TEMA DO DIA 13: DORES DE PARTO ESPIRITUAL

Quando o apóstolo Paulo diz ternamente aos Gálatas: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gl. 4:19), sugere que as sofreu para que eles nascessem de novo. Como as sofreu? Na labuta da intercessão com “gemidos inexprimíveis” gerados em seu ser pelo próprio Espírito Santo.

Ninguém fabrica as dores de parto, nem decide quando elas chegam. Elas são o resultado de um processo de gestação e maturação. Assim no reino espiritual. Devotamo-nos a olhar para o perdido e começamos um processo de gerar filhos pela intercessão e pregação da Palavra de Deus. Num determinado momento o Espírito de Deus nos toma em “dores de parto” de intercessão. A compaixão de Deus se apodera do nosso ser e agonizamos a favor das almas até que sejam geradas em Cristo.

A verdadeira intercessão tem dois lados: um de confronto e outro de encontro. Confrontamos as trevas e encontramo-nos com Deus a favor de quem é alvo de nossa intercessão. Há forças espirituais que cegam e prendem os perdidos porque o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Co. 4:4). Portanto, o intercessor guerreia contra o inimigo e exerce a autoridade do Nome de Jesus para ordená-lo a soltar as vidas. Mas as forças que prendem o perdido operam também através da resistência natural da natureza pecadora. Por esta razão precisamos gerar, pela intercessão que se identifica com a situação do perdido, sua redenção incondicional a Cristo. E isso demanda “dores de parto.

Paulo, ao usar a figura “dores de parto,” ressalta a intensa e profunda batalha de intercessão brotada de um coração que

Só filhos vindos à luz pelas “dores de parto” são legítimos. Paulo usa uma alegoria interessante para dizer que “Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre. Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas, o que era da livre, por promessa. O que se entende por alegoria; porque estas são as duas alianças; uma, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar” (Gl. 4:22,23).

Talvez gostássemos de ter muitos filhos espirituais, mas sem pagar o preço de gerá-los e sofrer as “dores de parto” para que de fato Cristo seja formado neles. Ocorre que não somos chamados a fazer membros de Igreja, mas autênticos discípulos de Cristo, que passam por real novo nascimento. Isto quer dizer, uma transformação de natureza. Sem a concepção da vida de Cristo e o novo nascimento não há filhos, e sim escravos.

Vale a pena participar dos sofrimentos de Cristo para gerar filhos legítimos. Filhos por quem sofremos as dores de parto da intercessão

Certamente não queremos gastar nossa vida juntando pessoas à nossa volta e com elas formando uma caricatura de Igreja. Queremos ser canais de Deus para trazer filhos verdadeiros à luz, que refletirão o caráter de Cristo e se envolverão com Sua missão de buscar e salvar o perdido. Portanto, buscaremos encarnar o espírito paulino de intercessão em alto nível, oferecendo-nos ao Espírito Santo para ser seus canais intercessórios diante do Pai, dispostos a sofrer as “dores de parto” para que se levante uma geração de discípulos em cujo caráter Cristo seja formado.

Hoje queremos clamar: Jesus, quem poderá medir o grau do Teu sofrimento para arrancar-nos do inferno e transformar-nos em filhos de Deus que buscam refletir o Teu caráter? Penoso foi o trabalho da Tua alma e ainda assim o enfrentaste com amor e alegria. Consideraste o fruto do Teu sacrifício e bebeste até a última gota do cálice de sofrimento por minha redenção. Hoje pertenço a Ti. Estás sendo formado em mim. Ofereço-me agora para gerar vidas em Ti e sofrer as dores de parto da intercessão para que os perdidos sejam arrebatados do inferno e transportados para o Teu Reino de amor. Quero seguir os Teus passos na doação de mim mesmo para trazer filhos de Deus à luz.

Valnice Milhomens

P.S. Já havia escrito esta medição, quando recebi uma mensagem do Pr. Alexandre Peruchi. Compartilho a oportuna citação para o dia.

David Shibley no seu livro "O que os cristãos devem saber sobre a Colheita dos últimos dias," diz: “Na verdade, nós continuamente falamos sobre visão, mas raramente falamos sobre carga. Ouvimos muito sobre destino, mas não ouvimos quase nada sobre morrer para o próprio eu. Exultamos na alegria do Senhor, mas sofrer dores de parto pelas almas é algo a que não estamos acostumados. Tal desespero pelos perdidos seria até visto por alguém como "fanatismo". Esta geração de cristãos fala sobre auto-realização. A geração de cristãos de Hudson Taylor compreendia o que era auto-sacrifício. Ironicamente, aqueles que praticaram o auto-sacrifício no final foram muito mais realizados do que muitos cristãos hoje!

Por quê? Porque acolheram a verdade do claro ensino bíblico que o indivíduo verdadeiro "encontra" sua vida somente quando abre mão dela em favor de Cristo e do evangelho.

Preste atenção na mudança. O foco não é mais Deus ou o próximo. O novo centro da atenção cristã é o "eu"! Será que perdemos nosso senso de responsabilidade pela condição perdida da humanidade?

Ele então faz uma declaração que nos obriga a rever nossos valores:

Qualquer igreja que não esteja seriamente envolvida na evangelização mundial perdeu seu direito bíblico de existir! Todo cristão que não se importa se as pessoas passarão a eternidade sem Deus comete violência contra o coração do evangelho e contra o coração de Jesus. Tal cristão é um paradoxo ambulante, não importa o quanto sua Teologia seja ortodoxa.”