TEMA: JESUS O PRÍNCIPE DA PAZ.
TEXTO: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a
dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14:27).
A bênção da paz
interior é nosso foco esta semana. O mundo inteiro fala de paz! Aspira a paz. As nações da Terra, trazendo a lembrança de terríveis
guerras que marcaram a história humana, têm formado organismos com o propósito
de preservar a paz entre as nações. Alguns se devotam a mediar a paz entre partes conflitantes e existe até um grande
prêmio, chamado Nobel da Paz, outorgado a figuras que se destacam na busca da
paz.
Paz! Só a
verbalização dessa palavra desperta no coração uma sensação gostosa! Ela
expressa uma dádiva do Céu para uns e uma aspiração para outros. É um sonho de
todos os homens e para encontrá-la os maiores sacrifícios são feitos. Ela é
desejo das pessoas de bem para todos os homens. Entre os judeus ela é a
expressão usada para saudarem-se uns aos outros em qualquer hora do dia: Shalom! (paz em hecraico) é a
primeira palavra proferida pelo povo da Bíblia ao encontrar alguém. Era a
saudação de Jesus e a primeira palavra dirigida aos discípulos após a
ressurreição.
O que é a paz!
Em que ela consiste?
DEFINIÇÃO
DE PAZ
A
palavra hebraica para "paz" é shalom. Representa muito mais do que a ausência de guerra e
conflito. Shalom fala de harmonia, plenitude,
firmeza, saúde, prosperidade e bem-estar. Em suma, é êxito em todas as áreas da
vida. A palavra aparece na Bíblia com vários sentidos. No Antigo
Testamento shalom
é uma condição de liberdade e ausência de perturbação, seja externa, como de
uma nação, livre de guerra ou inimigos, ou interna, dentro da alma. Shalom significa
primariamente bem-estar, saúde, vindo a significar
prosperidade, bem-estar em geral, todo o bem em relação ao homem e a Deus.
No Novo Testamento o Evangelho
de Cristo é uma mensagem de paz de Deus ao homem, anunciada logo quando Jesus
nasceu: “Glória
a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade” (Lc 2:14).
Certa vez um Rei
ofereceu um prêmio ao artista que pintasse o melhor quadro da paz. Muitos
artistas tentaram. O Rei examinou todos os quadros, mas havia apenas dois dos
quais ele realmente gostou, e teve que escolher entre eles.
Um quadro era de
um lago tranqüilo. O lago era um espelho perfeito para pacíficas torres de
montanhas ao redor dele. No alto estava um céu azul com nuvens brancas. Todos
que viam este quadro consideravam-no um quadro perfeito da paz.
O outro quadro
também tinha montanhas. Mas estas eram acidentadas e nuas. Acima estava um céu irado de onde caía a chuva, e relâmpagos eram vistos.
Lá embaixo, ao lado da montanha, caía uma cascata espumante. Isto não parecia
de forma alguma um quadro da paz.
Que quadro você
pensa que ganhou o prêmio?
O Rei escolheu o
segundo quadro. Sabe por quê?
Quando o Rei
olhou, atrás da cascata viu um minúsculo arbusto crescendo numa rachadura na
rocha. No arbusto um pássaro mãe havia construído seu ninho. Ali, no meio da
fúria das águas correntes, deitou-se o pássaro mãe em seu ninho, em paz
perfeita.
O Rei explicou:
"Paz não quer dizer estar num lugar onde não há qualquer barulho,
problema, ou trabalho duro. Paz quer dizer estar no meio de todas essas coisas
e ainda assim estar tranqüilo no seu coração. Este é o significado da paz
real".
A paz é uma
condição da alma e do espírito e independe das circunstâncias. Ela permanece mesmo
em meio ao perigo e circunstâncias contrárias. Isaías declara: “Tu conservarás em perfeita paz aquele cuja mente está firme em Ti;
porque ele confia em Ti.” Concluímos logo que a paz é a conseqüência de onde
está nossa mente e coração. Sua origem é o próprio Deus.
Desde a criação o propósito de Deus é que o homem tenha paz e viva
em paz. Olhando para a declaração: "E
viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom" (Gn 1:31); considerando a comunhão
do homem com o seu Criador e a harmonia do Jardim, conclui-se que o Éden era um
lugar de perfeita paz e o homem desfrutava de um bem-estar total com Deus,
consigo, com o outro e o próprio meio ambiente.
Se assim era, o que ocorreu com a paz?
O
PECADO ROUBOU A PAZ
Quando Adão e Eva seguiram a direção da serpente, rebelaram-se
contra Deus, tornando-se independentes dEle,
comendo do fruto proibido (Gn 3:1-7), a comunhão com
Deus foi quebrada. O pecado se interpôs entre o homem e Deus. Foi-se a paz. A
integridade e harmonia de todo o universo desapareceram. Surgiram animais
ferozes e, no decorrer da história, não somente os animais passaram a viver em
guerra uns contra os outros, mas também o homem passou a guerrear contra seu
próprio semelhante. Podemos, portanto, dizer que o PECADO ROUBOU A PAZ DO HOMEM
E DE TODO O UNIVERSO.
·
O
pecado roubou a paz entre os homens. Surgiram conflitos,
intrigas, brigas, desavenças, pelejas, disputas, feridas e até morte. Um filho
de Adão matou o seu irmão por inveja. A história da raça após a queda é uma
história dos mais horrendos conflitos e destruição. O pecado gerou a guerra e
interrompeu a harmonia original do universo.
·
O
pecado roubou a paz entre o homem e Deus. A visita de Deus ao homem
no Jardim do Éden, sempre esperada com alegre expectativa, tornou-se motivo de
pavor e fuga da Sua presença. A desarmonia interior do homem, provocada pelo
pecado, que gera a culpa, roubou a paz com Deus. Naquele momento, Adão e Eva
experimentaram, pela primeira vez, culpa e vergonha diante do seu Criador (Gn 3.8), e perderam o relacionamento harmonioso com Ele. E
essa condição acompanhou toda a raça, porquanto todos pecaram. “Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus” (Is 57:21).
·
Roubou
a paz conjugal. O relacionamento tranqüilo e harmonioso entre Adão e Eva, como
marido e mulher, foi afetado. Quando Deus os confrontou por causa do seu
pecado, Adão lançou a culpa sobre Eva (Gn 3:12), e Deus disse que haveria rivalidade entre o homem e a
mulher (Gn 3:16). Antes do pecado formavam uma
unidade sólida, com uma mesma visão. A Bíblia se refere aos dois como um só, no
original hebraico: “homem e mulher o criou” (Gn 1:28). O pecado os separou e roubou a paz do seu
relacionamento.
·
Roubou
a paz do homem com a própria natureza. Antes do pecado Adão e Eva
trabalhavam alegremente no jardim do Éden (Gn 2:15), e andavam livremente entre os animais, dando nome a
cada um deles (Gn 2:19,20). Mas o pecado trouxe
inimizade entre o homem e os animais, simbolizados na serpente (Gn 3:15). A terra passou a
produzir cardos e abrolhos e o trabalho trouxe fadiga
(Gn 3:17-19). Tamanho foi o
conflito gerado entre o ser humano e a natureza, que Paulo diz: "toda a criação geme e está juntamente
com dores de parto até agora" (Rm 8:22).
·
Roubou
a paz do homem consigo mesmo. Os conflitos e as guerras
começam no próprio coração. As tensas, conflituosas e difíceis relações
humanas, desde às simples discussões à violência que
tira a vida e as guerras internacionais, refletem a ausência de paz, harmonia,
saúde emocional e bem-estar interior do homem. “O homem iracundo suscita contendas; mas o longânimo
apazigua a luta” (Pv 15:18).
Se o pecado está na origem
de todos os conflitos internos e externos, e é a causa primeira da ausência de
paz entre todos os tipos e níveis de relacionamentos, a busca da paz passa
necessariamente por Aquele que foi prometido como “O Príncipe da Paz.”
JESUS, O PRINCIPE DA PAZ
Uma das profecias de
Isaías acerca do Messias assim O identifica: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará
sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte,
Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do aumento do seu
governo e da paz não haverá fim” (Is 9:6,7b).
Jesus é o Príncipe da paz, que veio para derrubar todo muro de
separação e reconciliar o homem com Deus, Deus com o homem, o homem com o homem
e este consigo mesmo. Depois de estar por três anos e meio com os Seus
discípulos, na noite em que foi traído, e a apenas horas da Sua morte
expiatória, Ele fez o seu testamento:
Mas qual a parte
que tocaria no testamento aos Seus discípulos, que tudo deixaram para segui-lo?
Não tinha bens materiais, nem propriedades, nem prata ou ouro, mas deixou-lhes
o que era infinitamente melhor: Sua paz.
Naquela noite de despedida Ele estava dizendo: “Vou deixar-vos dentro de poucas
horas. Minha presença física partirá. Todavia dou-lhes o melhor legado: minha
paz, como eterna possessão. Dou-lhes tranqüilidade de alma, felicidade
ininterrupta de mente, amizade eternal com Deus, como Eu desfruto. Dou-lhes
esta bênção como meu último e melhor legado, que será garantido por minha
morte.”
Como um Pai que
no leito da morte dá porções aos filhos, Jesus lhes deu Sua paz no momento da
despedida. E que porção digna e rica!
“Deixo-vos a paz, a
minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso
coração, nem se atemorize” (Jo 14:27).
Jesus
deixou a Sua paz com os discípulos. Esta é uma declaração e publicação da paz que
Ele faria pelo seu sangue, como está escrito: “E, havendo por Ele feito a paz pelo sangue
da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo
mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” (Cl 1:20).
O
caminho da paz passa, portanto, pela cruz. Ao morreu pelos nossos pecados,
Jesus lidando com a causa de nossas paredes de separação e abrindo o caminho da
reconciliação em todos os níveis. Ele mesmo era o caminho para a a nossa paz.
“Minha paz vos dou!”
Aquela paz que
só Eu posso transmitir. Paz, que Eu sou.
“Não como o
mundo a dá”
·
Não
a paz como os homens do mundo dão. Eles se cumprimentam com palavras e gestos
de paz, porém são palavras vazias; professam amizade, dão apertos de mão,
beijos e abraços que não traduzem paz, porquanto são meramente formais,
freqüentemente insinceros.
·
Não
como os sistemas de filosofia e falsas religiões dão. Eles professam a paz, mas
ela não é real. Tais sistemas filosóficos e religiões não passam de falsos
paliativos. Não tranqüilizam a voz da consciência culpada; não removem o pecado, origem da ausência da paz; não reconciliam
o espírito com Deus.
Minha paz é tal
que satisfará todos os anseios da vossa alma; silenciará os alarmes da
consciência. Permanecerá sempre, mesmo em meio a todas as mudanças e
tempestades. Não vos deixará nem na hora da vossa morte, porque sou Eu mesmo, o
Príncipe da Paz, Quem vo-la dá - a minha
paz. E por que só agora vo-la prometo? Porque estou a caminho da morte que
vos garantirá a redenção do pecado e suas maléficas conseqüências.
O CAMINHO PARA A PAZ
Porque o pecado
e a queda destruíram a paz e o bem-estar da raça
humana, a história da reconquista da paz é a própria história da redenção em
Cristo. Considerando que Satanás deu início à destruição da paz no mundo, sua
reconquista envolve a derrota desse inimigo e a destruição do seu poder.
Apenas
saber que Cristo veio como o Príncipe da Paz não garante que ela se tornará
automaticamente parte da vida de uma pessoa. A bênção da paz começa numa
experiência de reconciliação com Deus.
Paz com Deus. Como foi o pecado que roubou a paz do
homem com Deus, o primeiro passo para reconquistá-la é
o arrependimento do pecado e a fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador.
Quando isto acontece a pessoa é justificada pela fé: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória
de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção
que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação,
pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua
paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos; para demonstração da
sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador
daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:23-26; Rm 5:1). “Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com
Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1).
Paz com os homens. O arrependimento e
a fé em Cristo nos levam a receber o perdão dos nossos pecados e a
reconciliação com Deus. Nosso relacionamento com Ele passa a ser de pai e
filho. Temos paz com Deus. Mas uma vez provada esta paz, conheceremos um novo
nível de paz: com os homens. Paulo declara: “Porque
Ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de
separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade isto é, a lei dos
mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um novo
homem, assim fazendo a paz, e, vindo, Ele evangelizou paz a vós que estáveis longe, e paz aos que estavam perto” (Ef 2:14,15,17).
Paz consigo mesmo. Estar de bem com Deus e com os homens
gera em nós uma profunda paz interior. A paz que brota do perdão dos pecados e
dos relacionamentos restaurados. Esta é a paz de Deus que montará guarda nos próprios pensamentos e sentimentos, como expressa
Paulo: “E a paz de Deus, que excede todo o
entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo
Jesus” (Fp 4:7).
Paz com o inimigo: “Quando os caminhos do homem agradam ao
Senhor, faz que até os seus inimigos tenham paz com ele” (Pv 16:7).
Paz em meio a
toda a adversidade:
Jesus declarou: “Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim
tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o
mundo” (Jo 16:33). Em
outras palavras, nenhuma tribulação terá poder de roubar a paz que dou. Como
venci, também vencereis. Portanto, “Não
se turbe o vosso coração, nem se atemorize.”
BÊNÇÃO
Que “YHWH te abençoe e te guarde; YHWH faça resplandecer o seu rosto sobre
ti, e tenha misericórdia de ti; YHWH levante sobre ti o seu rosto, e te dê a
paz” (Nm 6:24-26)