JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O GRANDE INTERCESSOR (Parte II)
TEXTO CHAVE: “Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim” (Jo 17:23).
Nesta oração sacerdotal de Jesus registrada no capitulo 17 do Evangelho de João, Sua primeira intercessão foi para que os discípulos fossem preservados do mundo e do mal. Mas não ficou aí. Podemos destacar mais três focos centrais que mereceram a atenção de Jesus ao pleitear junto o Pai a causa daqueles que recebera de Suas próprias mãos: Santificação, unidade e permanência com Ele.
SANTIFICAÇÃO NA VERDADE
Depois de interceder para que os discípulos sejam livres do mal, que ataca pelo lado de fora, Ele ora para que sejam bons, puros, santos, interiormente. “Santifica-os na Tua verdade; a Tua palavra é a verdade” (Jo 17:17). A Palavra de Deus é instrumento de santificação. Por ela somos confrontados, repreendidos, corrigidos, convencidos, lavados e purificados. Ela tem o poder de, usada pelo Espírito, enquanto a contemplamos como em um espelho, ir nos transfigurando, de um degrau de glória a outro, num sempre crescente esplendor, na imagem santa de Jesus (2 Co 3:18). Portanto, Jesus ora por esta santificação, pois sendo santos eles seriam preservados em Sua ausência. Paulo expande essa oração, dizendo: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo” (1 Ts 5:23).
“Pai, santifica-os.” Esta petição tem dois sentidos: Primeiro, a experiência da graça transformadora que imprime no discípulo as marcas do caráter santo de Jesus. Em outras palavras, Jesus ora: "Pai, confirma a obra de santificação neles; fortalece-lhes a fé, desperta seus nobres desejos, firma suas santas resoluções, completa-a, coroa-a com a perfeição da santidade, santifica-os inteiramente e até ao fim.
A oração de Jesus para que todos os Seus sejam santificados é porque Ele não os poderia usar para cumprir Sua missão, se eles não fossem santificados. Além disto, estes que foram santificados por Sua graça, tinham necessidade de ser santificados cada vez mais, refletindo o caráter perfeito, puro e santo de Jesus.
O segundo aspecto é a santificação posicional. Eles eram separados para uma missão. "Santifica-os, separa-os para Ti mesmo e para o serviço cristão; seja seu chamado ao apostolado ratificado no céu". É dito dos profetas que foram santificados. Jeremias é um exemplo: “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta” (Jr. 1:5). Portanto, o pedido de Jesus quer dizer:
· Qualifica-os para o ofício com os dons da Tua habilidade Divina a fim de que sejam ministros efetivos da Nova aliança;
· Separa-os para o ofício para o qual os chamei e ao qual disseram sim (Rm 1:1);
· Apodera-Te deles no ofício, respaldando-os; santifica-os na Tua verdade, não na figura cerimonial, para que vivam Tua verdade e a preguem ao mundo com integridade.
Depois de rogar ao Pai que santificasse Seus discípulos, Jesus apresenta duas fortes razões para tanto:
· Sua própria missão transferida a eles: “Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo” (Jo 17:18). Jesus revela Sua convicção de que viera ao mundo em missão confiada pelo Pai. Ele estava aqui como enviado do Pai para fazer e dizer o que Lhe havia sido confiado. Ele também demonstra a alegria de ter comissionado os Seus: “Eu os enviei ao mundo” para fazer o mesmo, cumprir o mesmo propósito, no mesmo espírito em que Eu vim. Eles serão, pois, a extensão da minha missão.
· Sua condição de Mediador. “E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade” (Jo 17:19). “Por eles me santifico” pode ser uma referência ao que Ele estava prestes a fazer: “pelo Espírito eterno oferecer-se a Si mesmo imaculado a Deus” (Hb 9:14). Como o próprio Sumo Sacerdote e o altar, Ele santificou-se a Si mesmo como o Sacrifício, para que Seus discípulos fossem santificados na verdade, “pois esta é a vontade de Deus, a sua santificação” (1 Ts 4:3).
No versículo seguinte Jesus, diante do Pai, passa a orar não apenas pelos que O acompanhavam em Seu ministério terreno, mas também por todos quantos, em todos os lugares, e em todos os tempos, que viessem a se converter em discípulos Seus. Ele intercedeu por você e por mim. Podemos nos sentir incluídos em toda a oração de Jesus. Ele disse ao Pai: “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim” (Jo 17:20).
Hoje, ainda que distanciados daquele dia milhares de anos, temos o gozo de saber que Jesus, em Sua onisciência nos incluiu em sua intercessão, como nos incluiu em Sua morte, sepultura e ressurreição. Portanto podemos aplicar à nossa vida cada palavra destas oração carregada de significado e poder.
· O Pai nos guardará de todo o mal e nos preservará até o Dia de Cristo Jesus. Ele nos guardará em Seu Nome e em Seu amor. Guardados por Ele nenhum mal nos sucederá e “o maligno não nos toca” (1 Jo 5:18).
· O Pai nos santificará, operando em nós, através do Seu Espírito, a obra da santificação que produz em o caráter de Cristo, e separando-nos para o Seu serviço, conferindo-nos Sua habilidade para cumprirmos a missão de Jesus que nos foi transferida. Assim, pela obra da santificação, tanto o caráter quanto a missão de Jesus serão a marca do discípulo por quem Jesus intercedeu junto ao Pai.
(Continua)
Valnice Milhomens
JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O GRANDE INTERCESSOR
TEXTO CHAVE: “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17:20,21).
O capítulo dezessete do Evangelho de João apresenta a magistral oração de Jesus antes de Sua prisão. Durante as últimas horas Ele estivera com a atenção voltada para os discípulos, preparando-os para Sua partida. Sua morte não seria uma surpresa. Ele sabia que Sua hora era chegada e fez provisão de ensino aos Seus. Terminando, pois, de transmitir o que julgou necessário, conclui: “Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos cada um para sua parte, e me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo. Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16:32,33). Tendo disto isto, concluindo Seu sermão, introduziu uma mudança de cenário. Tirou os olhos dos discípulos e se dirigiu ao Pai em oração. Podemos dizer que aquela era:
· Uma oração pós - sermão a fim de consolidar o que fora ensinado;
· Uma oração após a instituição da Ceia memorial, aplicando os termos da nova aliança;
· Uma oração familiar, pois os discípulos eram Sua família e Ele os abençoou;
· Uma oração de despedida;
· Uma oração que precedia Seu sacrifício, que Ele estava para oferecer na terra, especificando os favores e bênçãos projetados que seriam comprados para esses que eram Seus, pelo mérito da Sua morte. Cristo, então, orou agora como um sacerdote oferecendo sacrifício.
· Uma oração que era um espécime da Sua intercessão, que Ele vive sempre a fazer por nós dentro do véu. Ele permanece no ofício de Intercessor pelos Seus, à direita do Pai.
A primeira parte da oração de Jesus é por Si mesmo. Depois Ele age como um intercessor, colocando-se no lugar dos discípulos e pleiteando a causa destes. Observe-se que a intercessão de Cristo é sempre pertinente. Nosso Advogado junto ao Pai está familiarizado com todos os pormenores de nossos desejos e fardos, nossos perigos e dificuldades, nossas debilidades e necessidades. Ele sabe exatamente como direcionar Sua intercessão por cada um, como quando intercedeu por Pedro, que estava em perigo (Lc 22:32).
Jesus é intenso e prolongado em Sua intercessão. É pleno nas petições, ordena-as diante do Seu Pai, e enche a Sua boca com argumentos, ensinando-nos, assim, a ser fervorosos, intensos, e a importunar em oração. É um exemplo a orarmos demorada e insistentemente, junto ao Trono da graça, lutando como Jacó: “Não te deixarei se não me abençoares”.
Quando Jesus passa a fazer dos discípulos o Seu foco de intercessão, declara: “Eu não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (Jo 17:9). “Eu rogo por eles” – Diante dos perigos e testes que os aguardavam, Ele buscou a proteção e a bênção de Deus para suas vidas. “Não rogo pelo mundo,” isto é, os homens maus, rebeldes, maliciosos. Jesus aqui concentra Sua oração a favor dos Seus discípulos. Como um motivo para Deus abençoá-los, Ele diz que eles não eram do mundo; que tinham sido tirados do mundo; que pertenciam a Deus. Não quer dizer que Ele só orou pelos discípulos. Mais adiante nesta oração Ele orou pelos futuros crentes e na cruz orou pelos que O crucificaram (Lc 23:34). Mas nesta ocasião Seu foco são os discípulos.
PRESERVAÇÃO. A primeira questão que Jesus traz diante do Pai a favor dos Seus discípulos é a preservação do mal. Ele os confia à custódia do Pai. “Eu não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai santo, guarda-os no Teu nome” (Jo 17:11a). “Guardar” sugere perigo de extravio. Certamente enfrentariam males e precisavam ser preservados. “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (Jo 17:15). Havia perigos no mundo, mas seu lugar de atuação seria nele. Não seriam preservados de seus males pela morte, mas pela intervenção do Pai, guardando suas vidas. As razões de Sua intercessão pele preservação são:
· Ele argumenta que enquanto aqui, Ele os mantivera: “Estando Eu com eles no mundo, guardava-os em Teu nome” (Jo 17:12a), na fé verdadeira do Evangelho e no serviço de Deus. Esses que me deste para ajudar-me no cumprimento da missão, Eu guardei e estão seguros. “Nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse” (Jo 17:12b).
· Ele argumenta que estava agora sob a necessidade de deixá-los, e não podia mais cuidar deles como havia feito até então (Jo 17:11).. "Mantém-nos agora, porque Eu não posso perder o investimento feito neles enquanto estava com eles.”
· Ele argumenta que eles teriam uma grande satisfação em saber que estavam seguros, e que grande gozo seria para Ele vê-los bem! “Digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos” (Jo 17:13).
· Ele argumenta sobre o mal que eles possivelmente enfrentariam no mundo, por Sua causa. “Dei-lhes a Tua palavra” para que a proclamassem ao mundo. Eles creram nela, receberam-na, aceitaram a incumbência de transmiti-la ao mundo. Portanto “o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo” (Jo 17:14).
· Ele argumenta sobre a conformidade dos discípulos com Ele mesmo em um santo inconformismo com o mundo. “Pai, guarda-os, pois eles estão identificados com meu espírito e mente, eles “não são do mundo, como eu do mundo não sou” (Jo 17:16).
Poderá haver para nós, discípulos do Senhor Jesus Cristo, maior segurança do que saber que Ele, não apenas orou por nós naquele dia, mas continua a interceder por nós e, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, usam todos os recursos Divinos para nos preservarem de todo mal? Enquanto andarmos em Sua presença seremos guardados, protegidos, livrados, preservados das ciladas do maligno e da maldade deste mundo. Nosso GRANDE INTERCESSOR garante a nossa preservação.
(Continua...)
Valnice Milhomens
JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O DOADOR DO ESPÍRITO SANTO
TEXTO CHAVE: “Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que Eu vá; pois se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando Eu for, vo-lo enviarei.”
Jesus está vivendo suas últimas horas na Terra com Seus discípulos. Consciente disto Ele os prepara para viverem sem Sua presença corporal, informando: “E agora vou para Aquele que me enviou” (Jo 16:5). Esta notícia dada de diversas formas naquela noite enche seus corações de tristeza (Jo 16:6). Mas Jesus os conforta falando da pessoa do Espírito Santo, que Ele promete enviar a fim de tomar o Seu lugar na Terra, embora de outra forma. Ele afirma: “Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que Eu vá; porque, se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando Eu for, vo-lo enviarei” (Jo 16:7).
“Convém-vos que Eu vá.” O envio do Espírito Santo seria o fruto da obra de redenção efetuada por Cristo através de Sua morte. Porque Ele morreria, deixaria o mundo e voltaria para o Pai e, então enviaria o Espírito. Três coisas importantes acerca da vinda do Espírito são aqui salientadas:
· A partida de Cristo era absolutamente necessária para a vinda do Consolador (v. 7);
· A vinda do Espírito era absolutamente necessária para a execução dos interesses de Cristo na terra (v. 8);
· A vinda do Espírito seria de inexprimível vantagem para os próprios discípulos.
O envio do Espírito Santo seria uma resposta à Sua intercessão dentro do véu: “E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós” (14:16-17).
Portanto, o dom do Espírito Santo deveria ser objeto de um preço a ser pago, a morte do Senhor Jesus Cristo, e de Sua intercessão. Os discípulos deveriam ser desligados da presença corporal de Jesus, de quem eles tanto dependiam, antes que fossem completamente preparados para receber as bênçãos e o conforto de uma nova dispensação, a do Espírito Santo.
A palavra usada por Jesus para Consolador é Paracleto, no grego. O vocábulo tem vários significados: advogado, monitor, mestre, guia, consolador, conselheiro. Esses termos parecem incluir os significados da palavra no Novo Testamento, mas não existe em nossa língua uma palavra que, sozinha, expresse inteiramente o sentido original. Seu ofício é revelado através de várias referências, especialmente do que Jesus diz. Através delas entendemos que Seu trabalho é:
· Consolar os discípulos. Estar com eles na ausência de Jesus e ocupar Seu lugar na terra; e isto é apropriadamente expresso pela palavra Consolador.
· Ensinar os discípulos, ou relembrá-los da verdade. Isto pode ser expresso pela palavra monitor ou mestre. “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14:26). “Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir” (Jo 14:13).
· Auxiliar os discípulos em seu trabalho. Advogar sua causa ou assisti-los advogando a causa da fé no mundo e trazendo pecadores ao arrependimento. Isto é expresso pela palavra advogado. “E, quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo” (Jo. 16:8). Seria também pelo Espírito que eles receberiam a capacitação para enfrentar reis e magistrados e ousadamente falar em nome de Jesus “Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós” (Mt 10:20).
· GUIAR a toda a verdade. O Espírito Santo é nosso Guia, não só para mostrar-nos o caminho, mas ir conosco pelo Seu auxílio e influência contínuos. Ser guiado a toda verdade é mais que mal sabê-la; não é apenas ter a noção dela em nossas cabeças, mas o condimento, o sabor e o poder dessa verdade em nossos corações.
Jesus promete enviar o Espírito não só para confortar os discípulos, tomando o Seu lugar na Terra junto a eles, mas Ele viria também com a missão de convencimento do mundo: “Do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado (Jo 16:9-11).
· O Espírito convence o mundo do pecado. Não fala simplesmente sobre ele. Ele convence do fato do pecado; da falta do pecado; da loucura do pecado; da imundície do pecado; que por causa dele somos detestáveis aos olhos de Deus; da fonte do pecado, a natureza corrupta; e finalmente, do fruto do pecado, e que o fim dele é a morte. O Espírito Santo prova que todo o mundo é culpado diante de Deus. E como todos os pecados têm sua raiz na incredulidade, a mais grave forma de incredulidade é a rejeição de Cristo.
· O Espírito convence o mundo da justiça. Que Jesus de Nazaré era o justo Messias e nEle jamais se encontrou pecado algum. Também convence da justiça de Cristo, imputada a nós pela justificação e salvação. Ele mostra ao pecador onde este se encontra e como pode ser aceito como justo aos olhos de Deus. A ascenção de Cristo prova que o preço do resgate da nossa alma foi aceito por Deus, e foi alcançada a justiça, através da qual os crentes são justificados.
· O Espírito convence do juízo, porque o príncipe deste mundo foi julgado. Deus é justo e executará o julgamento. Satanás, o enganador teve seu poder destruído na cruz. Foi derrotado para sempre. A morte de Cristo “julgou” ou judicialmente o destronou e foi expulso do seu domínio usurpado. “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo” (Hb 2:14). Quando Cristo ressurgiu dentre os mortos, e todo o poder foi entregue em Suas mãos, isto foi o juízo no tribunal do universo contra o príncipe deste mundo. “Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo” (1 Jo 3:8).
Hoje, portanto, o Espírito Santo traz ao coração do homem:
· A consciência do pecado, consumado na rejeição de Cristo, que tira o pecado do mundo;
· A consciência de perfeito alívio na justiça do Servo do Pai, agora removido da terra para o Seu seio onde Ele habitava desde a eternidade
· A consciência da emancipação das garras de Satanás, cujo julgamento traz liberdade ao homem para ser santo e a transformação de servo do diabo em filho do Senhor Todo Poderoso.
Jesus envia o Espírito Santo não somente para assistir os discípulos, convencer o mundo, mas também para glorificar Sua Pessoa. “Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará” (Jo 16:14). Deus, o Pai, glorificou-O no céu; o Espírito Santo O glorifica na terra. Ele é enviado tanto em Seu nome, quanto em seu lugar, com a incumbência de continuar e aperfeiçoar seu empreendimento. Todos os dons e graças do Espírito, toda a pregação e todos os escritos dos apóstolos, sob a influência do Espírito, as profecias, línguas e milagres, eram para glorificar a Cristo.
O Espírito glorificou a Cristo por dirigir Seus seguidores à verdade “conforme é a verdade em Jesus” (Ef 4:21). Ele lhes garante, primeiro, que o Espírito deve comunicar as coisas de Cristo a eles: “Porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará” (16:14). E em essência Ele procede do Filho; portanto, em influência e operação Ele deriva dEle. “Recebendo do que é meu, vo-lo anunciará” (16:15). Tudo que o Espírito nos mostra, isto é, aplica a nós, para nossa instrução e conforto; tudo que nos dá para nossa força e tudo que segura e sela para nós, pertence a Cristo, e é recebido dEle. Tudo é dEle, para Ele. Ele o comprou e pagou um alto preço por tudo e, portanto, tem razão de dizer que tudo possui. O Espírito não veio erigir um novo reino, mas prosseguir e estabelecer o mesmo reino que Cristo tinha começado a edificar, manter o mesmo interesse e dar continuidade ao mesmo projeto, pois Ele veio glorificar Cristo.
Glorificamos a Cristo por tão precioso dom, sem o qual não podemos viver. Enquanto nos inclinarmos à Sua voz, seguindo Sua direção, não nos faltará a revelação do próprio Cristo, a comunhão com o Pai, toda instrução, o auxílio e a habilidade divina para realizar a Sua obra, e a graça de um viver santo como filhos adoradores que vivem para glorificar seu Senhor e Deus.
Valnice Milhomens
JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É A VIDEIRA VERDADEIRA
TEXTO CHAVE: “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (Jo 15:5).
O cenário do capítulo 15 do Evangelho de João foi possivelmente o caminho entre o Cenáculo e o Getsêmani, após a última Ceia. Jesus apresenta-se desta vez usando uma nova figura: a Videira. Poucos instantes antes Ele usara o fruto da videira, o vinho, para celebrar a Ceia e trazer à tona o significado que estava oculto no cálice usado a cada Páscoa. Ele representava o Seu sangue que seria derramado dentro de poucas horas para selar a nova aliança prometida pelos profetas. Este sangue seria a oferta pela remissão dos nossos pecados.
Ao apresentar-se como a Videira, e os discípulos como as varas, Ele fala do nível da íntima relação que deveria existir entre Ele e Seus discípulos. A ligação destes com Jesus se assemelha à ligação existente entre um galho e a árvore da qual ele brota. Os galhos não têm vida própria. Eles são a extensão da árvore.
· A vida que corre nos galhos é a seiva que vem das raízes e penetra toda a árvore;
· Os frutos que os galhos produzem são os frutos da árvore;
· A natureza do fruto produzido é a expressão da própria árvore.
Aqui está o espírito da aliança. Os aliançados têm uma vida em comum. “Tudo o que é teu é meu, e o que é meu é teu.” A refeição da última Ceia tornara-se uma refeição memorial, a refeição da aliança. Era costume usar-se o pão e o vinho no estabelecimento de alianças. O cerimonial queria dizer: “Tua vida entra na minha e minha vida entra na tua.” Ora, quando Jesus instituiu a Ceia, simbolicamente Ele estava tomando sobre Si tudo quanto pertencia ao homem. O que este tinha? Dívidas: Pecado, maldição e morte. Mas por causa da aliança, Jesus sai do local da Ceia determinado a pagar essas dívidas com Sua própria vida, derramando Seu sangue em nosso lugar, para dar-nos Sua própria vida e tornar-nos participantes do que é Seu.
Ao declarar: “Eu sou a videira; vós sois as varas,” Jesus quer firmar conceitos de aliança e revelar a profundidade da nova aliança que Ele está estabelecendo com o homem. Como Videira,
· Ele é a origem e a fonte da vida de cada discípulo (galho). Este não tem vida própria. Ele nasceu e se nutre de Quem lhe deu origem.
· Dele flui a seiva para todo o Corpo de discípulos. Ainda que muitos, todos recebem da mesma fonte.
· Os discípulos são parte dEle mesmo. Como não se pode separa o galho da árvore, o discípulo é parte integrante da Videira, Jesus.
· Os frutos produzidos pelos discípulos refletem a Sua natureza. Como não pode o galho de uma mangueira produzir bananas, o discípulo em Cristo não pode produzir frutos contrários à Sua natureza, pois o fruto atesta a natureza da arvore.
Duas palavras são centrais nesta revelação de Jesus: “Permanecer” e “fruto.” Por cinco vezes Ele se refere a “frutos” e por dez vezes usa o verbo “permanecer,” sendo que cinco delas fala da permanência nEle. Permanecer em Cristo fala da importância da comunhão com Ele. Quem nasceu de Cristo deve viver ligado a Ele através de uma íntima e constante comunhão.
· “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós” (v. 4a). Só teremos tudo de Cristo quando Ele tiver tudo de nós. Se os nossos corações permanecerem a Ele ligados por uma comunhão de amor, Ele também permanecerá ligado a nós nesta comunhão.
· “Como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim” (v. 4b). É uma questão de lógica. Galho cortado da árvore é galho morto. Não tem vida, logo não pode dar fruto. A ausência de comunhão com Cristo leva o crente à esterilidade espiritual.
· “Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (v. 5). Viver em constante comunhão com Cristo é a condição para uma vida frutífera. Comunhão quer dizer ter coisas em comum. Andar em Sua presença. Viver de acordo com os padrões e valores de Sua palavra.
· “Quem não permanece em mim é lançado fora, como a vara, e seca; tais varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas” (v. 6). Que ninguém se iluda. Ser membro de uma Igreja chamada cristã não garante a salvação. Ser batizado, participar da Ceia do Senhor, freqüentar reuniões cristãs, nada disto garante a salvação. A maior evidência de que alguém é um discípulo de Cristo é a permanência nEle. Sem ela seu destino é o inferno.
· “Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será feito” (7). Esta é a expressão da aliança. É como se Ele dissesse: “Estabeleci contigo uma aliança. Tudo o que era teu tornou-se meu. Mas o que tinhas era pecado, maldição e morte. Tudo isto tomei e destruí pelo poder de minha morte, sepultura e ressurreição. Agora tudo o que é meu te está disponível. Enquanto vives comigo, atentando para minha Palavra, obedecendo-a, tens acesso aos meus tesouros de graça e tudo quando for necessário está ao teu alcance pelo simples veículo da oração.”
Quando pensamos em termos de aliança assombramo-nos com a grandeza do amor de Deus revelado em Cristo. Eu só tinha dívidas; Ele só tinha bens. Eu era todo pecado; Ele todo justiça. Ele não tinha do que morrer; eu não tinha do que viver. Todavia, o amor que expressa Sua natureza, a essência do Seu, é a grande motivação para Jesus estabelecer conosco uma aliança de amor. Por causa dela Ele se fez pecado, doença, maldição e morte para dar-me Sua justiça, saúde, bênção e a própria vida. Agora Ele nos informa e nos convida à permanência neste imensurável, indescritível AMOR que nos levará à plenitude do gozo que só a permanência nEle pode proporcionar:
“Como o Pai me amou, assim também Eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Estas coisas vos tenho dito, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo. (Jo15:9-11).
Valnice Milhomens
JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O CAMINHO PARA O PAI
TEXTO CHAVE: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14:6).
Quando Jesus estava prestes a ser preso e morto, na noite em que foi traído, Ele passa a trazer uma série de verdades aos Seus discípulos, preparando-os para Sua partida. Começa confortando-os e afirmando que Ele deve ser o objeto da sua fé, no mesmo nível em que eles crêem em Deus: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14:1). Logo a seguir fala de um DESTINO. A terra não era seu destino final. Era apenas um ponto de partida. Ele mesmo viera à Terra tão somente para abrir o caminho para as mansões celestiais, com o Pai. Sua separação dos discípulos seria temporária, pois eles agora tinham um destino comum. Portanto, informa: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, quando Eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também. E para onde Eu vou vós conheceis o caminho.” (Jo 14:2-4).
Dúvidas surgiram: Para onde Ele vai? Com saber o caminho? Eis que dos lábios do Mestre brota a grande revelação que aponta para a identidade de Jesus: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14:6). Isaías profetizara: “E ali haverá uma estrada, um caminho que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele, mas será para os remidos. Os caminhantes, até mesmo os loucos, nele não errarão. ... Os redimidos andarão por ele’ (Is 35:8,9b). Que caminho desejável! Mas a esperança de tal caminho se converte numa realidade presente, pois ali mesmo, diante dos discípulos que, juntamente com todo Israel, ansiavam o seu cumprimento, sim, diante dos seus próprios olhos, está O CAMINHO SANTO.
Indubitavelmente, ao apresentar-se como o Caminho, Jesus queria dizer que tanto eles como todos os outros teriam acesso a Deus somente pela obediência às instruções, imitação do exemplo, e dependência dos méritos dEle, o Senhor Jesus Cristo. Ele era o líder na estrada, o guia na peregrinação, o mestre do ignorante e o exemplo para todos. “Eu sou o Caminho” que dirige ao Pai; a Verdade que ensina o conhecimento de Deus; a Vida que anima todos os que O procuram e O servem, a qual deve ser desfrutada eternamente no fim do caminho.
Cristo é o Caminho:
· Pela Sua doutrina: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6:68);
· Pelo Seu exemplo: “Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas” (1Pe 2:21).
· Pelo Seu sacrifício: “O sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo” (Hb 9:14).
· Pelo Seu Espírito: “Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras” (Jo 16:13).
"Eu sou o caminho." Cristo não é meramente o caminho, indo adiante do Seu povo como um exemplo; nem meramente como um profeta, indicando pela sua doutrina o caminho da salvação; mas Ele é o próprio caminho da salvação pela Sua obediência e sacrifício. Nem há outro qualquer. Ele é o caminho designado pelo Pai, o qual concorda inteiramente com as perfeições de Deus. Ele é o caminho apropriado à condição dos pecadores. Ele é o caminho para todas as bênçãos da aliança de graça. E Ele é o caminho correto de entrada na Igreja aqui. Ninguém entra apropriadamente numa igreja de Cristo senão pela fé nEle. Ele é o caminho para o céu. Pelo Seu próprio sangue Ele abriu o caminho de entrada para Seu povo.
“Eu sou a verdade”: A fonte da verdade, ou o que origina e comunica a verdade para a salvação dos homens. A verdade é uma representação das coisas como são. A vida, a pureza e o ensino de Jesus Cristo são a mais completam representação das coisas do mundo eterno que foi ou pode ser apresentado ao homem. As cerimônias dos judeus eram sombras; a vida de Jesus é a verdade. As opiniões dos homens são fantasias, mas as doutrinas de Jesus são nada mais que uma representação dos fatos como eles existem no governo de Deus. É implicado aqui, também, que Jesus é a fonte de toda verdade; por sua inspiração os profetas falaram, e por Ele toda verdade é comunicada aos homens. “Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1:17). Jesus é a verdade:
· Em oposição a todas às religiões falsas;
· À lei Mosaica, que era apenas a sombra, não a realidade ou substância das coisas boas que haveriam de vir;
· Com respeito a todas as promessas de Deus “Pois, tantas quantas forem as promessas de Deus, nele está o sim; portanto é por ele o amém, para glória de Deus por nosso intermédio” (2 Co 1:20).
“Eu sou a vida.” É a Vida, tanto em graça quanto em glória; a vida que não somente nos livra da morte, mas também a destrói. Cristo é o autor e doador da vida, natural, espiritual e eterna; ou é o caminho da vida, ou "o vivo caminho," em oposição à lei, que estava bem distante do caminho da vida. A lei era o sacerdócio da condenação e morte. Mas Jesus é e sempre será o caminho; tudo neste caminho vive, morte não haverá; pois este é o caminho que conduz à vida eterna.
“Ninguém vem ao Pai, senão por mim”: Jesus conclui a enfática declaração de que Ele é o caminho, a verdade e a vida, com uma sentença clímax: “Ninguém vem ao Pai, senão por mim.” Fora de Cristo não há salvação. Todos os esforços humanos para alcançar a Deus não passam de tentativas frustradas. Jesus é Deus e fez-se o homem para tornar-se o único mediador entre Deus e os homens. Ele é a única ponte que nos leva à presença do Pai. Ninguém pode obter coisa alguma do Criador senão pelos méritos do Senhor Jesus Cristo. Ele somente é e sempre será o CAMINHO que nos leva a Deus. E a Ele seja a glória, a honra e o louvor, desde agora e pra sempre, Amém!
Valnice Milhomens
JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É SENHOR E SERVO
TEXTO CHAVE: “Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. (Jo 13:13,14).
Jerusalém se prepara para mais uma Festa da Páscoa, que celebra a libertação de Israel do Egito. É uma festa onde o cordeiro tem um lugar de destaque, pois na noite em que Deus julgou o Egito e libertou seu povo o sangue do cordeiro foi usado como sinal na porta para que a morte passasse por cima dos israelitas, sem os atingir. Esta seria a última Páscoa de Jesus, antes de morrer como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:9). Restavam-lhe apenas horas. Aquele, portanto, era um encontro da mais elevada importância.
As últimas lembranças de Sua vida terrena estariam sendo gravadas e, com elas, as últimas lições de discipulado.
Aquela Páscoa era muito especial para Jesus e decidiria o futuro da humanidade. Ele disse aos discípulos: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta páscoa, antes da minha paixão; pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus” (Lc 22:15,16). Então, “levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido” (Jo 13:4,5).
A atitude de Jesus, dentro do contexto cultural do Seu tempo, era no mínimo chocante. Como as estradas eram poeirentas, calçavam sandálias ou andavam descalços, e reclinavam-se à mesa deitados em colchões, era costume o escavo de menor valor lavar os pés dos comensais. Naquela noite estão apenas Jesus e os doze. Nenhum deles se prontifica a fazer o trabalho de um servo. Desenrola-se, então, a inesperada cena: O Senhor do Universo despe-se de sua túnica e cinge-se de uma toalha, aparecendo, assim, no caráter de um servo que lava os pés dos discípulos.
Findo o trabalho de servo, Jesus retoma Suas vestes e reassume Sua posição de Mestre e pergunta: “Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se Eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes” (Jo 13:12-17).
Que conceito estranho! Que lição difícil! Ali estava o Senhor supremo, o Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, não apenas descendo ao nível da Sua criação para servi-la, mas assumindo a posição de servo de quem Ele é Senhor. Paulo descreve essa realidade de forma bela ao dizer que Jesus “subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Ef 2:6-8).
E, então, vem o contraste da posição: “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. (Fp 2:9-11).
Sim, ainda que tenha vindo ao mundo em humilhação, impondo-se todas as limitações a que um ser humano está sujeito, para servi-lo com todo o bem, incluindo sua eterna redenção, Ele é o Senhor. Verdadeiramente podemos fazer coro com o profeta Isaías, em admiração: “Desde a antigüidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de Ti, que trabalha a favor daquele que por Ele espera” (Is 64:4). Que Deus é este que serve Sua criação? Que Senhor é este que se apresenta em forma humana declarando: “Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas veio para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos” (Mt 20:28). “Porque este Deus é o nosso Deus para todo o sempre; Ele será nosso guia até a morte” (Sl 48:14).
O que está por trás dessa marca no caráter de Jesus? Jamais houve na história humana tamanha expressão de humildade. E por trás dessa humildade está o Amor perfeito que busca o Ser amado até às últimas conseqüências e jamais desiste dele até que o tenha de volta em perfeita comunhão, restaurado ao lugar que lhe foi preparado: junto ao coração do Pai.
O conceito de um Deus que é, ao mesmo tempo, Senhor e Servo da Sua criação, parece um grande paradoxo. Mas esta é a realidade na Pessoa de Jesus.
· É como Servo que abraça a encarnação, quando ela representa uma auto-limitação imensurável, somente para descer ao nível do ser amado a fim de elevá-lo de filho de Deus;
· É como Servo que “percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando toda sorte de doenças e enfermidades” (Mt 9:35).
· É como Servo que se cinge com a toalha para lavar os pés dos discípulos e enxugá-lo, demonstrando até onde podia servir.
· É como o Servo Sofredor de Yahweh que Jesus se entrega a todo tipo de sofrimento até à morte de cruz para tornar-se o Redentor e Sarador de todo aquele que nEle crê.
Não podemos esquecer, todavia, que Jesus, apesar de usar a toalha, Ele é Rei corado. Ele também tem um cetro. Cetro e toalha fazem parte do seu caráter. Ele reina e serve ao mesmo tempo. Naquela noite em que foi traído Ele quis imprimir no coração e na memória dos discípulos o quadro de um líder servidor. Jamais deixou de ser Deus. De ser Senhor. Mas viveu e vive para servir aqueles que estão sob Seu senhorio como Senhor e Rei.
E eis a lição que o Senhor – Senhor quer que aprendamos e pratiquemos como um modo de viver:
Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se Eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes (Jo 13:13-16).
Valnice Milhomens
JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O REI
TEXTO CHAVE: “No dia seguinte, as grandes multidões que tinham vindo à festa, ouvindo dizer que Jesus vinha a Jerusalém, tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o rei de Israel!” (Jo 12:12,13)
A notícia da ressurreição de Lázaro espalhou-se não só por Betânia, mas também por toda vizinha Jerusalém, despertando curiosidade, fé e oposição “porque muitos, por causa dele, deixavam os judeus e criam em Jesus” (Jo 12:11). Portanto, as grandes multidões que haviam ascendo à Jerusalém para a Festa da Páscoa, ouvindo dizer que Jesus vinha de Betânia a Jerusalém, quiseram aclamá-lo rei. “Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o rei de Israel!” (Jo 12:13). “Hosana ao Filho de Davi! bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!” (Mt 21:9)
Jesus entra em Jerusalém como Rei e Senhor, de acordo com o testemunho de Zacarias: (9:9) “Dizei à filha de Sião: Eis que aí te vem o teu Rei, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, cria de animal de carga” (Mt 21:5). Ao proclamarem “Hosana ao Filho de Davi” eles admitiam e declaravam que Jesus era o Messias. Este título era conhecido entre os judeus como atribuído ao Messias. Ao aclamarem em alta voz “Hosanas,” unidas as duas companhias, na frente e atrás, eles tributavam todo louvor, honra e glória a Ele, desejando-lhe toda prosperidade, felicidade, e segurança.
Ainda que como nação, Israel haja rejeitado a Cristo, o povo que ouviu a Sua voz e viu os Seus milagres estava convencido de que Ele era o Rei anunciado pelos profetas. “Dava-lhe, pois, testemunho a multidão que estava com Ele quando chamara a Lázaro da sepultura e o ressuscitara dentre os mortos; e foi por isso que a multidão lhe saiu ao encontro, por ter ouvido que Ele fizera este sinal” (Jo 12:17,18). Certamente Aquele que tinha poder sobre a própria morte, ao ponto de trazer de volta à vida um morto de quatros dias, só poderia ser o Messias, o Rei.
Aquela era sua última visita a Jerusalém, antes de Sua morte. Duas atitudes opostas contrastam a receptividade dos corações à visitação de Deus na pessoa de Jesus. Por um lado as multidões da entrada triunfal gritam: “Hosanas ao Rei.” Pouco depois as autoridades religiosas gritam: “É réu de morte,” e a turba exige: “Crucifica-o!” Não importa, contudo, o modo como cada um O viu. O fato é que verdadeiramente Jesus é o Rei de Israel e o Rei de todo o Universo, embora se apresentasse de forma humilde. As Escrituras, que não podem mentir, dão o seu veredicto acerca da pessoa bendita do Rei Jesus:
· Diante de todos estava o cumprimento da profecia de Zacarias: o Rei entrando em Jerusalém montado em um jumentinho.
· Quando do nascimento de Jesus os sábios do Oriente O procuraram convictos de que Ele era o Rei prometido por Deus, e indagavam: “Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo” (Mt 2:2).
· Natanael, os dos primeiros seguidores de Jesus, confessou: “Rabi, Tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel” (Jo 1:49).
· Ele é Aquele de quem Isaías falou: “O governo estará sobre os seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Do aumento do Seu governo e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no Seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos exércitos fará isso” (Is 9:6.7).
· Jesus mesmo confessou, diante de Pilatos, que lhe perguntou: “Logo tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (Jo 18:37).
· Esta é parte de Sua identidade. “No manto, sobre a sua coxa tem escrito o nome: Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19:16).
· Ele é o Filho do Homem, visto por Daniel: “Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído” (Dn 7:13,14).
· Chegará o momento em que Ele assumirá Sua posição, quanto será proclamado: “Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Ap 11:15). E o Seu reinado não terá fim.
Naquele dia em Jerusalém, embora fosse reconhecido como Rei, não era o tempo de estabelecer o Reino escatológico visível. O povo, ao aclamá-lo Rei refletia um conceito puramente escatológico, vigente no judaísmo. Como Deus era o Rei de Israel e após a teocracia reinou através de Davi, restauraria a Casa de Davi através de um descendente seu, o Messias. Os profetas anunciaram a vinda de um descendente de Davi que se assentaria em seu trono e um reino terreno seria estabelecido, como é expresso por Isaías, nos capítulos 9 e 11. Mas o povo foi exilado, retornando depois sem ver o cumprimento de um Reino na história. Isso criou o ambiente favorável a surgir a esperança de uma manifestação apocalíptica de Deus. A esperança de um Filho do Homem Divino trazendo um reino transcendental. E agora ali estava Jesus, o cumprimento das profecias, mas não no conceito dos mestres do judaísmo. Esse reino escatológico virá, mas antes Jesus veio para estabelecer o Reino de Deus dentro do coração dos homens e ser o Rei e Senhor pessoal.
Logo após Jesus ser aclamado Rei alguns gregos pediram para ter um encontro com Ele. Sua resposta é curiosa: “É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quiser servir, siga-me; e onde eu estiver, ali estará também o meu servo; se alguém me servir, o Pai o honrará. (Jo 12:23-26).
Embora estivesse além da compreensão dos Seus ouvintes, Jesus estava revelando os próximos passos no Seu programa de reinado. Ele era o Rei, sim. Para isso nascera. Todavia seu plano passava por abrir o caminho para a redenção dos homens, pela Sua própria morte. Ele não viera para reinar sobre pecadores, mas estabelecer um reino de santos transformados pelo Seu poder. Ele é o “grão de trigo,” a semente de Deus que caiu na terra e morreu. Mas, à semelhança do grão, que ao morrer germina e produz muito fruto, Ele ressurgiu e passou a gerar muitos frutos, isto é, filhos de Deus. Em outras palavras, Ele veio ao mundo, primeiro, como Filho unigênito de Deus, na forma de Filho do Homem a fim de tomar o pecado deste com todas as suas conseqüências maléficas e levá-los à cruz a fim de abrir o caminho para que os homens nascessem como filhos de Deus, transformados em sua própria natureza. Na qualidade de filhos de Deus, reconhecem a Jesus como seu único Senhor e Rei. O Reino de Deus é, então, residente dentro deles, porque se submetem ao Seu senhorio.
Hoje cada pessoa é convidada a ter um encontro pessoal com o Rei, aceitando-O como Senhor, Soberano de sua vida. Isto quer dizer que a vontade do Rei, Sua palavra e os valores do Seu Reino serão abraçados por todos aqueles que reconhecem a Cristo como seu Senhor pessoal. Estes serão parte do Reino escatológico que há de vir, quando Jesus assumirá o governo dos reinos deste mundo, destruirá a Satanás e porá fim ao mal. Hoje, portanto, nós os que fizemos de Jesus o Rei de nossas vidas, “segundo a Sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça” (2 Pe 3:13). Hoje e sempre Jesus é e será, acima de tudo, o nosso REI E SENHOR, a quem devemos total lealdade e obediência incondicional.
Valnice Milhomens