JESUS, FONTE DE TODA A BÊNÇÃO, É O SALVADOR CRUCIFICADO (Parte III)

 

 

Jesus não foi a primeira nem a única pessoa a enfrentar a cruz. Aquela era a pior sentença dos Seus dias, por isso lhe foi aplicada. Não conheciam morte mais degradante e de maior sofrimento. Servia à vingança de Satanás, pois ele estava longe de saber que a morte de Jesus representava sua própria sentença e destruição. O nível da dor atroz e agonia eram conseqüência natural:

 

·        Da posição do corpo no madeiro, aumentando a dor ao menor movimento;

·        Dos pregos que atravessavam as mãos e pés, cheios de nervos e tendões, áreas extremamente sensíveis, cujos ferimentos provocam dores insuportáveis;

·        Do prolongado tempo na cruz, uma vez que nenhuma parte vital era diretamente ferida;

·        Das feridas tão longamente expostas, provocando uma inflamação aguda e gangrena;

·        Dos membros distendidos, causando mais sangue fluindo pelas artérias do que pode ser levado de volta às veias;

·        Da prolongada, ardente e angústia sede.

 

Diante do relato da crucificação, tragamos à memória a realidade gloriosa de que nada está fora da onisciência e soberania Divina, como vimos na meditação anterior. Perante nossos olhos se desenrola o que já fora visto pelo profeta Isaías, cerca de 700 anos antes daquele dia, e de forma interpretativa. Convém agora recordar, em reverência e santo temor:

 

“...Não tinha formosura nem beleza; e quando olhávamos para Ele, nenhuma beleza víamos, para que O desejássemos. Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

 

Verdadeiramente Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas Ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de todos nós.

 

Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim Ele não abriu a boca. Pela opressão e pelo juízo foi arrebatado; e quem dentre os da sua geração considerou que Ele fora cortado da terra dos viventes, ferido por causa da transgressão do meu povo? (Is 53:2b-8).

 

O sofrimento provocado pela crucificação naturalmente fez da cruz um símbolo de dor, angústia, vergonha e fardo. Jesus deu-lhe este sentido quando disse: E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mt 10:38).

 

Na literatura Paulina a cruz é usada para a pregação da doutrina da Expiação. Ela ganha um sentido nobre e falar dela é motivo de convicção e gozo.Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus (1Co 1:18).

 

Para Paulo, que conhecia bem o horror que a imagem da cruz causava aos judeus, como símbolo de maldição, e aos romanos como símbolo de degradante derrota, evocava glória. Por isso dizia com contundência: Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6:14).

 

A cruz hoje traz consigo a mensagem da reconciliação do homem com Deus e deste com o homem, porque através da obra da redenção o pecador é convertido em um santo. Porque “havendo por Ele feito a paz pelo sangue da Sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora, contudo, vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, para perante Ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis!” (Cl 1:20-22).

 

A cruz expressa ainda:

 

·       Os laços de unidade entre os judeus, povo da aliança, e gentios que a ela são chamados: Porque aprouve a Deus pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Ef 2:16). ,

·       É o símbolo de uma nova ligação entre crente e Cristo, pela santificação, porque os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5:24).

·       Que o pecado perdeu seu senhorio sobre as nossas vidas, como remidos. “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado” (Rm 6:6).

 

A cruz foi, é e sempre será o centro e circunferência do sermão e da vida dos apóstolos e da Igreja do Senhor Jesus Cristo em todos os tempos. Porque “nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens.(1 Co 1:23-25). Que ao meditar nestas coisas nós possamos experimentar o poder da morte de Cristo, e comunhão dos sofrimentos do nosso Salvador Crucificado!

 

Diante do amor tão grande demonstrado pelo nosso Senhor, é fácil identificar-nos com o sentimento expresso num poema atribuído a Teres de Ávila:

 

Não me move, meu Deus, a querer-Te

o Céu que me tens prometido,

nem me move o inferno tão temido

para deixar por isso de ofender-Te.

 

 

Tu mesmo me moves, Senhor!

Move-me o ver-Te

cravado numa cruz e escarnecido;

move-me ver Teu corpo tão ferido;

move-me Tuas afrontas e Tua morte.

 

 

Move-me enfim, Teu amor,

e de tal maneira

que embora não houvesse céu, eu Te amaria,

e embora não houvesse inferno, Te temeria.

 

 

Não me tens que dar porque Te queira,

pois embora o que espero não esperasse,

o mesmo que Te quero querer-Te-ia.

 

 

 

Valnice Milhomens