TEMA: A BÊNÇÃO DO
PERDÃO
TEXTO: “Se tu, YHWH,
observares as iniqüidades, YHWH, quem subsistirá? Mas contigo está o perdão,
para que sejas temido” (Sl 130:4). “E a vós
outros que estáveis mortos pelas vossas transgressões, e pela incircuncisão da
vossa carne, vos deu vida juntamente com Ele perdoando
todos os nossos pecados” (Cl 2:13).
Só o som da palavra PERDÃO
desperta em nós uma sensação gostosa de alívio, de novo começo, nova
oportunidade. Reconciliação. Evoca a lembrança de uma falta cometida que deixou
o sentimento de culpa, ou uma ferida que provocou um rombo na alma e deixou um
sentimento de amargura. Tanto a culpa de quem fere, quanto a
amargura de quem é ferido enfermam a alma e são a causa de muitos males
emocionais que, tantas vezes, se degeneram em males físicos.
A necessidade do perdão surge por causa de ofensas
praticadas. As ofensas quebram os relacionamentos. Os relacionamentos quebrados
são geradores:
Não há quem não cometa faltas, nem
quem não seja vítima delas. Portanto, pedir perdão a quem ofendemos
e perdoar nossos ofensores é um convite universal.
O PORQUÊ DA
NECESSIDADE DE PERDÃO
O perdão é necessário onde houve uma ofensa. Ofensa é uma outra
palavra para pecado. O
primeiro pecado praticado pelo homem foi contra Deus. Tal pecado
provocou a quebra da comunhão com o Criador e a culpa do pecado tornou o homem
fugitivo da Sua presença.
A natureza humana, conforme criada por Deus, para estar em
paz e ser feliz, tem necessidade de relacionar-se bem
Relacionamento
com Deus
O mais elevado e profundo relacionamento
é com Deus. Não há paz real no coração
sem comunhão com Ele. Quando o relacionamento neste nível é quebrado, os demais
são negativamente afetados. Portanto, a primeira necessidade de perdão é o de
Deus, até porque todo pecado, em última instância, é contra Deus, como tão bem
expressou Davi:
“Contra Ti, contra
Ti, somente pequei e fiz o que é mal perante os Teus olhos” (Sl 51).
Tudo o que nós fazemos contrário à natureza de Deus é um
pecado contra Ele. Não importa qual seja o nível da nossa transgressão, acima
de tudo, é um pecado contra Deus, porque é Ele quem estabelece o padrão da
nossa conduta. Portanto, quando agimos contrário à conduta moral que Deus
estabeleceu para a criação, nosso pecado não é apenas contra a criação, mas
contra Ele mesmo. Ele é o legislador e juiz.
Relacionamento
consigo mesmo
Mas não basta o perdão de Deus. Quem peca agride o seu
próprio ser. Deus colocou no espírito do homem a consciência que o aprova e o
condena. Ele sabe, por natureza, o que é certo e o que é errado. No mais
profundo do seu ser ele tem elevadas expectativas acerca de si mesmo. Portanto,
quando ele trai o que a sua própria consciência condena, o sentimento de culpa
o atormenta e não consegue perdoar-se a si mesmo. A insatisfação se instala e a
pessoa não está bem consigo mesma.
Relacionamento
com o próximo
É nos relacionamentos com o próximo que as conseqüências das
ofensas são mais visíveis e destruidoras. E quanto mais próximos tais
relacionamentos, tanto mais fáceis as ofensas, mais profundas as feridas e mais
difíceis um pedido de perdão e a outorga do verdadeiro perdão.
Como o homem se tornou pecador por natureza, pecar contra
Deus, contra si mesmo e contra seu próximo é um problema universal.
Falar, portanto, da bênção do perdão, é falar de algo que
toca de perto a vida de todos nós.
Quem pode dizer que não precisa de perdão?
E quem pode dizer que não precisa entrar em níveis mais
elevados e profundos de perdão?
Quem não deseja chegar ao fim do dia, colocar a cabeça
sobre o travesseiro, sondar o coração e encontrar-se com aquela profunda paz
resultante de não haver qualquer ressentimento no coração contra ninguém e
nenhuma nuvem no relacionamento dom Deus?
Quem não gostaria de descrever sua própria experiência com
as palavras de Davi depois dos tormentos da culpa do pecado não confessado e da
confissão em meio ao genuíno arrependimento?
“Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é
coberto. Bem-aventurado o homem a quem YHWY não atribui a
iniqüidade, e em cujo espírito não há dolo. Enquanto guardei silêncio,
consumiram-se os meus ossos pelo meu bramido durante o dia todo. Porque de dia
e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de
estio. Confessei-te o meu pecado, e a minha iniqüidade não encobri. Disse eu:
Confessarei a YHWH as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado” (Sl 32:1-5).
A NATUREZA DO
PERDÃO
Como definir o
perdão?
Há
várias palavras usadas para perdão na Bíblia: três palavras hebraicas no Antigo
Testamento e quatro no grego, no Novo Testamento.
Perdoar é esquecer. Desculpar. É não permitir que a ofensa
afete o relacionamento. É tratar o ofensor como se nunca houvera pecado. É o
ato de cancelar uma dívida, uma falta, alguma coisa que nos é devida. Como termo
teológico, perdão se refere à atitude de misericórdia que Deus toma para com o
homem. Em vez de lhe imputar a culpa, em vez de aplicar a condenação, Deus o libera, o deixa ir livre. Perdoar, portanto, é liberar,
deixar ir livre, como se não houvesse nenhuma falta.
O perdão é parte
da natureza de Deus
O homem, em sua natureza pecadora, tem dificuldade de
perdoar. Mas o perdão de Deus é parte de Sua natureza amorosa e compassiva em
seu trato com a criação. De todas as religiões do mundo, somente o Cristianismo
oferece completo perdão. Não existe nenhum livro religioso neste mundo, a não
ser a Bíblia, que ensina que Deus perdoa completamente o pecado. Só ela nos
revela um Deus infinito, pessoal, que tem um plano pelo qual Ele perdoa
inteiramente os pecados de todo aquele que se arrepende e crê em Jesus Cristo.
E este Deus não somente perdoa pecados; Ele os perdoa para sempre. Só a Bíblia
fala de um Deus que lida com o pecado, cancela o pecado, remove o pecado, e não
lança em rosto o passado. Nosso Deus é perdoador. Glórias ao seu santo Nome.
O perdão de Deus emana do Seu próprio ser. Deus é amor e o perdão é uma expressão prática desse
amor. Nosso pecado nos separa de Sua presença e isso entristece o Seu coração
de Pai. Daí porque tomou a iniciativa de vir ao nosso encontro, na pessoa de
Jesus, para abrir o caminho da reconciliação. Porque nos ama, nos perdoa.
O perdão de Deus é oferecido em Cristo. Deus é amor, mas é também justiça. O Deus justo teria que
julgar o pecado. Mas o Deus, que é amor, proveu o réu, Jesus, que se fez pecado
por nós, para que a justiça de Deus fosse satisfeita e nos fosse imputada a Sua
justiça. O perdão, portanto, não é Deus minimizando o nosso pecado e passando
por cima dele. Não. O pecado é uma terrível ofensa. O perdão só se torna
possível porque Jesus, que nunca pecou, tornou-se nosso pecado, assumiu a nossa
culpa e pagou a sua penalidade.
O perdão de Deus
oferecido em Cristo não é automático. Ele se tornou disponível, mas cada um
terá que percorrer o mesmo caminho em direção à cruz
e:
§
Reconhecer que pecou
contra Deus. Isto quer dizer admitir que é pecado o
que Deus diz, através da Bíblia, que é pecado.
§
Arrepender-se do
pecado, o que envolve duas coisas: Uma profunda tristeza por haver ofendido a
santidade do Criador e uma determinação de mudar de atitude e comportamento em
relação ao pecado, alinhando-se com os padrões Divinos.
§
Pedir perdão a Deus
pela falta cometida, na base do sacrifício de Jesus na cruz, segundo a Palavra:
“Se confessarmos os nosos pecados Ele é
fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1 Jo 1:8).
§
Aceitar o perdão de
Deus em Cristo e rejeitar todo sentimento de culpa e condenação, consciente de que
o pecado arrependido e confessado é dívida paga. Nada consta.
O perdão de Deus é
completo e anula o passado, como se ele jamais houvera existido. Sua promessa é
clara: “Também de nenhum modo me
lembrarei dos teus pecados, diz o Senhor, e das tuas iniquidades, para sempre
não me lembrarei” (Hb 10:17). O arrependido pode
declarar: “Porque lançaste para trás de
Ti todos os meus pecados” (Is 38:17b). Esse Deus para quem passado e futuro são um eterno presente,
lança para trás de si as nossas transgressões, as nossas iniqüidades. Significa
que Ele é esquecido? Não! O perdão é uma
decisão da vontade, é pagamento de uma dívida, é o cancelamento de uma dívida.
Quando Deus diz: “Não me lembrarei mais”
Ele quer dizer: Não levarei em conta teu pecado. Ele não afetará mais o nosso
relacionamento.
§ “Tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar” (Mq 7:19)
§ “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e
dos teus pecados não me lembro” (Is 43:25)
§ “Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta
de nós as nossas transgressões” (Sl 103:12)
O perdão de Deus é o
padrão para o nosso próprio perdão. Perdoar não é parte da natureza pecaminosa
do homem, mas “se alguém está em Cristo é
uma nova criação” (2 Co 5:17). O amor de Deus
é derramado em seu coração (Rm 5:5) e o fruto do Espírito – AMOR – é uma
expressão de que verdadeiramente houve uma mudança de natureza (Gl 5:22). Amar com o amor de Cristo e perdoar com seu perdão se
tornam marcas de quem se tornou filho de Deus pelo novo nascimento em Cristo.
OS MALES DA FALTA
DE PERDÃO
A falta de perdão é a incapacidade de desculpar falhas,
devido a um espírito amargo, ultra-sensível, indisposto, melindroso, zangado.
Seus males são muitos. Enumeramos alguns.
Quem não
perdoa não é perdoado
Jesus foi muito categórico nas suas exigências de
discipulado. Em matéria de perdão Ele não deixa sombra de dúvidas. Quem não
perdoa o próximo não é perdoado por Deus e o nível do perdão ao semelhante é o
nível do Seu perdão a nós. A pessoa não libera os outros e, conseqüentemente,
não recebe a liberação de Deus (perdão).
“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai
celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco
vosso Pai perdoará vossas ofensas” (Mt 6:14,15).
“Quando estiverdes orando, perdoai, se tendes
alguma coisa contra alguém, para que também vosso Pai que está no céu, vos
perdoe as vossas ofensas. [Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que
está no céu, não vos perdoará as vossas ofensas.] (Mar 11:25,26).
Quem mantém o
relacionamento quebrado com o próximo está fora da comunhão com Deus e sob
condenação
Quem conserva o próximo preso pela falta de perdão se torna
prisioneiro da culpa e da condenação. Aquele que não perdoa sabe estar pecando
contra os padrões Divinos e, por esta razão, se sente culpado e condenado. Quem peca contra a verdade é por ela julgado.
“Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois
quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu” (1 Jo
4:20).
Deus
nem sequer aceita a oferta de alguém com relacionamentos quebrados. Jesus
declarou: “Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te
lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do
altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar
a tua oferta” (Mt 5:23,24).
Nunca podemos esquecer que a cruz tem duas hastes:
uma vertical e outra horizontal. Cristo veio reconciliar os homens com Deus
(sentido vertical) e os homens com seus semelhantes (sentido horizontal).
Quando a reconciliação é feita com Deus, os braços são estendidos para a
reconciliação com os irmãos.
A falta de
perdão alimenta a raiz de orgulho inerente à natureza adâmica
São as raízes de orgulho que impedem o homem de perdoar. O
eu é ferido. A pessoa atribui a si mesma uma importância exagerada e porque se acha injustiçada e cheia de razões, não perdoa. Ela é a
vítima. O orgulho apega-se a um falso senso de justiça quando o eu deve ser
vindicado. O orgulho exige a vingança em
vez do perdão. O não perdoador se esquece de que se Jesus, que é Deus, perdoou
os Seus algozes, que eram Suas criaturas, nós, pecadores, não temos desculpas
para prender nosso semelhante pela falta de perdão.
O orgulho impede a pessoa de perdoar até a si mesma, por
ter quebrado a auto-imagem que o orgulho construiu. Isso resulta em cegueira e
engano, que não a deixa ver que todo homem é sujeito à queda. Ela falha em
ver-se como realmente é e em ver os outros como eles são. Todos nós podemos errar e cair, pelo que
temos razões para o arrependimento, a confissão de culpas, o perdão e o reparo.
Mas para assumirmos tal atitude, o orgulho terá de ser removido, para dar lugar
à humildade.
A falta de
perdão lança a pessoa em trevas e a torna homicida espiritual
“Aquele que diz que está na luz, e odeia a
seu irmão, até agora está em trevas.
Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele
não há tropeço. Mas
aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque
as trevas lhe
cegaram os olhos. (1 Jo 2:0-11).
“Todo o que odeia
a seu irmão é homicida; e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna
permanecendo nele” (1 Jo 3:15).
A falta de
perdão lança a alma no mundo da amargura e a afasta da graça de Deus
“Atentando, diligentemente, por
que ninguém seja faltoso, separando-se
da graça de Deus; nem haja alguma
raiz de amargura que, brotando, vos perturbe,
e, por meio dela, muitos sejam contaminados” (Hb 2:15).
A
amargura é uma das piores consequências da falta de perdão porque, ainda que a
pessoa corra atrás da graça de Deus, a graça foge dela. Além disso, é como uma
doença contagiosa. Contamina quem está por perto e inferniza os
relacionamentos.
O que é amargura? É o resultado de um ressentimento convertido
em uma constante dor, que, por
sua vez gera mágoa e até ódio e
este provoca um mal estar tão
grande, que gera aflição de alma e afeta toda a vida do amargurado.
Sintomas de uma pessoa
amargurada:
COMO LIDAR COM AS
OFENSAS
Primeiro lide com o seu relacionamento com Deus. Para
receber o perdão de Deus há três requisitos:
Se a ofensa foi cometida contra outro ser humano, ou contra
a sociedade, uma quarta condição é acrescentada:
Saiba
que todos falhamos uns com os outros, mas não temos
que aceitar a ofensa.
“Não
há homem que não peque.” Todos os dias a vida nos apresenta oportunidades para que nos
ofendamos com alguém:
Ofensas virão, mas cabe a mim e
a você decidir o que fazer com todas as “oportunidades de ofensa” que nos são
oferecidas todos os dias. Ao abraçar
cada ofensa o mal se instalará em nosso coração e nos afastaremos de Deus e dos
homens. Todavia, ao usar cada oportunidade de ofensa para exercitar o amor e o
perdão nos tornaremos mais parecidos com Cristo e andaremos mais perto de Deus
e dos homens, desfrutando de sua comunhão.
Cultive algumas atitudes com a
graça de Deus:
Por um ato deliberado da vontade perdoe a todos quantos
o ofenderam.
O perdão não é um sentimento. É
uma decisão deliberada, em obediência a Cristo, de liberar os que nos ofendem. Portanto,
FAÇA DO PERDÃO UM ESTILO DE VIDA
E VOCÊ SERÁ CADA VEZ MAIS PARECIDO COM CRISTO!
Valnice Milhomens