cônjuges, os divorciados etc.
Aqui
vale o conselho de Maria aos serventes: “Fazei
tudo o que Ele vos disser” (v.5b). A Palavra de Deus tem a solução para
quaisquer dilemas que enfrentamos.
Não
foi casual que Jesus deu início ao seu mistério nessa terra no contexto de uma
festa de casamento. Aqui se constitui uma família! Isso nos diz que, quanto
mais cedo O convidarmos para entrar em nossas vidas e famílias, melhor
desfrutaremos da bênção de Deus dentro de nossas casas. Quando “o vinho
faltar”, teremos a certeza de que o milagre vai acontecer porque Jesus mesmo
transformará qualquer situação de ruína em uma nova realidade de vida e
felicidade.
Conclusão
Se
em nossas casas há falta da alegria de convivermos, falta da capacidade de
perdoar e respeitar ou falta de paz, ao convidar Jesus a se fazer presente,
certamente Ele encherá nossas vidas de realização, tornando o nosso segundo
estado melhor do que o primeiro.
Dessa
forma, nosso lar se transformará em um lugar de alegria e descanso.