A UNÇÃO DO GOZO (chara). Χαρα
(Dia 21.12.2008)
TEMA: O GOZO
TEXTO: “Mas o fruto do Espírito é ... Gozo”
(Gl. 5:22)
“Mas o fruto do Espírito é ... Gozo.” O gozo, que está no Espírito Santo, e O tem como
seu autor. Seu objeto é Deus, não como um Deus absoluto, mas um Deus de aliança
e Pai em Cristo. O Deus da salvação, revestindo-nos com o manto da justiça
de Seu Filho, e perdoando nossa iniqüidade, a transgressão e o pecado, tendo
feito completa expiação pelo sacrifício de Cristo.
Gozo
também em Sua pessoa, plenitude, justiça, ofícios, relações, e quando contemplado,
abraçado, e desfrutado na comunhão. Este gozo, que também é o produto do Espírito,
reside em coisas espirituais, como justificação, perdão, paz, adoção, e glória
eternal. Ele é peculiar aos que têm o Espírito. Para o estranho é impossível
provar este gozo, nem mesmo pode formar qualquer idéia dele. Mesmo para o
crente ele é indizível.
O apóstolo Paulo alistou nove dimensões do fruto do Espírito em Gálatas
5:22,23. O gozo foi colocada em segundo lugar nas qualidades que abrangem
a colheita do Espírito. Segue amor e precede paz. William Morrice diz: "O fato de que gozo
(chara) vem em segundo lugar na lista, mostra
o lugar proeminente que teve no pensamento do Apóstolo Paulo com referência
à personalidade cristã".
Primeira aos Coríntios 13 deixa claro que esse amor (agape) é essencial para que os dons do Espírito funcionem adequadamente. E em Galatians 5, o amor vem primeiro entre os aspectos do fruto do Espírito. O fruto é um produto de crescimento. O amor cresce. O gozo cresce. A paz cresce. O Espírito Santo estimula e superintende este processo de crescimento na vida dos cristãos.
A palavra gozo (chara) também
significa contentamento ou felicidade. Thayer
define como "gozo, regozijo" e Vine adiciona "deleite."
O termo "gozo"
aparece sessenta vezes no Novo Testamento. O verbo "regozijar-se"
se encontra setenta e duas vezes.
A forma verbal de chara" é "chairein",
que é mais freqüentemente traduzida por "regozijar-se."
Uma palavra semelhante é regozijo (chairo),
que também significa estar alegre e é uma expressão usada comumente nas saudações
gregas. A palavra gozo agora tem o
significado de "felicidade intensa ou grande deleite, que dá origem
a esta emoção ou em que a emoção se centra, a expressão externa da emoção".
Chara está intimamente relacionada
à palavra "charis," que é traduzida com mais freqüência como "graça."
Vine define graça no sentido objetivo como "o que oferece ou ocasiona
prazer, deleite ou causa interesse favorável." Então a graça é o que
produz gozo!
Qual a conexão entre "graça" e "gozo”?
O tema da epístola aos Gálatas é a liberdade cristã. Sem ter em conta as circunstâncias de vida, os crentes devem poder regozijar-se ou ter alegria na liberdade que há em Jesus Cristo. Esta alegria é um tipo de fruto que necessita cultivo cuidadoso tanto na dimensão cognitiva quanto na afetiva. O gozo é "sentir o que você acredita".
O gozo é uma dimensão vital do fruto do Espírito na vida dos cristãos. O gozo tem tanto o aspecto cognitivo quanto o afetivo. Descansa no conhecimento, na fé, e na esperança. É algo a ser esperado e experimentado. Envolve a totalidade de nosso ser, não simplesmente sabendo ou tendo. Olharemos cuidadosamente para três pontos principais.
O gozo é ligado à mensagem central do evangelho, a vinda de Jesus Cristo ao mundo. Em Lucas 2:10 o anjo disse: "Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo.” As pessoas que acreditaram em Jesus e O receberam por fé experimentaram um novo nascimento. Isto é um trabalho do Espírito Santo. Esta experiência espiritual é marcada pelo gozo. Os pecados são perdoados. Um relacionamento correto com Deus começou pela graça, por fé (Ef. 2:8). Um estado interno de gozo é presente.
A parábola em Mateus 13:44 ilustra o valor supremo e gozo experimentado quando alguém encontra o tesouro escondido do reino de céu: "O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que um homem, ao descobrí-lo, esconde; então, movido de gozo, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo." Em Romanos 14:17, Paulo diz: "porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo." Ao crente em Cristo é dado graciosamente estas preciosas qualidades e ele necessita cultivar um continuado estilo de vida de crescimento. O apóstolo João diz: "e a vossa alegria ninguém vo-la tirará." (João 16:22). O gozo de um cristão não depende de outras pessoas nem das circunstâncias da vida. O crente pode cantar com significado as palavras de uma canção: "recebi algo que o mundo não pode dar, e o mundo não pode tomar". Este gozo está em Jesus.
Paulo achou seu lugar em Cristo. Qualquer que tenha sido a mudança, o desafio,
a circunstância, ou a crise, ele aprendeu a regozijar-se. Ele diz: “Porque já aprendi a contentar-me com as circunstâncias
em que me encontre” (Filipenses 4:11). Ele descobriu que sua
suficiência estava só em Jesus Cristo: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece.”
(Fp. 4:13).
O gozo é uma expressão de fé confiante
enraizada num relacionamento de amor com Cristo.
É alegria em Deus, contentamento com entusiasmo e exuberância em comunhão
com o Senhor. Às vezes o gozo pode produzir êxtase. O crente que conhece e
sente este gozo tem uma vivacidade, um enlevo, e um sentido de equilíbrio,
que é belo.
Romanos 8:31–39
descreve bem a segurança do cristão no amor de Deus em Cristo. Quando este
amor é tanto conhecido quanto sentido, o gozo do seu lugar em Cristo pode
crescer. Aí vem um fulgor no
relacionamento pessoal com o Senhor, que é real e mesmo romântico, num sentido
espiritual.
Duas perguntas se levantam nesta conjuntura:
·
O que você sabe sobre seu lugar em Cristo?
·
Como se sente a respeito disto?
Há gozo na salvação. Há gozo em conhecer Jesus.
O Espírito Santo ajuda os cristãos a crescerem no desenvolvimento do gozo. Também demanda esforço humano a fim de aprender cognitivamente e experimentar emotivamente este fruto do Espírito. O processo durará a vida inteira.
O segundo ponto principal é:
Deus não criou as pessoas sem propósito. Podemos conhecer Seu plano e crescer em nosso entendimento do significado do propósito que Ele tem para cada um de nós. Quando nós alinhamos nossa vontade com a de Deus, Ele dá-nos Seu gozo.
O evangelho de João realça a "plenitude do gozo". No capítulo 15 o contexto da produção de fruto envolve habitar em Cristo, cumprir Seus mandamentos e continuar no Seu amor. Jesus declara o propósito deste ensino no verso 11: "Estas coisas vos tenho dito, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo." No capítulo 16 Jesus encoraja os discípulos a orar em Seu nome, e Ele promete que receberão a fim de que "seu gozo seja completo" (verso 24).
Em Romanos 15:13 Paulo ora: "Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz na vossa fé, para que abundeis na esperança pelo poder do Espírito Santo." O gozo não fica só. Neste verso é ligado com fé, esperança e paz. Um propósito do crente em vida inclui muitas qualidades. O foco nesta mensagem é principalmente o gozo.
Mesmo no meio de dor e sofrimento, Paulo soube bem que um crente pode ter gozo. Experimentou decepção e tristeza profundas. Ainda, assim escreveu: "como entristecidos, mas sempre nos alegrando;" (2 Co 6:l0). No capítulo seguinte Paulo diz: “transbordo de gozo em todas as nossas tribulações” (7:4).
Paulo aprendeu que seu propósito em vida incluía tempos de prisão. Em Atos 16:22 e seguintes, Lucas descreve a ocasião quando Paulo e Silas estiveram em Filipos. Em conseqüência de proclamar o evangelho de Jesus Cristo, eles foram violentamente despidos, batidos com azorragues e lançados na prisão. Seus pés foram amarrados nos troncos. Paulo e Silas podiam ter escolhido reclamar. Mas escolheram crescer em gozo. Outros poderiam ter decidido ter uma partida de auto-compaixão, mas decidiram orar. Alguns poderiam ter decidido praguejar, mas escolheram cantar.
Uma colheita de gozo é possível—mesmo em prisão. Os outros prisioneiros escutavam-nos, e Deus também. Seu cantar não acordou o carcereiro. O terremoto o fez. E em conseqüência do gozo e testemunho de Paulo e Silas, o carcereiro de Filipos foi salvo, batizado e regozijou-se grandemente. Seu lar inteiro creu em Deus e recebeu a Cristo.
A música da vida para o cristão não está num tom menor. Mesmo nas realidades dolorosas da vida, tal como bombardeios de inimigos ou traição de amigos próximos, o gozo pode prevalecer em nosso sofrimento quando nós tanto sabemos como sentimos o propósito de Deus apesar de nossa dor presente.
Anos mais tarde Paulo escreveu a epístola aos Filipenses enquanto permanecia encarcerado em outro lugar. Sua expressão de gozo e admoestação para regozijar-se alcança um clímax nessa carta. As palavras de gozo ocorrem 19 vezes.
Paulo aprendeu a estar contente em cada circunstância (Fp 4:11). Ele manteve o crescimento do gozo em sua própria vida. E ele exortou os crentes, dizendo: "Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai- vos."! (Fp 4:4).
Tiago 1:2 diz: " Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações.” Isto envolve um cálculo cognitivo, uma maneira de pensar. Os testes, provas, ou tentações que os crentes encaram são parte de um processo que Deus propõe para nossa maturidade (verso 4). Com o tempo, o cristão pode aprender a sentir também gozo, junto com a dor, sofrimento e pesar.
Pedro elogiou o sofrimento dos seus destinatários quando escreveu: "exultais com gozo inefável e cheio de glória" (1 Pe 1:8). E ele os exortou: “Mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis" (1 Pe 4:13). Isto nos leva ao terceiro ponto principal.
O Novo Testamento claramente ensina os crentes a cultivarem uma perspectiva eterna. Esta vida não é tudo que há. Somos chamados a olhar para a frente, como o compositor diz:
Com os valores da eternidade em vista, Senhor,
Com os valores da eternidade em vista.
Possa eu fazer o trabalho de cada dia para Jesus,
Com os valores da eternidade em vista.
O gozo está ligado à esperança, e a esperança está sempre relacionada
com o futuro. Paulo advertiu os cristãos em Roma: "Alegrai-vos
na esperança"
(Romanos 12:12). O crente deve olhar pra a frente. Jesus fez isto. O escritor aos Hebreus encoraja os cristãos a
correr a corrida, "fitando os olhos em Jesus,
autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou
a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus" (Hb 12:2).
Esta perspectiva calculada de ser como Cristo, é essencial. Coloca em foco e em sentimento parte do que ainda será plenamente experimentado na eternidade. Muitos têm se apropriado desta visão e se firmado sobre esta verdade bíblica para afirmar cognitivamente e sentir emocionalmente suficiente gozo para atravessarem os túneis escuros e os vales de morte da vida. Num sentido, eles tomam emprestado do além, a vida que virá no céu, e irradiam na vida terrena o gozo de Jesus que está fisicamente com Deus o Pai, mas espiritualmente presente dentro deles. Jesus disse a Seus discípulos: "E eis que estou convosco sempre" (Mt 28:20).
Estêvão exemplificou tal gozo quando foi apedrejado até à morte, como registrado por Lucas em Atos 7:54–60. Não há dúvida de que ele teve uma perspectiva eterna. Ele sentiu o ranger de dentes e a dor causada pelas pedras que seus perseguidores lançaram nele, mas ele também experimentou algo mais: "Cheio do Espírito Santo, fitando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus em pé à direita de Deus " (verso 55).
A igreja do Novo Testamento teve abundância de problemas; ainda assim as pessoas eram cristãs cheias de gozo. Aprenderam que uma perspectiva eterna é mais que interessante. É necessária. As realidades e recompensas do céu são verdadeiras. Quando provados e tentados, os cristãos triunfaram, uma vez que o fruto do gozo interior cresceu e se manifestou externamente para outras pessoas verem. Alguns de seus perseguidores mais tarde foram salvos, à semelhança de Saulo de Tarso, que estava presente quando Estêvão foi apedrejado até à morte.
Quando tudo ao redor de nós neste mundo de hoje parece estar desmoronando, cristãos podem crescer em gozo. Sabemos que Deus tem o controle. Ele sabe o número de cabelos nas nossas cabeças, e Ele cuida de cada pardal e de cada alma humana. Deus está conduzindo o futuro. Que segurança feliz nós temos! As palavras do hino se fazem ouvir:
"Que segurança, sou de Jesus; eu já desfruto o gozo da luz
Sou por Jesus herdeiro de Deus; Ele me leva à glória do Céu.”
O melhor está por vir para o crente. Recebemos nossa perspectiva do futuro da eterna Palavra de Deus. Percebemos e sentimos Sua presença em nossos corações. Ele está conosco em nossa dor e sofrimento. Dá-nos gozo, Seu gozo. Este cresce.
Em 2 Coríntios
4:17,18, Paulo diz: "Porque
a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente
um eterno peso de glória; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim
nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que
se não vêem são eternas."
Jesus Cristo é nosso supremo modelo. Em vida e em morte Ele teve gozo. Trabalhar para Deus é um gozo quando andamos com Ele. A vida tem uma variedade tremenda de experiências. Os não-cristãos têm momentos de gozo, também. Mas três coisas fazem o gozo de uma vida do cristão único:
Um lugar em Cristo;
Um propósito em vida; e
Uma perspectiva de eternidade.
Podemos crescer no que sabemos e como sentimos nestas três áreas. O gozo é tanto cognitivo como afetivo.
O gozo é "sentir o que você conhece".
Inclui conhecimento e emoção.
Envolve fatos e sentimentos.
Demanda cooperação humana com o
divino Espírito Santo para produzir gozo.
Com esta combinação, nós podemos continuar a crescer e a aplicar a exortação de Paulo em Filipenses 4:4: "Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos! " Tal gozo é uma colheita do Espírito” (Gl 5:22).