JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O SALVADOR CRUCIFICADO (Parte III)

 

 

Jesus não foi a primeira nem a única pessoa a enfrentar a cruz. Aquela era a pior sentença dos Seus dias, por isso lhe foi aplicada. Não conheciam morte mais degradante e de maior sofrimento. Servia à vingança de Satanás, pois ele estava longe de saber que a morte de Jesus representava sua própria sentença e destruição. O nível da dor atroz e agonia eram conseqüência natural:

 

 

Diante do relato da crucificação, tragamos à memória a realidade gloriosa de que nada está fora da onisciência e soberania Divina, como vimos na meditação anterior. Perante nossos olhos se desenrola o que já fora visto pelo profeta Isaías, cerca de 700 anos antes daquele dia, e de forma interpretativa. Convém agora recordar, em reverência e santo temor:

 

“...Não tinha formosura nem beleza; e quando olhávamos para Ele, nenhuma beleza víamos, para que O desejássemos. Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

 

Verdadeiramente Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas Ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de todos nós.

 

Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim Ele não abriu a boca. Pela opressão e pelo juízo foi arrebatado; e quem dentre os da sua geração considerou que Ele fora cortado da terra dos viventes, ferido por causa da transgressão do meu povo? (Is 53:2b-8).

 

O sofrimento provocado pela crucificação naturalmente fez da cruz um símbolo de dor, angústia, vergonha e fardo. Jesus deu-lhe este sentido quando disse: E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mt 10:38).

 

Na literatura Paulina a cruz é usada para a pregação da doutrina da Expiação. Ela ganha um sentido nobre e falar dela é motivo de convicção e gozo.Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus (1Co 1:18).

 

Para Paulo, que conhecia bem o horror que a imagem da cruz causava aos judeus, como símbolo de maldição, e aos romanos como símbolo de degradante derrota, evocava glória. Por isso dizia com contundência: Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6:14).

 

A cruz hoje traz consigo a mensagem da reconciliação do homem com Deus e deste com o homem, porque através da obra da redenção o pecador é convertido em um santo. Porque “havendo por Ele feito a paz pelo sangue da Sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora, contudo, vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, para perante Ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis!” (Cl 1:20-22).

 

A cruz expressa ainda:

 

·         Os laços de unidade entre os judeus, povo da aliança, e gentios que a ela são chamados: Porque aprouve a Deus pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Ef 2:16). ,

·         É o símbolo de uma nova ligação entre crente e Cristo, pela santificação, porque os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5:24).

·         Que o pecado perdeu seu senhorio sobre as nossas vidas, como remidos. “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado” (Rm 6:6).

 

A cruz foi, é e sempre será o centro e circunferência do sermão e da vida dos apóstolos e da Igreja do Senhor Jesus Cristo em todos os tempos. Porque “nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens.(1 Co 1:23-25). Que ao meditar nestas coisas nós possamos experimentar o poder da morte de Cristo, e comunhão dos sofrimentos do nosso Salvador Crucificado!

 

Diante do amor tão grande demonstrado pelo nosso Senhor, é fácil identificar-nos com o sentimento expresso num poema atribuído a Teres de Ávila:

 

Não me move, meu Deus, a querer-Te

o Céu que me tens prometido,

nem me move o inferno tão temido

para deixar por isso de ofender-Te.

 

 

Tu mesmo me moves, Senhor!

Move-me o ver-Te

cravado numa cruz e escarnecido;

move-me ver Teu corpo tão ferido;

move-me Tuas afrontas e Tua morte.

 

 

Move-me enfim, Teu amor,

e de tal maneira

que embora não houvesse céu, eu Te amaria,

e embora não houvesse inferno, Te temeria.

 

 

Não me tens que dar porque Te queira,

pois embora o que espero não esperasse,

o mesmo que Te quero querer-Te-ia.

 

 

 

Valnice Milhomens

 

 

JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O SALVADOR CRUCIFICADO (Parte II)

 

 

O relato que João nos legou da crucificação de Jesus é rico em detalhes. O capítulo dezoito termina com as autoridades religiosas fazendo uma escolha insensata. Pilatos, valendo-se de um costume de soltar um prisioneiro na Páscoa, coloca diante delas Aquele que só fez o bem – Jesus, e aquele que só fez o mal – Barrabás. Era como que dizer: Coloco hoje diante de vós a vida e a morte; a luz e as trevas; o bem e o mal; a justiça e o pecado; Deus e Satanás; o Céu e o inferno. Eles lançaram mão de seu direito de escolha e decidiram por Barrabás, rejeitando a Jesus, o Redentor.

 

Posto isto, o capítulo dezenove começa com Jesus sendo açoitado com os dilacerantes chicotes romanos, coroado com espinhos e ridicularizado pelos soldados (Jo 19:1-3). E é assim, de forma humilhante e ultrajante, que Pilatos apresenta o Rei ao povo, com o corpo transformado em carne viva pelos chicotes cortantes, o sangue inocente escorrendo pelo caminho, um manto de púrpura sobre os ombros, em sinal de zombaria, e ostentando uma coroa de espinhos dos quais o sangue jorra sobre a cabeça e o rosto! E por que não dizer em excruciante dor! Até as pedras se comoveriam ante tamanho sofrimento, e seriam levadas a um ato de misericórdia. Mas aqueles que ministravam diante de Deus no templo e seus soldados, dominados por uma infame sede de morte, reivindicam com fúria Sua destruição, gritando: “Crucifica-O!” (Jo 19:4-8).

 

Segue-se um curto diálogo entre Jesus e Pilatos (Jo 19:9-11). Este está convencido de que Cristo é inocente, mas não tem fibra moral para se impor e tenta mecanismos humanos para livrá-lo. Argumenta com os judeus sobre suas exigências bárbaras, querendo soltá-lo, mas estes se tornam mais inveterados em suas demandas e, vencido pela expressão de ódio do povo, ele entrega o Cordeiro de Deus em suas mãos para ser crucificado (Jo 19:12-16). Jesus, portanto, carregando Sua cruz, é levado ao Calvário, onde é pregado na cruz e morre (Jo 19:17-22)!

 

A CRUCIFIXÃO

 

Como um instrumento de morte, a cruz era detestada pelos judeus, pois era sinal de maldição. "Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro" (Gl 3:13). Portanto, tornou-se uma pedra de tropeço para eles, porque como podia um maldito de Deus ser seu Messias? Nem era a cruz considerada de forma diferente pelos romanos. "Deixa que o próprio nome da cruz fique longe, não só do corpo de um cidadão romano, mas também dos seus pensamentos, seus olhos e seus ouvidos” (Cicero Pro Rabirio 5).

 

O cidadão romano era isento desta forma de morte, sendo considerada a morte de um escravo. O castigo era infligido para crimes como traição, deserção perante o inimigo, roubo, pirataria, assassinato, sedição, etc. Continuou em voga no império romano até os dias de Constantino, quando foi abolido como um insulta ao cristianismo. Entre os romanos a crucificação era precedida por açoites, indubitavelmente para apressar a morte. A vítima, então, levava sua própria cruz, ou pelo menos uma viga, ao lugar de execução. Quando a pessoa era amarrada na cruz nada mais era feito e ela era deixada a morrer de fome. Se fosse pregada à cruz, ao menos na Judéia, uma bebida analgésica era dada para amortecer a agonia. O número de pregos usados parece ter sido indeterminado. Uma tábua, em que os pés descansavam ou em que o corpo parcialmente era apoiado, parece ter sido uma parte da cruz a fim de impedir que as feridas se rasgassem pelos membros traspassados. O sofrimento da morte por crucificação era intenso, especialmente em climas quentes. Inflamação local severa, juntamente com uma hemorragia insignificante das feridas abertas, provocava febre traumática, que era agravada pela exposição ao calor do sol, a distensão do corpo e sede insuportável. O inchaço sobre os pregos ásperos e os tendões e nervos rasgados causavam excruciante agonia. As artérias da cabeça e estômago eram saturadas com sangue e uma impressionante e latejante dor de cabeça se seguia. A mente ficava confusa e cheia de ansiedade, pavor e apreensão.

 

A vítima de crucificação literalmente morria mil mortes. Não era raro vir o tétano com suas rigorosas convulsões que rasgavam mais as ferida e acrescentavam ao peso da dor, até por fim as forças corpóreas serem exauridas e a vítima mergulhar na inconsciência e morte. Os sofrimentos eram tão assustadores que "mesmo em meio às crescentes paixões da guerra, a pena era às vezes despertada" (BJ, V, xi, 1). A duração desta agonia era totalmente determinada pela constituição da vítima, mas a morte raramente ocorria antes de trinta e seis horas. Há registros de exemplos de vítimas da cruz que sobreviveram às suas terríveis feridas quando baixadas da cruz depois de muitas horas de suspensão (Josephus, Vita, 75). A morte às vezes era apressada pela quebra das pernas das vítimas e por um golpe duro nas axilas antes da crucificação.

 

A morte repentina de Cristo evidentemente foi motivo de assombro (Mc 15:44). Os sintomas peculiares mencionados por João (Jo 19:34) parecem apontar para uma rotura do coração, da qual o Salvador Crucificado morreu, independente da cruz em si, ou talvez apressada por sua agonia. Tamanho foi o Seu sofrimento, não apenas físico, mas também moral, emocional e, sobretudo espiritual, que após apenas seis horas na cruz Ele bradou: “Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (Jo 19:30). Lucas dá um detalhe importante: “Jesus, clamando com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou” (Lc 23:46).

 

Não era a morte de um moribundo que, com as forças do corpo exauridas, caíra na inconsciência e finalmente morrera. Não! Suas palavras na cruz apontam para alguém em pleno domínio de suas faculdades e está registrado que até em sua última palavra, imediatamente antes de expirar, “bradou em alta voz.” Gritou bem alto e todos o ouviram. Não era o sussurro dos enfraquecidos, mas o brado dos que ainda estão cheios de vida: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” Em outras palavras: “Pai, chegou a minha hora. Já bebi a última gota do cálice de sofrimento que o pecado da humanidade que eu vim salvar poderia me custar. Agora declaro que ‘está consumado.’ Tudo se cumpriu. Completei a obra. O último sacrifício está sobre o altar. Portanto, por um ato deliberado da minha vontade, me entrego à morte, preço da redenção do homem.”

 

Foi esse tipo de morte, debaixo de tais circunstâncias, que assombrou o centurião, acostumado a ver as lentas mortes em cruzes, e o prostrou em convicção. Lucas relata: “Quando o centurião viu o que acontecera, deu glória a Deus, dizendo: Na verdade, este homem era justo” (Jo 23:47).

 

Muitas vezes quiseram matar a Jesus, mas não puderam. A morte é o salário do pecado e Jesus nunca pecou. Ele só morreria quando se tornasse pecado por nós, para que fôssemos feitos justiça de Deus (2 Co 5:21). Por isso João registra:

 

 

O que Jesus queria dizer? “Estou no controle. A hora de Eu morreu, sou Eu quem determina. Tenho poder para morrer e poder para ressuscitar.” Na Sua última noite na Terra, à mesa com os discípulos, Ele declarou: “É chegada a hora. Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores” (Mc  14:41). Após a ceia, falando de Sua partida, para ilustrar a experiência de sofrimento que começara a viver, disse: “A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo gozo de haver um homem nascido ao mundo” (Jo 16:21).

 

Chegara a Sua hora. Logo, ao fazer Sua oração Sacerdotal, “levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o Filho te glorifique” (Jo 17:1). Como Ele seria glorificado? Pela morte expiatória e posterior ressurreição.

 

Quando os guardas chegaram ao Jardim para O prenderem, Ele declarou: “Todos os dias estava eu convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e o poder das trevas” (Lc 22:53). Por isso entregou-se.

 

Diante do exposto, tenhamos em nosso coração o fato de que os terríveis acontecimentos da crucificação do nosso Salvador eram necessários e apontam apenas para a hediondez do nosso pecado e quanto Ele fere o coração do nosso Deus e Pai. Em vez de censurarmos os judeus, Pilatos, ou os romanos, e nos revoltarmos contra tanta barbárie, prostremo-nos humildes em arrependimento diante dEle, conscientes de que nossa rebelião, nosso pecado, sim, é a causa primeira da cruz. Você e eu estávamos ali crucifiando-O.

 

Diante da gravidade do nosso pecado e o alto preço que Jesus pagou por ele na cruz, como continuar longe de Deus, ferindo Seu coração de Pai? Depois de nos declararmos discípulos de Cristo, como sangrar Seu coração com nosso pecado? A memória do Salvador Crucificado deveria ser bastante para vivermos em santidade, fugindo do pecado e agradando-O através de uma vida de obediência incondicional.

 

(Continua)

 

Valnice Milhomens

 

 

 

JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O SALVADOR CRUCIFICADO (Parte I)

 

 

TEXTO CHAVE: “Tomaram, pois, a Jesus; e Ele, carregando a Sua própria cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, onde O crucificaram, e com Ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio (Jo 19:17,18).

 

 

O capítulo 19 do Evangelho de João, aos olhos do leitor descuidado e do coração não iluminado, tem sabor de tragédia e desesperadora derrota. O Cristo apresentado no primeiro capítulo como o Verbo Divino, o Filho de Deus; que se revela como Filho do Homem no capítulo dois, identificado com as necessidades humanas; que ministra aos homens durante Seu ministério terreno como o Mestre Divino, o ganhador de almas, o Grande Médico, o Pão da Vida, a Água da Vida, a Verdade que Liberta, a Luz do Mundo, o Bom Pastor, o Príncipe da Vida, o Rei, Senhor e Servo, o Caminho para o Pai, a Videira Verdadeira, o Doador do Espírito Santo e o Grande Intercessor, é-nos apresentado no último dia de Seu ministério na Terra como Servo Sofredor de Yahweh, para chegar aqui como O SALVADOR CRUCIFICADO. Parece um paradoxo falar de um crucificado como Salvador. Mas é isto mesmo. Ainda que aui O contemplemos preso a uma cruz, Ele é o Salvador. A cruz na qual Ele está pregado é a exposição vívida de até onde Sua identificação conosco, em nossa queda, O levaria.

 

João se devota a detalhes em relação aos sofrimentos e morte de Cristo, como aquele que nada deseja saber senão a Cristo, e este crucificado, a fim de gloriar-se somente na cruz de Cristo. Com 891 palavras Ele expõe o drama dos acontecimentos que vão dos excruciantes açoites de Jesus, ao momento em que Seu corpo é depositado no sepulcro.

 

Estamos diante do desenrolar de um quadro que, por um lado, causa assombro, indignação, revolta, surpresa e comoção. Por outro, reverência, santo temor, devoção, amor, quebrantamento, rendição, gratidão e adoração.

 

Aos olhos naturais somos expostos à visão de até onde a inveja, a maldade, o ódio gratuito, a selvageria, a insensibilidade, e todas as vis e baixas expressões da natureza humana corrompida pelo pecado podem chegar. O que tudo isso desperta em nós, como bem ilustrado no filme de Mel Gibson sobre a paixão de Cristo, não há como traduzir.

 

Por outro lado, à luz da revelação bíblica, nos misteriosos caminhos do amor de Deus, ainda que incompreensíveis à mente humana, estamos:

 

·       Diante do ante clímax da obra da redenção, o sacrifício, não de animais, mas do Cordeiro de Deus;

·       O Cordeiro está sobre o altar, não do templo, mas da maldita cruz, no Gólgota, diante de todos e sob céus abertos;

·       O sacrifício é oferecido não por sacerdotes, mas pó Si próprio e por Deus, pois ninguém O tocaria, se Ele mesmo não se entregasse.

 

Encontramo-nos diante da oferta pelo nosso próprio pecado, pelo que, ao olhar para este drama, não devemos ver as mãos de Pilatos, dos judeus ou dos romanos infligindo tanta dor, sofrimento e morte ao Filho de Deus, nosso Salvador, mas o nosso pecado, nossa maldade e rebelião. Estamos diante do preço pago pela nossa redenção. O meu e o seu pecado provocaram o que João relata. Dito isto, dada a importância desses acontecimentos, orando por espírito de revelação, leiamos o relato de João, como ele se apresenta, pedindo ao Espírito Santo que grave em nosso ser o quadro real do que tudo isto representa, e que jamais nos esqueçamos do SALVADOR CRUCIFICADO!

 

PILATOS, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou. E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura. E diziam:

Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas.

 Então Pilatos saiu outra vez fora, e disse-lhes:

- Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum.

Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos:

-  Eis aqui o homem.

Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo:

- Crucifica-o, crucifica-o.

Disse-lhes Pilatos:

- Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele.

Responderam-lhe os judeus:

- Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.

E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou. E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus:

- De onde és tu?

Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus:

            - Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.

Desde então Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamavam, dizendo:

- Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César. Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá. E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus:

- Eis aqui o vosso Rei.

Mas eles bradaram:

- Tira, tira, crucifica-o.

Disse-lhes Pilatos:

- Hei de crucificar o vosso Rei?

Responderam os principais dos sacerdotes:

- Não temos rei, senão César.

 

Então, conseqüentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram. E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. E muitos dos judeus leram este título; porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim. Diziam, pois, os principais sacerdotes dos judeus a Pilatos:

- Não escrevas, O Rei dos Judeus, mas que ele disse: Sou o Rei dos Judeus.

Respondeu Pilatos:

- O que escrevi, escrevi.

Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura.  Disseram, pois, uns aos outros:

- Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será.

Para que se cumprisse a Escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, E sobre a minha vestidura lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram estas coisas. E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena. Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe:

- Mulher, eis aí o teu filho.

Depois disse ao discípulo:

- Eis aí tua mãe.

E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse:

- Tenho sede.

Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja, e, pondo-a num hissope, lha chegaram à boca. e, quando Jesus tomou o vinagre, disse:

- Está consumado.

E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. Foram, pois, os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que como ele fora crucificado; Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.

E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais. Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado. E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram.

Depois disto, José de Arimatéia (o que era discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus) rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu. Então foi e tirou o corpo de Jesus. E foi também Nicodemos (aquele que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), levando quase cem arráteis de um composto de mirra e aloés. Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer, na preparação para o sepulcro. E havia um horto naquele lugar onde fora crucificado, e no horto um sepulcro novo, em que ainda ninguém havia sido posto. Ali, pois (por causa da preparação dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro), puseram a Jesus.

 

Bendito Salvador Crucificado, quem Te pode compreender? Quem medirá o Teu amor, misericórdia e graça? Que poderei dar-Te? Tudo que tenho e sou procede de Ti e volta para Ti. Dei-Te minha vida, meu amor, meu tudo. Em Ti, por Ti e para Ti sempre viverei, em amor, gratidão, devoção e adoração! Meu glorioso Salvador Crucificado, és meu Senhor e meu Deus!

 

 

Valnice Milhomens

 

 

 

JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O SERVO SOFREDOR DE YHWH

 

 

João registrou muito pouco da história de Jesus. Ele se debruçou mais sobre os Seus ensinos e discursos. Mas agora que o tempo de Jesus entregar Sua vida pela morte se aproxima ele é muito particular em relacionar as circunstâncias dos seus sofrimentos, algumas das quais foram omitidas pelos demais evangelistas, especialmente Suas declarações. Este capítulo relata:

 

·        Como Cristo foi detido no jardim e se rendeu como um prisioneiro (Jo 18:1-12).

·        Como foi abusado na corte do sumo sacerdote e no ínterim foi negado Pedro (Jo 18:13-27).

·        Como foi julgado diante de Pilatos, examinado por ele, e submetido ao voto do favor do povo, juntamente com Barrabás, tendo perdido para este, que foi solto e Ele condenado à morte (Jo 18:28-40).

 

Enquanto Judas negociava com as autoridades religiosas a entrega de Jesus, Este “saiu com Seus discípulos para o outro lado do ribeiro de Cedrom, onde havia um jardim, e com eles ali entrou” (Jo 18:1). Ele sabia que estava indo ao encontro do altar do sacrifício. Portanto, quando Judas e os que o acompanhavam chegam para prendê-lo, Ele assume uma atitude de nobreza. “Sabendo, tudo o que lhe havia de suceder, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais?” (Jo 18:4). Quando o povo quis coroá-lo Rei à força, Ele se retirou (Jo 6:15), mas quando agora vêm para impor-lhe à força uma cruz, Ele se oferece e se deixa prender.

 

Jesus viera ao mundo como o Servo Sofredor de Yahweh para sofrer. Isaías descreve sua visão dEle nestes termos: “Ele era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum” (Is 53:3). Todavia, se viera ao mundo para sofrer, voltaria depois para o outro mundo a fim de reinar. Na ocasião, mostra simplesmente o que Ele poderia fazer, quando os derruba ao som de Sua majestosa voz: “Sou Eu” (Jo 18:6). Poderia fulminá-los ali mesmo, mas não o faria. Ninguém o forçou ao sacrifício. Era chegada a Sua hora. Voluntariamente se oferece, porque aquele era o caminho para destruir o que está na origem de todos os sofrimentos humanos. Seu próprio sofrimento se transformaria no instrumento de libertação dos sofrimentos gerados pelo pecado.

 

Jesus entrou num jardim (18:1). Somente o evangelista João destacou esta circunstância, que os sofrimentos de Cristo começaram num jardim. Um dia Satanás entrou no jardim do Éden e, com ele o pecado. A queda aconteceu no jardim. Ali a trajetória do pecado começou; ali a maldição foi pronunciada; ali o Redentor foi prometido. Agora, em um jardim começaram os sofrimentos de Cristo, por causa do pecado iniciado no primeiro jardim. No jardim Jesus agonizou ao sangue; ali Ele se rendeu inteiramente à vontade do Pai para beber até à última gota o cálice dos sofrimentos que a nossa redenção exigia. Num jardim Ele foi sepultado e ali ressurgiu dentre os mortos, rompendo os grilhões da morte e vencendo para sempre.

 

Naquela noite Jesus passou por uma série de sofrimentos. Geralmente se pensa no sofrimento físico que as chicotadas e morte de cruz infligiram a Jesus. Todavia os acontecimentos falam de uma série de sofrimentos que Ele experimentou:

 

·       O sofrimento que só o pensamento do que teria de enfrentar despertava em Sua alma. Depois de cear com Seus discípulos, simbolicamente Ele tomara como Seu o pecado e suas conseqüências e saíra para pagar a dívida contraída pelo pecado da raça humana. Por isso começou a entristecer-se e a angustiar-se muito. Então confessou aos Seus discípulos: A minha alma está cheia de tristeza até a morte (Jo 18:38).

·       O sofrimento enfrentado enquanto orava ao Pai, buscando um caminho de escape. A idéia de tornar-se pecado e enfrentar os terrores da morte, com todas as suas conseqüências, era apavorante. Pelo que “prostrou-se sobre o Seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como Tu queres” (Mt 26:39). “E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão” (Lc 22:44), tamanha era a intensidade do sofrimento emocional e espiritual.

·       O sofrimento da traição. Um dos doze, O traiu vergonhosamente, vendendo-O pelo preço de um escravo, cumprindo-se o que diz a palavra profética citada por Jesus poucas horas antes: Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar (Sl 41:9). Logo após a bela oração sacerdotal pelos discípulos, eis que um deles, Judas Iscariotes, que se ausentara da Ceia, lidera “os oficiais dos principais sacerdotes e fariseus,” que chegam “com lanternas, archotes e armas” (Jo 18:3) para prenderem a Jesus na calada da noite, longe das multidões que O aclamavam Rei. Pode-se medir a dor da traição de um discípulo de confiança que era o tesoureiro do grupo e provou de perto o amor do Mestre? As feridas mais profundas em nossa alma são feitas pelos que nos são mais próximos e mais amados. A primeira dor da traição parte de um dos Doze.

·       O sofrimento de ter as mãos abençoadoras amarradas por mãos de seres humanos que tiveram sua origem nEle como Criador de todas as coisas. “Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram” (Jo 18:12). A partir de então Suas mãos foram paralisadas, primeiro, pelas algemas; depois pela cruz que passou a carregar e, finalmente, pelos cravos que O pregaram à cruz até ao último suspiro. Qual o Seu crime? Como ungido de Deus com o Espírito Santo e com poder; Ele “andou por toda a parte fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele” (At 10:38). Ele só fez o bem!

·       Jesus vive o sofrimentos da negação de um dos discípulos mais próximos, Pedro, o porta voz do grupo e que jurara fidelidade até à morte. A dor de vê-lo envergonhar-se dEle de forma ultrajante, e isto no momento em que é injuriado perante a corte. Pedro O nega três vezes. Cada uma delas é o repisar da ferida e sofrimento que a negação de um amigo pode provocar.

ü  Diante da porteira: “Então a porteira disse a Pedro: Não és tu também dos discípulos deste homem? Disse ele: Não sou.” (Jo 18:17). Enquanto Jesus é interrogado diante do tribunal, Pedro aquenta-se junto ao fogo com os servos e servidores do Sumo Sacerdote (Jo 18:18).

ü  Os companheiros de fogueira “disseram-lhe, pois: Não és também tu um dos seus discípulos? Ele negou, e disse: Não sou” (Jo 18:25).

ü  “E um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse: Não te vi eu no horto com ele? E Pedro negou outra vez” (Jo 18:26,27).

·        Jesus sofre a dor de ser rejeitado pelo povo a quem fora enviado. “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1:11). A própria classe sacerdotal o condena, taxa-o diante de Pilatos de malfeitor e pede a Sua morte (Jo 18:30). Pilatos mesmo testifica: “A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?”

·        Jesus sofre a dor de ser trocado por um assaltante assassino quando Pilatos deseja soltá-lo. Este pergunta: “Quereis, pois, que vos solte o Rei dos Judeus? Então todos tornaram a clamar, dizendo: Este não, mas Barrabás. E Barrabás era um salteador” (Jo 18:39,40). Ele que viera por amor, que curara os enfermos, expulsara os demônios, ressuscitara mortos e anunciara o Reino de Deus, fazendo todo tipo de bem, agora é trocada por um malfeitor e assassino. Se a noite começa com a traição de um discípulo, termina com a traição de todo um povo, a nação da aliança, das promessas, da revelação, Seu próprio povo.

 

Certamente Jesus anteviu esse tipo de sofrimento da rejeição quando chorou sobre Jerusalém, dizendo: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste?” (Lc 13:34). Jesus sofria não apenas por ser rejeitado, mas por saber os sofrimentos do Seu povo por causa de tal rejeição: “E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados, e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação” (Lc 19:42-44).

 

Jesus continua hoje a sofrer diante de cada rejeição de nossa parte. Porque nos ama e sabe as terríveis conseqüências da rejeição de Seu amor e graça, Ele sofre por nós. Que nobreza de caráter! Que graça! Que amor! Que misericórdia! Que exemplo de sofrimento voluntário, do sacrifício de Si mesmo a fim de garantir aos homens rebeldes, ingratos e maus o caminho da reconciliação com Deus e o retorno ao plano original de ter o homem vivendo no estado de santidade, em eterna comunhão de amor com Ele.

 

Bendito Servo Sofredor, não há nada que não se possa renunciar por Ti. A vida inteira no altar gastando-nos por Ti, para Teu louvor e glória seria nada diante da imensidão do Teu amor que nos fez eternamente Teus.

 

 

Valnice Milhomens

 

 

JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O SERVO SOFREDOR DE YHWH (Parte I)

 

 

TEXTO CHAVE: “Perguntou-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (Jo 18:37).

 

 

O capítulo 18 do Evangelho de João aborda os primeiros sofrimentos de Jesus em Seu caminho para a morte. Todavia aquele era apenas o clímax de uma estrada de sofrimento no qual ela entrara desde que Seu amor por nós O levou a escolher o caminho da identificação, tão belamente descrito por Paulo: “O qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a Si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a Si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2:6-8).

 

“Esvaziou-se” (heauton ekenōsem, no grego). A palavra kenoō quer dizer literalmente, “esvaziar, fazer vazio, tornar vão ou sem efeito." É aplicado a uma experiência na qual alguém coloca de lado seu posto e dignidade, e se torna em relação a ele como nada; isto é, ele assume um posto mais humilde. O sentido geral é que Jesus se despiu desse modo peculiar de existência que era adequado a Ele como um com Deus. Colocou de lado a forma de Deus, embora não haja renunciado Sua natureza divina. A mudança era de estado: da forma de Deus para a forma de servo. Sua personalidade continuou a mesma. Seu auto-esvaziamento não era auto-extinção, nem era o Ser divino se convertendo em mero homem. Certamente seria impossível despir-se de Suas perfeições. Ele não podia cessar de ser onipotente, onipresente, santíssimo, verdadeiro e bom. Mas é concebível que, por um tempo, o da Sua existência como homem na terra, Ele tenha renunciado os símbolos ou manifestação da Sua glória. Ou ainda que as expressões exteriores de Sua majestade no Céu tenham sido deixadas de lado. Mas fique claro, de passagem, que Seu esvaziamento não implica em mudança da glória essencial das perfeições divinas. O que queremos de fato destacar é que esse processo de auto-esvaziamento certamente foi indizivelmente doloroso e implicou em muito sofrimento. O momento descrito no capítulo que é nosso foco, é apenas o princípio do clímax dos sofrimentos a que Seu “esvaziamento” O conduziu.

 

Esse esvaziamento (ekenōsem) assemelhou-se a uma descida de degraus, que vale a pena recordar a fim de melhor entender o caráter do Messias sofredor, o Servo Sofredor descrito pelo profeta Isaías (Is 53):

 

·        Renúncia das manifestações exteriores da Divindade.

·        Encarnação, entrando no processo de ser concebido num útero materno e seguir todo o processo da formação, nascimento e crescimento de um ser humano.

·        Apresentação ao mundo na “forma de um servo.” Embora sendo Senhor, Jesus ocupou uma condição inferior na vida terrena e dispôs-se a agir como um servo: “Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve” (Lc 22:27). 

·        Assumiu a “forma de homem.” Tomou sobre Si todos os atributos de um homem e, para viver na Terra, lançou mão somente de tais atributos extremamente limitados em relação aos que Ele possuía como Deus e renunciara por um pouco. 

·        “Humilhou se.” Ele não apenas apareceu como um homem, mas como tal, humilhou-se. A humilhação era uma característica constante dele como homem. Ele não aspirou honrarias, não buscou grandezas e pompa, não exigiu ser servido, mas submeteu-se às condições mais baixas de vida. Ele disse certa vez: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça (Mt 8:20).

·        Tornou-se obediente. O Senhor se coloca numa condição de obediência. Obedecer a lei dada aos homens implicava em humilhação voluntária. E a grandeza da Sua humilhação foi mostrada por Se tornar inteiramente obediente, até à últimas conseqüências. “Tornou-se obediente.” Submeteu se à lei de Deus, e totalmente a obedeceu (Heb 10:7; Hb 10:9).

·        Entregou-se à morte, que era o salário do pecado dos homens em sua rebeldia. Ele entrou, como homem e servo, no caminho da obediência, mesmo quando esta culminaria com a temida e infame morte. E isto, consciente e voluntariamente. Ele Se colocou na condição de um servo de Deus entre os homens, para fazer a vontade do Pai, sem nunca dela se desviar, mesmo sabendo tudo que envolvia essa condição.

·        Mesmo a morte da cruz. Não uma morte qualquer, como a do que tomba em glória num campo de batalha em defesa do seu povo. Mas a demorada, massacrante, dolorosa, cruel, sádica e humilhante morte de cruz inventada pelos romanos em seu requinte de crueldade para alquebrar o moral dos seus algozes. Há morte considerada gloriosa, mas a que estava destinada ao Messias sofredor era a mais cheia de ignomínia e terrível vergonha moral; a de mais degradante caráter; a da mais elevada tortura que o humano talento pecaminoso pode inventar. Tudo isso revela o nível do sofrimento a que Ele se prontificou suportar.

 

É chegada a hora em que o Redentor, que seria tornado perfeito pelos sofrimentos, deveria enfrentar a fúria do inimigo. E o capítulo 18 de João nos apresenta o Autor da nossa salvação indo com dignidade, coragem, determinação e até uma misteriosa satisfação, ao encontro desta hora de trevas, porque sabia que ao fim de tudo, depois de beber a última gota de sofrimento que nosso pecado infame Lhe causaria, Ele veria o fruto do penoso trabalho de Sua alma: Nossa própria redenção! Ó que amor glorioso, quem Te pode compreender? Ó irresistível amor que nos venceu para sempre!

 

(Continua)

 

 

Valnice Milhomens

 

 

 

 

JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O GRANDE INTERCESSOR (Parte IV)

 

 

TEXTO CHAVE: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17:24).

 

É algo impactante prostrar-se aos pés de Jesus e ouvir Sua oração em João 17 com a consciência de que somos alvo da sua Intercessão, como se estivéssemos presentes no momento em que Ele orou. A realidade é que, mesmo distantes daquele dia quase dois mil anos, fomos incluídos em Sua oração. Portanto há um convite a abrirmos o coração a fim de cooperar para que cada uma de Suas petições encontre resposta em nossa vida:

 

·        Que o Pai nos preserve de todo o mal deste mundo, guardando-nos incontaminados;

·        Que sejamos santificados na verdade da Palavra de Deus, andando sempre em santidade e conscientes de que somos separados do mundo para o uso exclusivo de Deus;

·        Que encontremos o caminho da verdadeira unidade com o Pai e o Filho e andemos unidos com os irmãos, como um só Corpo que expressa a unidade do Pai no Filho e destes conosco.

 

Depois de orar por preservação, santificação e unidade, Jesus faz de Sua presença e Sua glória compartilhada com os discípulos o foco de Sua oração: Pai, aqueles que me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque Tu me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17:24). E com que determinação e poder Jesus se expressa: “Pai, quero.” A despeito de ter vindo como servo, Ele é Rei e Sacerdote que intercede junto ao Trono expressando Seu desejo irrecusável: Que aqueles que Seu amou comprou permaneçam em Sua companhia, na terra e no Céu.

 

COMPANHIA e COMUNHÃO

 

Jesus viera “buscar e salvar o perdido.” Dispusera-se a dar a própria vida em sacrifício para libertar-nos da condenação do pecado e nos transformar em filhos do Deus vivo. Tudo por amor. Quem ama quer a companhia do ser amado. Sua presença é mais importante do qualquer coisa. Ele vivera com os discípulos na Terra, mas Seu propósito era resgatá-los para sempre. Estar com eles eternamente, tendo tudo em comum. A idéia de um Deus que busca a criação para comungar com Ele e determina compartilhar Sua morada e tudo quanto é e tem, é impressionante e extraordinário. Mas é exatamente isso que está por trás das palavras de Jesus: “Quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo”. Primariamente Jesus fala do Céu para onde Ele voltaria em pouco tempo.

 

Qual o real significado de ir para o Céu, morada permanente de Jesus? Em que consiste essa felicidade pela qual Jesus intercede a nosso favor? Pelo menos três coisas:

 

·        É estar onde Cristo está: “Onde estou.” No paraíso, no terceiro céu, para onde Ele foi após a morte. O mundo é apenas o lugar da nossa peregrinação. Estamos de passagem, mas nosso destino é o Céu, onde Jesus está. Este é o sentido da Sua encarnação. Ele veio habitar na morada do homem, a Terra, a fim de abrir o caminho para que aquele que nEle crê possa habitar em Sua morada, o Céu.

·         É estar com Cristo onde Ele está. Não se trata da mera alegria de estar no lugar onde Jesus está, mas a gloriosa felicidade de estar com Ele. A plenitude da alegria do lugar reside em Sua presença. Estar com Cristo, em Sua companhia, isto é que é Céu, como diz o velho hino:

Bem pouco importa eu morar

Numa choupana ou a à beira mar;

Em casa ou gruta, boa ou ruim,

Com Cristo aí é Céu prá mim!

Estar com Cristo é o anseio mais profundo do nosso ser. Não apenas no Céu, mas começando aqui, pois a partir do momento em que alguém nasce de novo o Céu passa a viver em seu coração, porque Jesus habita em nós na pessoa bendita do Espírito Santo.

·         É contemplar Sua glória; glória que o Pai Lhe deu. Quando Jesus pede ao Pai para que os discípulos vejam a glória que Lhe foi dada e que tinha com o Pai “antes que o mundo existisse” (Jo 17:5), não se trata apenas de vê-la, admirá-la, mas compartilhar dela, conforme tão claramente Ele expressa no versículo 22: “E eu lhes dei a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.” Que glória? A expressão de tudo o que Ele é e tem.

 

Que petição: “Quero que vejam minha glória!” A glória do esplendor do Céu que move os seres angelicais a cobrir seus rostos. O Cordeiro é a própria luz da Nova Jerusalém (Ap 21:23). Cristo virá na glória do Seu Pai. O gozo dos santos é grandemente motivado pela contemplação de Sua glória, pois o verão como Ele é, em toda a Sua beleza e ofuscante esplendor. E esta será uma visão assimilada, pois seremos transformados em Sua própria imagem num sempre crescente esplendor, de um degrau de glória a outro (2 Co 3:18).

 

O argumento de Jesus para respaldar Sua petição ao Pai é que o Pai o tem amado. O amor do Pai ao Filho, deste ao Pai, e o amor destes aos discípulos é a base para que aqueles que O conheceram estejam sempre onde Ele estiver e em comunhão com Ele, compartilhando e contemplando a Sua glória.

 

A conclusão da oração, destinada a reforçar todas as petições pelos discípulos, especialmente a última, é belamente expressa: “Pai justo, o mundo não Te conheceu; mas eu Te conheci, e estes conheceram que Tu me enviaste a mim” (Jo 17:25). Na base desse conhecimento eles podem permanecer em Sua companhia no Céu e em eterna comunhão.

 

Quando Jesus intercede pela santificação dos discípulos Ele se dirige ao Pai como “Pai santo.” Aqui, pedindo para que eles permanecer em Sua companhia, Ele diz: “Pai justo,” pois será uma coroa de justiça que o justo Juiz nos dará, para que vivamos sempre com Ele.

 

Jesus ainda argumenta na base da consideração que Ele tem pelos discípulos: “E Eu lhes fiz conhecer o Teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e Eu neles esteja” (Jo 17:25,26). Que maravilha! O que Ele fez com eles? Revelou o Pai! Ontem, hoje e sempre o conhecimento do Pai é favor de Jesus. Antes que Ele nos recomende ao Pai Ele nos introduz no Seu conhecimento. E não somente nos primeiros passos, Ele continuará a nos revelar o Pai agora e na eternidade.

 

Qual o propósito de Jesus com toda esta oração? Para assegurar, sobretudo, duas coisas:

 

·        A comunhão com Deus. “Pai, Eu revelei Teu nome a eles, guiei-os no conhecimento de Te mesmo para que o Teu amor com que me tens amado esteja neles.” Este amor é e sempre será a base da nossa comunhão com o Pai e Seu filho Jesus Cristo.

·        União com Cristo. “E Eu neles esteja.” A oração de Jesus nos garante que Jesus está em nós e nós estamos nEle, numa união espiritual permanente. Somos parte dEle e Ele é a nosso própria vida.

 

O nosso coração só pode rebentar em expressões do mais terno amor e mais profunda gratidão, em santa e apaixonada adoração a Cristo, nosso GRANDE INTERCESSOR, oferecendo-lhe uma vida sob a proteção do Pai, andando no caminho da santificação, em unidade com o Seu Corpo, vivendo aqui e agora em Sua companhia, em Sua doce presença, numa indissolúvel comunhão de Amor.

 

 

Valnice Milhomens

 

 

JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O GRANDE INTERCESSOR (Parte III)

 

 

TEXTO CHAVE: Para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, o és em mim, e Eu em Ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste.” (Jo 17:21).

 

Nosso grande Intercessor Jesus devotou-se a pleitear junto ao Pai nossa preservação e nossa santificação, como vimos nas duas meditações anteriores. Ele não somente fez uma petição, como também apresentou Suas razões pala fazê-lo. Aqui está um grande exemplo de intercessão. No pedido por preservação, Ele lidou com os perigos externos. Na súplica por santificação, Ele debruçou-se sobre a condição interna, do coração. Tendo orado por pureza, Ele passa a orar pela UNIDADE, de forma mais extensa. Aqui Seu foco são os relacionamentos.

 

UNIDADE

 

Jesus deu ao Pai um forte motivo para Sua petição: “Pai santo, guarda em Teu nome aqueles que me deste” (Jo 17:11). Ele tinha o sonho de ver por terra todas as cadeias que os separavam a fim de formarem um corpo harmônico. O resultado, portanto, da proteção do Pai seria “para que sejam um, assim como nós.” Por mais três vezes em Sua oração sacerdotal Ele usa a expressão “sejam um” (v. 21,22). Que possam ser unidos como irmãos. Os cristãos são todos redimidos pelo mesmo sangue do Cordeiro e são herdeiros do mesmo destino, o Céu. Têm as mesmas aspirações, os mesmos inimigos, as mesmas alegrias, a mesma Palavra de Deus e o mesmo Espírito. Precisam interiorizar o fato de pertencerem à mesma família, e são filhos do mesmo Deus e Pai.

 

Haverá laços mais ternos e profundos do que estes que nos unem no Evangelho de Jesus Cristo? Não. Encontraremos em outro lugar amizades tão puras e duradouras quanto as que resultam de termos a mesma ligação com o Senhor Jesus? Certamente não. Portanto, os cristãos no Novo Testamento são representados como estando indissoluvelmente unidos. São parte do mesmo corpo e membros da mesma família (At 4:32-35; Rm 12:5). É na base da realidade imutável dessa união, que somos chamados a amar-nos uns aos outros, suportar-nos, andar em paz e buscar a edificação mútua (Rm 12:5-16), “até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4:3).

 

“Para que eles sejam perfeitos em unidade” (Jo 17:23. As orações de Jesus pela unidade dos discípulos incluem três coisas:

 

·        Que todos os filhos de Deus fossem incorporados em um só corpo (Jo 11:52. Ef 1:10). "Pai, contempla-os como um, incorporados em uma igreja. Embora vivam em lugares distantes, de uma a outra extremidade do céu e da terra, sejam de idades variadas, desde o princípio aos fins dos tempos, e sem terem qualquer conhecimento pessoal ou contato um com o outro, ainda assim, que eles sejam unidos em Mim, como cabeça comum a todos".

·        Que todos possam ser animados por um mesmo Espírito. “Que também eles sejam um em nós” (17:21). Esta união dos discípulos com o Pai e o Filho seria possível somente pelo Espírito Santo, o Consolador que Ele enviaria. Pois “aquele que se une ao Senhor é um só espírito com Ele” (1Co 6:17). Que recebam todos o mesmo selo da união com o Espírito.

·        Que todos estejam “unidos em amor” (Cl 2:2) ligados pelos indissolúveis vínculos do amor, sejam todos de um mesmo coração. “Para que todos sejam um”, no julgar e no sentir; nas disposições e inclinações do coração; em seus propósitos e alvos; em seus desejos e orações; em seu amor e afeto. Jesus aqui está orando pela comunhão dos santos que professamos crer. A comunhão que todos os crentes têm com Deus, e sua união íntima com todos os santos no céu e na terra, conforme declara João: “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo 1:3).

 

Quais os argumentos de Jesus nesta petição? Principalmente três: (1) A unidade entre o Pai e o Filho, a qual é menciona repetidamente (Jo 17:11,21-23). (2) O projeto de Cristo em todas as Suas comunicações de graça a eles. “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” (Jo 17:22). Ele se dispôs a comunicar ou transmitir aos discípulos Sua própria glória. (3) A influência feliz que sua unidade teria sobre outros, e o avanço que ela traria à causa da pregação de Cristo. Ele insiste no ponto duas vezes: “Que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste” (Jo 17:21). “Eu neles, e Tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que Tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a Mim” (Jo 17:23).

 

Está estabelecido que o Pai e o Filho são um em natureza e essência, iguais em poder e glória, um em amor mútuo. O Pai ama o Filho, e o Filho sempre agrada ao Pai. Têm um só projeto, e são um em operação. A expressãoTu em mim, e Eu em Ti” (17:21), usada várias vezes, fala da intimidade dessa, que deve ser o padrão para os discípulos. Os crentes devem ser um na mesma medida em que Cristo e o Pai são um. É por esse nível de unidade que Cristo está intercedendo; isto quer dizer que:

 

·        A união dos crentes é estrita e próxima. Eles são unidos pela natureza Divina, da qual são feitos participantes e pelo poder da graça Divina.

·        É uma união santa, no Espírito Santo, para fins santos.

·        É, e por fim será, uma união completa. O Pai e o Filho têm os mesmos atributos e perfeições; assim os crentes, uma vez que são santificados, o têm agora, e quando a graça for aperfeiçoada em glória todos serão transformados na mesma imagem.

 

Essas palavras, “Eu neles, e Tu em Mim”, mostram o que essa união é, a qual é tão necessária, não só para o embelezamento da Igreja, mas para seu próprio ser, sua essência.

 

·        Primeiro, união com Cristo: “Eu neles.” Cristo morando nos corações dos crentes é a essência do novo homem criado nEle.

·        Segundo, a união com Deus por meio dEle: “Tu em Mim,” ou seja, estar neles, por Mim.

·        Terceiro, a união um com o outro, “para que eles sejam perfeitos em unidade” (Jo 17:23). Aleluia! NELE SOMOSCOMPLETOS!

 

Que preço se deveria pagar por essa unidade pela qual Jesus orou? Que esforço se deveria empregar para cooperar com Deus em Sua resposta à oração do Seu Filho? Conscientizar-se do impacto que esse nível de unidade terá para a evangelização do mundo deveria ser o bastante para o nosso empenho em construir entre nós tão desejável atitude. Ouçamos novamente as palavras sublimes saídas dos lábios do nosso Redentor, em intercessão ao Pai por nós:

 

“Que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste” (Jo 17:21). Que o mundo possa crer... Que o mundo, tão pleno de animosidades, intrigas e lutas, possa ver o poder do princípio cristão em superar as fontes de contenda e produzir o verdadeiro amor. Que possam concluir que somente uma fé que tem sua origem em Deus mesmo pode produzir isto. Os cristãos da igreja primitiva foram tão envolvidos nessa qualidade de amor que os tornava um, que os pagãos eram constrangidos a, em admiração, exclamar: “Vejam como esses cristãos se amam!" Seja assim entre nós hoje, e o mundo tão carente de amor e graça, correrá para os braços de Cristo.

 

 

Valnice Milhomens