JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O SALVADOR CRUCIFICADO (Parte III)

 

 

Jesus não foi a primeira nem a única pessoa a enfrentar a cruz. Aquela era a pior sentença dos Seus dias, por isso lhe foi aplicada. Não conheciam morte mais degradante e de maior sofrimento. Servia à vingança de Satanás, pois ele estava longe de saber que a morte de Jesus representava sua própria sentença e destruição. O nível da dor atroz e agonia eram conseqüência natural:

 

 

Diante do relato da crucificação, tragamos à memória a realidade gloriosa de que nada está fora da onisciência e soberania Divina, como vimos na meditação anterior. Perante nossos olhos se desenrola o que já fora visto pelo profeta Isaías, cerca de 700 anos antes daquele dia, e de forma interpretativa. Convém agora recordar, em reverência e santo temor:

 

“...Não tinha formosura nem beleza; e quando olhávamos para Ele, nenhuma beleza víamos, para que O desejássemos. Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

 

Verdadeiramente Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas Ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de todos nós.

 

Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim Ele não abriu a boca. Pela opressão e pelo juízo foi arrebatado; e quem dentre os da sua geração considerou que Ele fora cortado da terra dos viventes, ferido por causa da transgressão do meu povo? (Is 53:2b-8).

 

O sofrimento provocado pela crucificação naturalmente fez da cruz um símbolo de dor, angústia, vergonha e fardo. Jesus deu-lhe este sentido quando disse: E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mt 10:38).

 

Na literatura Paulina a cruz é usada para a pregação da doutrina da Expiação. Ela ganha um sentido nobre e falar dela é motivo de convicção e gozo.Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus (1Co 1:18).

 

Para Paulo, que conhecia bem o horror que a imagem da cruz causava aos judeus, como símbolo de maldição, e aos romanos como símbolo de degradante derrota, evocava glória. Por isso dizia com contundência: Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6:14).

 

A cruz hoje traz consigo a mensagem da reconciliação do homem com Deus e deste com o homem, porque através da obra da redenção o pecador é convertido em um santo. Porque “havendo por Ele feito a paz pelo sangue da Sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora, contudo, vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, para perante Ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis!” (Cl 1:20-22).

 

A cruz expressa ainda:

 

·         Os laços de unidade entre os judeus, povo da aliança, e gentios que a ela são chamados: Porque aprouve a Deus pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Ef 2:16). ,

·         É o símbolo de uma nova ligação entre crente e Cristo, pela santificação, porque os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5:24).

·         Que o pecado perdeu seu senhorio sobre as nossas vidas, como remidos. “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado” (Rm 6:6).

 

A cruz foi, é e sempre será o centro e circunferência do sermão e da vida dos apóstolos e da Igreja do Senhor Jesus Cristo em todos os tempos. Porque “nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens.(1 Co 1:23-25). Que ao meditar nestas coisas nós possamos experimentar o poder da morte de Cristo, e comunhão dos sofrimentos do nosso Salvador Crucificado!

 

Diante do amor tão grande demonstrado pelo nosso Senhor, é fácil identificar-nos com o sentimento expresso num poema atribuído a Teres de Ávila:

 

Não me move, meu Deus, a querer-Te

o Céu que me tens prometido,

nem me move o inferno tão temido

para deixar por isso de ofender-Te.

 

 

Tu mesmo me moves, Senhor!

Move-me o ver-Te

cravado numa cruz e escarnecido;

move-me ver Teu corpo tão ferido;

move-me Tuas afrontas e Tua morte.

 

 

Move-me enfim, Teu amor,

e de tal maneira

que embora não houvesse céu, eu Te amaria,

e embora não houvesse inferno, Te temeria.

 

 

Não me tens que dar porque Te queira,

pois embora o que espero não esperasse,

o mesmo que Te quero querer-Te-ia.

 

 

 

Valnice Milhomens

 

 

JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O SALVADOR CRUCIFICADO (Parte II)

 

 

O relato que João nos legou da crucificação de Jesus é rico em detalhes. O capítulo dezoito termina com as autoridades religiosas fazendo uma escolha insensata. Pilatos, valendo-se de um costume de soltar um prisioneiro na Páscoa, coloca diante delas Aquele que só fez o bem – Jesus, e aquele que só fez o mal – Barrabás. Era como que dizer: Coloco hoje diante de vós a vida e a morte; a luz e as trevas; o bem e o mal; a justiça e o pecado; Deus e Satanás; o Céu e o inferno. Eles lançaram mão de seu direito de escolha e decidiram por Barrabás, rejeitando a Jesus, o Redentor.

 

Posto isto, o capítulo dezenove começa com Jesus sendo açoitado com os dilacerantes chicotes romanos, coroado com espinhos e ridicularizado pelos soldados (Jo 19:1-3). E é assim, de forma humilhante e ultrajante, que Pilatos apresenta o Rei ao povo, com o corpo transformado em carne viva pelos chicotes cortantes, o sangue inocente escorrendo pelo caminho, um manto de púrpura sobre os ombros, em sinal de zombaria, e ostentando uma coroa de espinhos dos quais o sangue jorra sobre a cabeça e o rosto! E por que não dizer em excruciante dor! Até as pedras se comoveriam ante tamanho sofrimento, e seriam levadas a um ato de misericórdia. Mas aqueles que ministravam diante de Deus no templo e seus soldados, dominados por uma infame sede de morte, reivindicam com fúria Sua destruição, gritando: “Crucifica-O!” (Jo 19:4-8).

 

Segue-se um curto diálogo entre Jesus e Pilatos (Jo 19:9-11). Este está convencido de que Cristo é inocente, mas não tem fibra moral para se impor e tenta mecanismos humanos para livrá-lo. Argumenta com os judeus sobre suas exigências bárbaras, querendo soltá-lo, mas estes se tornam mais inveterados em suas demandas e, vencido pela expressão de ódio do povo, ele entrega o Cordeiro de Deus em suas mãos para ser crucificado (Jo 19:12-16). Jesus, portanto, carregando Sua cruz, é levado ao Calvário, onde é pregado na cruz e morre (Jo 19:17-22)!

 

A CRUCIFIXÃO

 

Como um instrumento de morte, a cruz era detestada pelos judeus, pois era sinal de maldição. "Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro" (Gl 3:13). Portanto, tornou-se uma pedra de tropeço para eles, porque como podia um maldito de Deus ser seu Messias? Nem era a cruz considerada de forma diferente pelos romanos. "Deixa que o próprio nome da cruz fique longe, não só do corpo de um cidadão romano, mas também dos seus pensamentos, seus olhos e seus ouvidos” (Cicero Pro Rabirio 5).

 

O cidadão romano era isento desta forma de morte, sendo considerada a morte de um escravo. O castigo era infligido para crimes como traição, deserção perante o inimigo, roubo, pirataria, assassinato, sedição, etc. Continuou em voga no império romano até os dias de Constantino, quando foi abolido como um insulta ao cristianismo. Entre os romanos a crucificação era precedida por açoites, indubitavelmente para apressar a morte. A vítima, então, levava sua própria cruz, ou pelo menos uma viga, ao lugar de execução. Quando a pessoa era amarrada na cruz nada mais era feito e ela era deixada a morrer de fome. Se fosse pregada à cruz, ao menos na Judéia, uma bebida analgésica era dada para amortecer a agonia. O número de pregos usados parece ter sido indeterminado. Uma tábua, em que os pés descansavam ou em que o corpo parcialmente era apoiado, parece ter sido uma parte da cruz a fim de impedir que as feridas se rasgassem pelos membros traspassados. O sofrimento da morte por crucificação era intenso, especialmente em climas quentes. Inflamação local severa, juntamente com uma hemorragia insignificante das feridas abertas, provocava febre traumática, que era agravada pela exposição ao calor do sol, a distensão do corpo e sede insuportável. O inchaço sobre os pregos ásperos e os tendões e nervos rasgados causavam excruciante agonia. As artérias da cabeça e estômago eram saturadas com sangue e uma impressionante e latejante dor de cabeça se seguia. A mente ficava confusa e cheia de ansiedade, pavor e apreensão.

 

A vítima de crucificação literalmente morria mil mortes. Não era raro vir o tétano com suas rigorosas convulsões que rasgavam mais as ferida e acrescentavam ao peso da dor, até por fim as forças corpóreas serem exauridas e a vítima mergulhar na inconsciência e morte. Os sofrimentos eram tão assustadores que "mesmo em meio às crescentes paixões da guerra, a pena era às vezes despertada" (BJ, V, xi, 1). A duração desta agonia era totalmente determinada pela constituição da vítima, mas a morte raramente ocorria antes de trinta e seis horas. Há registros de exemplos de vítimas da cruz que sobreviveram às suas terríveis feridas quando baixadas da cruz depois de muitas horas de suspensão (Josephus, Vita, 75). A morte às vezes era apressada pela quebra das pernas das vítimas e por um golpe duro nas axilas antes da crucificação.

 

A morte repentina de Cristo evidentemente foi motivo de assombro (Mc 15:44). Os sintomas peculiares mencionados por João (Jo 19:34) parecem apontar para uma rotura do coração, da qual o Salvador Crucificado morreu, independente da cruz em si, ou talvez apressada por sua agonia. Tamanho foi o Seu sofrimento, não apenas físico, mas também moral, emocional e, sobretudo espiritual, que após apenas seis horas na cruz Ele bradou: “Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (Jo 19:30). Lucas dá um detalhe importante: “Jesus, clamando com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou” (Lc 23:46).

 

Não era a morte de um moribundo que, com as forças do corpo exauridas, caíra na inconsciência e finalmente morrera. Não! Suas palavras na cruz apontam para alguém em pleno domínio de suas faculdades e está registrado que até em sua última palavra, imediatamente antes de expirar, “bradou em alta voz.” Gritou bem alto e todos o ouviram. Não era o sussurro dos enfraquecidos, mas o brado dos que ainda estão cheios de vida: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” Em outras palavras: “Pai, chegou a minha hora. Já bebi a última gota do cálice de sofrimento que o pecado da humanidade que eu vim salvar poderia me custar. Agora declaro que ‘está consumado.’ Tudo se cumpriu. Completei a obra. O último sacrifício está sobre o altar. Portanto, por um ato deliberado da minha vontade, me entrego à morte, preço da redenção do homem.”

 

Foi esse tipo de morte, debaixo de tais circunstâncias, que assombrou o centurião, acostumado a ver as lentas mortes em cruzes, e o prostrou em convicção. Lucas relata: “Quando o centurião viu o que acontecera, deu glória a Deus, dizendo: Na verdade, este homem era justo” (Jo 23:47).

 

Muitas vezes quiseram matar a Jesus, mas não puderam. A morte é o salário do pecado e Jesus nunca pecou. Ele só morreria quando se tornasse pecado por nós, para que fôssemos feitos justiça de Deus (2 Co 5:21). Por isso João registra:

 

 

O que Jesus queria dizer? “Estou no controle. A hora de Eu morreu, sou Eu quem determina. Tenho poder para morrer e poder para ressuscitar.” Na Sua última noite na Terra, à mesa com os discípulos, Ele declarou: “É chegada a hora. Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores” (Mc  14:41). Após a ceia, falando de Sua partida, para ilustrar a experiência de sofrimento que começara a viver, disse: “A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo gozo de haver um homem nascido ao mundo” (Jo 16:21).

 

Chegara a Sua hora. Logo, ao fazer Sua oração Sacerdotal, “levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o Filho te glorifique” (Jo 17:1). Como Ele seria glorificado? Pela morte expiatória e posterior ressurreição.

 

Quando os guardas chegaram ao Jardim para O prenderem, Ele declarou: “Todos os dias estava eu convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e o poder das trevas” (Lc 22:53). Por isso entregou-se.

 

Diante do exposto, tenhamos em nosso coração o fato de que os terríveis acontecimentos da crucificação do nosso Salvador eram necessários e apontam apenas para a hediondez do nosso pecado e quanto Ele fere o coração do nosso Deus e Pai. Em vez de censurarmos os judeus, Pilatos, ou os romanos, e nos revoltarmos contra tanta barbárie, prostremo-nos humildes em arrependimento diante dEle, conscientes de que nossa rebelião, nosso pecado, sim, é a causa primeira da cruz. Você e eu estávamos ali crucifiando-O.

 

Diante da gravidade do nosso pecado e o alto preço que Jesus pagou por ele na cruz, como continuar longe de Deus, ferindo Seu coração de Pai? Depois de nos declararmos discípulos de Cristo, como sangrar Seu coração com nosso pecado? A memória do Salvador Crucificado deveria ser bastante para vivermos em santidade, fugindo do pecado e agradando-O através de uma vida de obediência incondicional.

 

(Continua)

 

Valnice Milhomens

 

 

 

JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O SALVADOR CRUCIFICADO (Parte I)

 

 

TEXTO CHAVE: “Tomaram, pois, a Jesus; e Ele, carregando a Sua própria cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, onde O crucificaram, e com Ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio (Jo 19:17,18).

 

 

O capítulo 19 do Evangelho de João, aos olhos do leitor descuidado e do coração não iluminado, tem sabor de tragédia e desesperadora derrota. O Cristo apresentado no primeiro capítulo como o Verbo Divino, o Filho de Deus; que se revela como Filho do Homem no capítulo dois, identificado com as necessidades humanas; que ministra aos homens durante Seu ministério terreno como o Mestre Divino, o ganhador de almas, o Grande Médico, o Pão da Vida, a Água da Vida, a Verdade que Liberta, a Luz do Mundo, o Bom Pastor, o Príncipe da Vida, o Rei, Senhor e Servo, o Caminho para o Pai, a Videira Verdadeira, o Doador do Espírito Santo e o Grande Intercessor, é-nos apresentado no último dia de Seu ministério na Terra como Servo Sofredor de Yahweh, para chegar aqui como O SALVADOR CRUCIFICADO. Parece um paradoxo falar de um crucificado como Salvador. Mas é isto mesmo. Ainda que aui O contemplemos preso a uma cruz, Ele é o Salvador. A cruz na qual Ele está pregado é a exposição vívida de até onde Sua identificação conosco, em nossa queda, O levaria.

 

João se devota a detalhes em relação aos sofrimentos e morte de Cristo, como aquele que nada deseja saber senão a Cristo, e este crucificado, a fim de gloriar-se somente na cruz de Cristo. Com 891 palavras Ele expõe o drama dos acontecimentos que vão dos excruciantes açoites de Jesus, ao momento em que Seu corpo é depositado no sepulcro.

 

Estamos diante do desenrolar de um quadro que, por um lado, causa assombro, indignação, revolta, surpresa e comoção. Por outro, reverência, santo temor, devoção, amor, quebrantamento, rendição, gratidão e adoração.

 

Aos olhos naturais somos expostos à visão de até onde a inveja, a maldade, o ódio gratuito, a selvageria, a insensibilidade, e todas as vis e baixas expressões da natureza humana corrompida pelo pecado podem chegar. O que tudo isso desperta em nós, como bem ilustrado no filme de Mel Gibson sobre a paixão de Cristo, não há como traduzir.

 

Por outro lado, à luz da revelação bíblica, nos misteriosos caminhos do amor de Deus, ainda que incompreensíveis à mente humana, estamos:

 

·       Diante do ante clímax da obra da redenção, o sacrifício, não de animais, mas do Cordeiro de Deus;

·       O Cordeiro está sobre o altar, não do templo, mas da maldita cruz, no Gólgota, diante de todos e sob céus abertos;

·       O sacrifício é oferecido não por sacerdotes, mas pó Si próprio e por Deus, pois ninguém O tocaria, se Ele mesmo não se entregasse.

 

Encontramo-nos diante da oferta pelo nosso próprio pecado, pelo que, ao olhar para este drama, não devemos ver as mãos de Pilatos, dos judeus ou dos romanos infligindo tanta dor, sofrimento e morte ao Filho de Deus, nosso Salvador, mas o nosso pecado, nossa maldade e rebelião. Estamos diante do preço pago pela nossa redenção. O meu e o seu pecado provocaram o que João relata. Dito isto, dada a importância desses acontecimentos, orando por espírito de revelação, leiamos o relato de João, como ele se apresenta, pedindo ao Espírito Santo que grave em nosso ser o quadro real do que tudo isto representa, e que jamais nos esqueçamos do SALVADOR CRUCIFICADO!

 

PILATOS, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou. E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura. E diziam:

Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas.

 Então Pilatos saiu outra vez fora, e disse-lhes:

- Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum.

Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos:

-  Eis aqui o homem.

Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo:

- Crucifica-o, crucifica-o.

Disse-lhes Pilatos:

- Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele.

Responderam-lhe os judeus:

- Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.

E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou. E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus:

- De onde és tu?

Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus:

            - Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.

Desde então Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamavam, dizendo:

- Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César. Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá. E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus:

- Eis aqui o vosso Rei.

Mas eles bradaram:

- Tira, tira, crucifica-o.

Disse-lhes Pilatos:

- Hei de crucificar o vosso Rei?

Responderam os principais dos sacerdotes:

- Não temos rei, senão César.

 

Então, conseqüentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram. E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. E muitos dos judeus leram este título; porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim. Diziam, pois, os principais sacerdotes dos judeus a Pilatos:

- Não escrevas, O Rei dos Judeus, mas que ele disse: Sou o Rei dos Judeus.

Respondeu Pilatos:

- O que escrevi, escrevi.

Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura.  Disseram, pois, uns aos outros:

- Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será.

Para que se cumprisse a Escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, E sobre a minha vestidura lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram estas coisas. E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena. Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe:

- Mulher, eis aí o teu filho.