TEMA: A
BÊNÇÃO DAS AMIZADES E RELACIONAMENTOS
Conhecido é o fato de que o homem é um ser social. Ele
foi projetado para viver em comunidade. Vida em comunidade implica em
relacionamentos em vários níveis.
O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus,
traz em sua natureza marcas herdadas do Criador. YHWH nosso Deus vive
eternamente em comunidade, porquanto existe em três pessoas distintas. Ele é um
Deus família. É natural, portanto, que o os homens vivam em comunidade e
desfrutem de relacionamentos com seus semelhantes.
Essencialmente, Deus é amor. O amor expressa o que Ele
é em todos os Seus relacionamentos com a Sua criação. Este amor é a motivação
do Seu relacionamento no céu e na Terra, entre as pessoas da Triunidade e entre
Ele e os homens.
Ao criar o homem no Jardim do Éden, Deus estabelece os
primeiros níveis de relacionamento:
·
Entre Deus e o homem. A primeira visão do homem, ao ser criado, foi do seu Criador. Ele era
seu Pai. Sua fonte de vida, sustento e destino. O primeiro nível de
relacionamento, portanto, surgido na terra, foi do homem com Deus. A cada dia o
Pai vinha ao Jardim na viração do dia para comungar com o homem, fortalecendo
seu relacionamento com ele. E aqui se estabelece um princípio: Este é o mais
importante de todos os relacionamentos e base para todos os demais.
·
Entre o homem e sua esposa. Como Deus vive em comunidade, o homem, Sua imagem,
viveria em comunidade. “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei
uma
ajudadora que lhe seja idônea” (Gn 2:18). Deus, então, traz à luz um ser da mesma espécie de
Adão, com quem ele se relacionaria de igual para igual. E estabelece: “Portanto
deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne” (Gn 2:24). Este é
o mais profundo dos relacionamentos na terra, que envolve tudo que a pessoa é.
·
Entre pais e filhos. O relacionamento entre os cônjuges produz o milagre da multiplicação
e os filhos vêm à luz. “Conheceu Adão a Eva, sua mulher; ela concebeu e, tendo dado à luz a
Caim, disse: Alcancei do Senhor um varão. Tornou a dar à luz a um filho - a seu
irmão Abel.” (Gn 4:1,2).
·
Entre irmãos.
Quando os filhos nascem, estes desenvolvem um relacionamento como irmãos.
Formam com seus pais uma unidade familiar onde Deus projetou uma vida em comum
baseada em relacionamentos profundos, conscientes de que, juntos, formam uma só
família pelos laços de sangue.
·
Entre filhos e pais. Desde o ventre materno a criança desenvolve uma ligação com seus
pais. Na gestação, especialmente com a mãe, e a partir do nascimento com os
dois pais.
·
Entre parentes.
A partir da reprodução da família imediata novos
relacionamentos surgem, como o de avós e netos, bisavós e bisnetos, primos, tios,
cunhados, sogros e genro e nora.
O PECADO E A
QUEBRA DOS RELACIONAMENTOS
O pecado provocou a quebra dos relacionamentos:
·
Do homem com Deus
(Gn 3), resultando em fuga. O homem passou a fugir da presença do Criador. “E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor
Deus, entre as árvores do jardim (Gn 3:8).
·
Do homem com a
mulher (Gn 3), gerando a acusação. O homem passou a
acusar a mulher, responsabilizando-a pela queda, insinuando assim que, em vez
de ser uma bênção em sua vida, tornou-se uma maldição. Pode haver algo mais
pernicioso num relacionamento? Ele disse a Deus: “A mulher que me deste por companheira deu-me a árvore, e eu comi” (Gn 3:12).
·
Entre irmãos. O
relacionamento entre os primeiros filhos de Adão sofreu inveja, mal estar e
terminou em assassinato. “Falou Caim com o seu
irmão Abel. E, estando eles no campo, Caim se levantou contra o seu irmão Abel,
e o matou”
(Gn 4:8).
·
A partir daí
encontramos guerras em todos os níveis. O homem não apenas se separou de Deus;
ele se separou do seu irmão e tem sido o seu pior inimigo.
CONSEQUÊNCIAS
DA QUEBRA DE RELACIONAMENTOS
(A
partir daqui transcrevemos o que o Pr. Marcos Arrais escreveu sobre o assunto) Individualismo:
“Sou
dono do meu próprio nariz” ou “eu me viro sozinho” são pensamentos cada vez
mais freqüentes no homem pós-moderno. Essa tendência tem gerado pessoas
emocionalmente desajustadas e transformado nossa sociedade numa verdadeira
prisão onde cada um se fecha dentro de sua própria cela, isolando-se da
realidade ao redor e criando seu próprio mundo.
“Disse o
SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu
tutor de meu irmão?” (Gênesis 4:9).
Na
era das máquinas, passamos mais tempo relacionando-nos com programas de
computadores do que investindo em relações humanas que são fundamentais para um
crescimento saudável. O resultado dessa “falência
relacional” está nas estatísticas de divórcios e famílias destruídas que
acompanhamos todos os dias ao nosso redor. Estão nas briguinhas de trânsito que
acabam em tragédia e nos maníacos que ameaçam a segurança de nossas famílias.
Solidão:
A
conseqüência imediata do individualismo é a solidão. A solidão não significa
necessariamente “estar só”, mas “sentir-se só” mesmo estando cercado de uma
multidão.
A
solidão nos faz perder a percepção de comunidade (do “comum”). O senso de
família, cada vez mais excluído do homem moderno, vai dando lugar a estilos de
vida cada vez mais independentes. Cercamo-nos de objetos e animais, buscamos
preencher nossas emoções com ocupações profissionais, mas o vazio relacional
cresce corroendo nosso mundo interior e tornando-nos cada vez mais infelizes.
“Por que te assentas só?” (Êxodo 18:14), é a pergunta
que continua ecoando em e desafiando-nos a sairmos do nosso claustro emocional
e partirmos para a aventura dos relacionamentos e amizades.
Hoje
um segmento da indústria e do comércio que tem crescido vertiginosamente é
aquele segmento que trabalha para pessoas sozinhas. Comidas para solteiros,
apartamentos para solteiros etc são vendidos cada vez mais. São pessoas que
escolheram viver sozinhas porque se sentem ameaçadas em dividir seu espaço com
outros seres humanos. Estamos caminhando para aquelas “cápsulas” que vemos
apenas nos filmes de Hollywood!
Solidão
mata! Mata as emoções, mata a vida espiritual e mata
fisicamente. Todos temos necessidade de convivências
sadias que nos apóiem, nos encorajem, nos confrontem e nos mantenham em
crescimento.
Problema de Comunicação – No Elevador!
A
revista “Mente e Cérebro” editou uma matéria com o tema: “Psicologia de
elevador” – O meio de transporte, tão comum nas grandes cidades, nos obriga a
dividir nosso espaço vital com estranhos e coloca à prova a capacidade de
comunicação.
A
matéria começa dizendo: “O elevador é o meio de transporte mais usado nas
grandes cidades. Só em São Paulo estima-se que existam mais de 270 mil
unidades. E cerca de 8 mil novos são instalados a cada
ano no Brasil. Há os que se sentem donos da situação, justamente porque se
encontram em uma área restrita. Outros experimentam o desconforto de
compartilhar o espaço vital, tão exíguo, com desconhecidos e, intimidados,
torcem para chegar logo ao andar de destino.”
Após
analisar diversas formas de comportamentos que se manifestam numa situação dessa, o autor da matéria observa: “Estar no elevador junto
a outras pessoas significa compartilhar um espaço restrito, no sentido de que
estamos constrangidos a nos relacionar com outros indivíduos, em geral
desconhecidos, a uma distância física que normalmente não seria tão curta”
Comunicar-se
nunca foi tão desafiador como em nossos dias!
A IMPORTÂNCIA DOS RELACIONAMENTOS
O
Dr. Fred Luskin em seu best seller “O Poder do perdão: guardar
rancor faz mal a saúde” (Editora Francis), comenta:
“Os
estudiosos constataram que pessoas … que partilham
suas experiências de vida com outras pessoas, tendem a lidar melhor com o
estresse. Isso se denomina apoio social, e, em geral, quanto mais apoio melhor.
A pesquisa mostra que o apoio social é benéfico para as pessoas tratarem o
estresse satisfatoriamente. Geralmente, as pessoas que contam com os amigos ou
a família são mais felizes e têm uma saúde melhor”.
Comenta
ainda o dr. Fred: “Os estudiosos constatam que as
pessoas que não têm amigos e precisam lidar sozinhas com as coisas enfrentam
com mais dificuldade as experiências da vida e também morrem mais cedo. De
fato, um grande estudo revelou que pessoas socialmente isoladas correm um risco
maior de morte prematura. A falta de companhia é tão perigosa – se não mais –
para a sobrevivência quanto o vício de fumar. Outro estudo mostrou que as
pessoas de certa idade, vítimas de ataques cardíacos, provavelmente morrem mais
no hospital se não recebem visitas. Se elas recebem visitas, suas chances de
deixarem o hospital com vida crescem significativamente. Quanto mais visitas,
maiores as chances de sobrevivência.”
Isso
está em linha com o que diz a Palavra de Deus:
“Um ao outro ajudou e ao seu próximo
disse: Sê forte” (Isaías 41:6)
“Melhor é serem dois do que um, porque
têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro;
ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também,
se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se
alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três
dobras não se rebenta com facilidade”
(Eclesiastes 4.9-12).
Relacionar-se
pode ser uma tarefa desafiadora, mas compensa! Quando mantemos relacionamentos
sadios:
O Exemplo de Davi e Jônatas
Um
dos grandes exemplos de amizade relatado na Bíblia é o de Davi e Jônatas:
“Sucedeu que,
acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e
Jônatas o amou como à sua própria alma. Saul, naquele dia, o tomou e não lhe
permitiu que tornasse para casa de seu pai. Jônatas e Davi fizeram aliança;
porque Jônatas o amava como à sua própria alma. Despojou-se Jônatas da capa que
vestia e a deu a Davi, como também a armadura, inclusive a espada, o arco e o
cinto” (1Samuel
18.1-4).
Nesse
ato temos uma descrição de como receber essa bênção:
Temos
outros exemplos de amizades e relacionamentos em outros níveis na Bíblia, tais
como Rute e Noemi (Rute 1.16), Jesus e Seus discípulos (João 15.14,15) etc.
COMO DESFRUTAR DA BÊNÇÃO DAS AMIZADES E
RELACIONAMENTOS
A Cruz
Mais
uma vez volvemos para a cruz. Ali Jesus, além de nos aproximar de Deus,
aproxima-nos uns dos outros, criando laços afetivos que só encontraríamos no
nível da família.
“Vendo Jesus
sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho.
Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a
tomou para casa” (João 19.26,27)
Na
cruz estabelecemos nosso relacionamento vertical, ou seja, comunhão com Deus e
o relacionamento horizontal, ou seja, uns com os outros.
Perdão
Relacionar-se
significa expor seu coração e confiar. Algumas vezes somos feridos e nos decepcionamos
com alguém. Não devemos nos fechar por isso, mas buscar no calvário forças para
liberarmos perdão e sermos restaurados (Efésios 4.32; Colossenses 3.13; Mateus
6.14). Devemos lembrar que o perdão é um exercício da nossa vontade, portanto,
depende de nossa decisão voluntária.
Conclusão
Em Jesus somos aproximados uns dos outros e aprendemos
a lidar com as diferenças. Isolar-se significa “suicídio emocional”. O Salmo
nos diz: “Refrigera-me a alma” – isso
nos diz que se entregarmos nosso coração ao Bom Pastor, Ele mesmo se
encarregará de trazer cura e restauração para os nossos corações, guiando-nos
rumo a relacionamentos que serão refrigério para as nossas emoções.