(Dia 24.12.2008)
TEXTO: “Mas o fruto do Espírito é ... Amabilidade” (Gl. 5:22)
Como conseqüência de mais pessoas sendo impacientes, tendo um “pavio curto” e com todo o mundo sempre com muita pressa, muitas pessoas perderam a capacidade de tratar outros com gentileza e respeito. Uma palavra gentil, uma ação amável a outra pessoa realmente pode fazer maravilhas em sua vida.
Quando estudamos a vida de Jesus no Novo Testamento, realmente podemos dizer quão amável Ele sempre foi para com outras pessoas no Seu trato com elas. Jesus é sem dúvida, o modelo final para todos nós de alguém que estava plenamente operacional em todas as nove expressões do fruto do Espírito Santo.
A qualidade da benignidade, ou amabilidade, ou ainda gentileza, anda de mãos dadas com a qualidade do amor. Uma vez que o Espírito Santo começa a transmitir-lhe Seu amor, a qualidade da amabilidade seguirá bem junto a ele. Tornar-se-á muito mais fácil você ser capaz de ser amável com os outros, uma vez que o amor de Deus passa a fluir mais em sua personalidade.
Não há como não ser mais amável com os outros, quando o amor de Deus flui através você. Eis porque a qualidade do amor tem que ser a qualidade principal em que você realmente se concentra para receber mais do Espírito Santo. Uma vez que o amor de Deus começa a operar e fluir através de você para tocar outros, muitos dos outros frutos do Espírito Santo começarão a seguir-se como se fosse um efeito dominó.
Benignidade (chrēstotēs) significa amabilidade, benevolência, gentileza, e é oposta a um temperamento rude, amargo e perverso. É uma disposição de ser agradável; é brandura de temperamento, mansidão de espírito, uma disposição serena, e uma disposição de tratar com toda cortesia e polidez. Esse é um dos efeitos regulares das operações do Espírito sobre o coração. A religião não produz nenhum raivoso, carrancudo e amargo. Ela adoça o temperamento; corrige uma disposição irritável; torna o coração amável; dispõe-nos a fazer todos ao nosso redor tão felizes quanto possível. Isso é verdadeira polidez; um tipo de polidez que pode ser aprendida muito melhor na escola de Cristo, pelo estudo do Novo Testamento.
Este fruto é expresso na aceitação amorosa dos que estão ao redor de nós. Uma atitude de intolerância sempre leva a relacionamentos quebrados. A palavra "Benignidade" vem da mesma raiz de "parentesco," expressando, portanto, uma qualidade de relacionamento semelhante a que é encontrada numa família amorosa muito unida. Expressa o que Paulo diz: “Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Efésios 4:32).
Aqui estão algumas diferentes definições do que é a verdadeira amabilidade:
· Qualidade ou estado de ser amável
· O amor firme que mantém relacionamentos através de auxílio gracioso em tempos de necessidade
· Amabilidade de coração, serviço, bom, gracioso, agradável
· Amor à humanidade, hospitalidade, atos de amabilidade, prontidão em ajudar, amizade humana, benevolência, pensar nos outros
· Amabilidade em ação, doçura de disposição, gentileza em lidar com outros, afabilidade
· A capacidade de agir para o bem estar dos que testam sua paciência.
Como se pode ver de algumas destas diferentes definições, esta é uma qualidade muito bela transmitida ao nosso espírito e personalidade pelo Espírito Santo. Não somente seremos capazes de tocar outros com esta qualidade divina, mas também poderemos tocar a nós mesmos, porque nos sentiremos muito melhor acerca de nós aprendendo a tratar os outros com muito mais amabilidade e respeito em nossos tratos diários e negócios com eles.
O termo grego para amabilidade (chrestotes) aparece 10 vezes no Novo Testamento. Na maioria das nossas versões é traduzido como benignidade. A NVI traduz como amabilidade, termo que aqui usamos para melhor compreensão.
A lição de nosso texto é que o Espírito Santo nos capacita a mostrar amabilidade em todos os nossos relacionamentos enquanto nós sinceramente procuramos Seu auxílio.
Helen Brenneman escreve: "Houve um homem que teve um transplante de coração. Mas a operação foi um fracasso total. O que recebeu o transplante era um homem mesquinho e o coração era um coração amável. O seu corpo simplesmente o rejeitou".
A Bíblia, no entanto, conta-nos sobre um bem-sucedido transplante de coração: "Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne” (Ezekiel 36:26).
Como o homem mesquinho, o ser humano caído tem uma predisposição para ser descortês! Infelizmente, mesmo nossa experiência de salvação não nos retira essa tentação. Os cristãos podem ser muito cruéis. E provavelmente, sem pretender ser, todos nós somos cruéis às vezes. A Palavra de Deus ensina-nos, no entanto, que para agradar a Deus nós devemos cultivar a virtude da amabilidade.
Lemos em Efésios 4:31,32: “Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.”
Em Colossenses 3:12,13, Paulo adverte-nos: "Revestí-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também.” Uma disposição amável é possível precisamente porque o Espírito Santo nos deu um novo coração, como descrito por Ezekiel. Este processo de transformação do Espírito é realçado em Tito 3:5: "Não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo.”
Moisés tentou cumprir o ministério prematuramente e em sua própria força. Enfureceu-se e matou um egípcio. Só depois que de longos anos como um pastor, seguido de um encontro transformador de vida com Yahweh vivo na sarça ardente, Moisés tornou-se o homem mais manso e um líder poderoso do povo de Deus. Nós, também, podemos tornar-nos pessoas fundamentalmente diferentes quando recebemos uma mudança de coração que nos capacita a ser amáveis com os outros.
Você não se levanta simplesmente pela manhã e diz: "A partir de hoje, serei amável". Mesmo as melhores intenções fracassam se contamos com a própria força. Paulo chamou a amabilidade um fruto do Espírito porque não pode crescer eficientemente sem o trabalho contínuo do Espírito em nossa vida. Efésios 5:18 adverte-nos: "enchei-vos do Espírito". O contexto mais amplo demonstra que a plenitude espiritual resulta em comportamento transformado. "Sujeitando-vos uns aos outros" (5:21); "maridos, amai a vossas mulheres” (5:25); "Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais” (6:1); "pais, não provoqueis à ira vossos filhos” (6:4); "servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne” (6:5). A amabilidade é um dos produtos do Espírito em operação em nossos relacionamentos.
Jesus estava realmente declarando a mesma coisa em João 15:5: "Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer."
O Espírito Santo, de acordo com Paulo, é o Espírito de Cristo (Romanos 8:9). Então habitar em Cristo é viver no Espírito. Eles são um só e o mesmo. Habitar em Cristo através do Espírito capacita-nos a viver em obediência a todos os Seus mandamentos.
À medida que vivemos cheios do Espírito, em obediência, estes comandos bíblicos continuarão a ecoar e re-ecoar por toda nossa vida: "Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos...” (Efésios 4:31,32). “Revestí-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou..." (Colossenses 3:12,13).
Nas Escrituras, você nota como João tentou posicionar-se para ter poder e prestígio durante o ministério de Jesus. Ele e seus irmãos pediram-Lhe: "Concede-nos que na tua glória nos sentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda” (Marcos 10:37). Essa petição egoísta veio durante a etapa de infância de desenvolvimento espiritual de João. Mas ele cresceu em espírito de modo que para o fim da sua vida ele era o símbolo da bondade e amabilidade. João, um dos “Filhos do Trovão,” tornou-se o Apóstolo do Amor, como informado repetidamente em sua primeira carta. Pelo poder do Espírito, ele tinha aprendido a lição da amabilidade.
A Bíblia demonstra que a amabilidade, reconhecidamente custosa a nós, produz resultados positivos: "O homem bondoso faz bem à sua própria alma” (Provérbios 11:17). Este versículo traz à memória pessoas como Mark Buntain e Billy Graham. Buntain foi amado e honrado em vida. Em morte, milhares de pessoas ficaram horas ao sol quente da Índia para honrá-lo. Ele derramou sua vida para atender às necessidades espirituais e físicas de Calcutá.
A presença do Dr. Billy Graham é solicitada por reis e líderes em todo o mundo. O Presidente Bush foi rápido em chamá-lo à Casa Branca na noite em que os Estados Unidos entraram em guerra com o Iraque. Um homem amado, humilde, que manifesta bondade, amabilidade, ganhou o respeito das comunidades secular e cristã.
A benignidade abre portas para o serviço. Barnabé, Filho da Consolação, vendeu um campo e deu o dinheiro para o alívio dos santos (Atos 4:37). Ele era sensível às pessoas que sofriam em necessidade de auxílio. O Espírito mais tarde o enviou como o primeiro companheiro missionário do apóstolo Paulo.
Indubitavelmente, este ato de amabilidade em favor dos pobres era uma parte importante do crescimento de Barnabé no serviço! Isso testificou à comunidade cristã da sua preparação.
A amabilidade também amolece os corações duros e irados dos homens. "A resposta branda desvia o furor" (Provérbios 15:1).
Nosso exemplo também levará outros a serem amáveis. Peter Ainslie, em seu livro, Cultivando o Fruto do Espírito, diz: "Nenhuma influência é tão poderosa na sociedade humana como a amabilidade praticada," e ilustra com a seguinte história:
Um pedaço de cerca entre duas fazendas de Virgínia havia rompido e devia ser reparada. O gado de uma fazenda vagueou no milharal do outro, fazendo estrago considerável. O fazendeiro que sofreu a perda escreveu uma carta ameaçadora e severa a seu vizinho dono do gado. O vizinho respondeu por carta, expressando pesar profundo, oferecendo-se para pagar os estragos e lembrando ao fazendeiro que por anos seu gado, também, havia lhe causado prejuízos. Ele nunca o tinha notificado, no entanto, mas simplesmente tinha reparado a cerca, sabendo que essas situações às vezes ocorrem, apesar das precauções. Na manhã seguinte, o fazendeiro ofendido implorou o perdão do vizinho, e a partir de então eles se tornaram os melhores amigos.
"A maior coisa que um homem pode fazer para um Pai Celestial," disse Henry Drummond, "é ser amável com algum dos Seus outros filhos.” E Frederick William Faber comentou: "A amabilidade já converteu mais pecadores do que o zelo, eloqüência, ou ensino". A oração pela salvação de outros deve ser unida à amabilidade capacitada pelo Espírito, se quisermos ser eficientes em ganhá-los para o Senhor.
Nossa ênfase em amabilidade pode soar boa na teoria, mas realmente acontece na prática? O Espírito Santo realmente ajuda-nos a desenvolver a amabilidade? Não são algumas pessoas "naturalmente" amáveis?
É impossível produzir amabilidade genuína semelhante a Cristo, como descrito em Gálatas 5:22, por nós mesmos. É requerido um novo coração. Então um processo de crescimento segue o qual só pode acontecer à medida que nos submetemos e obedecemos ao Espírito Santo. Ele nutre essas mudanças positivas de caráter que são refletidas em nossos relacionamentos.
A amabilidade, ou a falta dela, faz uma diferença em nossas vidas. Quantas crianças não provaram o dano da crueldade de um pai que punia caprichosamente, sem razão! Ou como medir os efeitos dos atos de bondade e amabilidade nos momentos mais cruciantes da vida!
Quando experimentamos a crueldade, necessitamos que o ministério poderoso do Espírito Santo passe por aquelas feridas eliminando toda amargura. Se estivermos dispostos, Ele nos capacitará a responder em amor e amabilidade. Ele nos dará a força para perdoar e curar as memórias dolorosas.
Devemos ter o propósito nos nossos corações de não ser parte da crueldade em nossa igreja ou no mundo. Antes, devemos ser sensíveis às necessidades das pessoas, demonstrando amabilidade àqueles a quem servimos, tanto a amigos como a inimigos.
Que resolvamos, em nosso cultivo do fruto da amabilidade, procurar os recursos inesgotáveis do suave, mas também dinâmico Espírito Santo, que Deus tão graciosamente tem derramado em nós para manifestar a amabilidade. Porque "Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Yahweh dos exércitos” (Zacarias 4:6).