A UNÇÃO DO FRUTO DO DOMÍNIO PRÓPRIO (egkrateia). ἐγκράτεια

(Dia 28.12.2008)

TEXTO: “Mas o fruto do Espírito é ... Domínio próprio (Gálatas 5:23).

INTRODUÇÃO

Finalmente chegamos à última virtude do Fruto do Espírito Santo enumerada por Paulo. Virtude que é encontrada por alguém que está caminhando no Espírito, produzindo, em conseqüência, o fruto do Espírito: "moderação," "temperança" ou “domínio próprio.”

De certo modo, poderíamos considerar esta virtude como a mais importante, porque sem domínio próprio as "obras da carne" não podem ser derrotadas. Porque sem moderação, os outros elementos do "fruto do Espírito" não serão evidentes.

A essência do domínio próprio ou moderação, ou ainda temperança, está nas palavras do sábio Salomão: "Como a cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não pode conter o seu espírito”  (Provérbios 25:28).

Este é o fruto coroador do Espírito, porque é a evidência de uma vida cristã madura. Ele aparece no fim da lista de Paulo, mas certamente não é de menos importância. Uma vez que você começa a entrar num processo verdadeiro de santificação com o Senhor, o Espírito Santo espera que você logo se mova nesta qualidade específica. "Pois os que são segundo a carne, inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito” (Romanos 8:5).

Todos temos certa quantia de defeitos de caráter operando em nossa personalidade. Há algumas qualidades negativas que terão de desaparecer. A Bíblia fala-nos que nosso espírito e nossa carne estão em guerra um contra o outro nesta vida. A nossa carne quer auto-gratificação imediata a todo custo e fará tudo para consegui-lo. Nosso espírito sabe que alguns de nossos desejos carnais não são corretos e, em conseqüência, haverá uma guerra entre os dois, às vezes bem intensa. E a única coisa que poderá frear e controlar alguns desejos da nossa carne é a qualidade do domínio próprio.

Uma vez que todos vivemos num mundo egoísta e materialista nos dias atuais, muitas pessoas têm um impulso de controle muito pobre. Se virem algo, imediatamente o querem, e farão tudo que puderem para consegui-lo. Estas pessoas são obviamente muito fracas na qualidade de domínio próprio. São governadas pela própria carne, antes que pelo Espírito Santo. Essa é a razão pela qual a Bíblia diz-nos que se aprendermos como realmente andar no Espírito Santo, então não satisfaremos os desejos da nossa carne.

Devido à nossa natureza caída e pecaminosa, todos nós somos fracos até certo ponto na qualidade do domínio próprio. Eis porque Deus o Pai assegurou-se de ter este fruto alistado como uma das nove expressões do fruto do Seu Espírito Santo.

Uma vez que o Espírito Santo começa em nós o processo de santificação, devemos estar preparados para algumas batalhas importantes, uma vez que Ele começa a confrontar algumas qualidades negativas operantes em nossa personalidade. Mas se estamos dispostos a submeter-nos a Ele e permitir que Ele comece a trabalhar todas as nove qualidades do fruto do Espírito em nossa personalidade, então começaremos a crescer em modos e áreas que nunca pensamos serem possíveis nesta vida. Seu poder sobrenatural nesta área nos levará a uma explosão, pois provaremos quão longe Ele realmente pode levar-nos, tornando-nos a pessoa que Deus gostaria que nos tornássemos Nele durante nossa existência.

A vida cristã é um campo de batalha aonde temos que brigar contra inimigos tanto externos como internos. É, pois, extremamente importante que cooperemos com o Espírito Santo nesta cruenta batalha entre as forças de justiça e as forças do mal que lutam pelo domínio de nossa personalidade. Por isso é que a Palavra de Deus insiste: "E por isso mesmo vós, empregando toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência o domínio próprio, e ao domínio próprio a perseverança, e à perseverança a piedade" (2 Pedro 1:5-6).

Mas o que é exatamente o "domínio próprio"? E como podemos desenvolver esta virtude?

SIGNIFICADO DA PALAVRA egkrateia

A palavra grega traduzida como “domínio próprio” é "egkrateia." Vem da palavra "kratos" (fortaleza), e significa "alguém que se sustenta a si mesmo" (ROBERTSON). THAYER a define como: "a virtude de alguém que domina seus desejos e paixões, especialmente seus apetites sensuais." MACKNIGHT adiciona o conceito: "Onde subsiste esta virtude, a tentação pode ter pouca influência."

Expandindo, a palavra é derivada de egen e krateia, “força”, e refere-se ao poder ou ascendência que temos sobre as paixões excitantes e más de todos os tipos. Ela denota o domínio-próprio que alguém tem sobre as propensões más de sua natureza.

Égkrateia é encontrada somente três vezes no Novo Testamento:

*      Uma vez em Atos 24:25, onde é incluída junto com a "justiça" e o "julgamento vindouro." "A palavra a que segue é "justiça", a qual representa o que Deus demanda; então, domínio próprio é a resposta do homem a tal demanda" (VIM)

*      Uma vez em Gálatas 5:23, onde vemos que é evidência de que alguém está caminhando no Espírito, e é guiado pelo Espírito

*      E em 2 Pedro 1:6, onde aprendemos que existe para ser acrescentada ao "conhecimento." “Seguir ao conhecimento, sugere que é aprendida e que requer ser posta em prática" (VIM).

Domínio próprio, então, é o controle de alguém sobre si mesmo; no contexto das Escrituras, o controle de si mesmo existe para estar em harmonia com a vontade de Deus. Significa moderação, sobriedade, continência, autodomínio. Consiste em aplacar os apetites e o uso excessivo dos sentidos. É o controle da maneira que o homem deve utilizar os bens materiais, de maneira particular a comida, a bebida e os apetites sexuais. O domínio próprio ou moderação é reter os desejos em estado normal, perfeitamente natural, sob os limites estabelecidos por Deus.

Aqui estão algumas outras definições do que a qualidade do domínio próprio trata:

*      Moderação, controle racional de impulsos naturais;

*      Sóbrio, moderado, aproximação tranqüila e imparcial da vida, tendo dominado desejos pessoais e paixões;

*      Indica uma vida auto-disciplinada seguindo o exemplo de Cristo de estar no mundo, mas não ser do mundo;

*      Controle ou disciplina, exercitada no comportamento;

*      A mestria de si mesmo, a capacidade de indivíduos conterem as próprias emoções, desejos e impulsos, de tal modo que possam servir outros.

As definições acima descrevem perfeitamente o que Deus está procurando, uma vez que Ele começa a trabalhar e transmitir esta qualidade à nossa personalidade. Esta qualidade específica é um das mais importantes chaves em poder obter qualquer tipo de vitória sobre alguns dos apetites e desejos da nossa carne.

Obtendo domínio próprio

Para começar, examinemos o que domínio próprio não é. Considere o apuro de uma pessoa que recebeu um tiro. Na falta de cuidado médico adequado, ou mesmo a presença de um médico, um amigo toma sua faca para tirar a bala do corpo da pessoa. Sabendo que isto será muitíssimo doloroso, dá à vítima um pedaço de madeira para ela segurar entre os seus dentes a fim de ajudá-lo a não gritar e perder o controle. A imagem é de determinação severa e resolução face à dor fatídica. Felizmente, isto não retrata o conceito de domínio próprio que Paulo discute.

O entendimento bíblico do termo exige crucificação da natureza pecaminosa, pela graça divina, enquanto nos rendemos ao Senhor. Em Gálatas 5:19–21, Paulo contrasta a vida santificada com características da vida velha:

"A prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas.”

Todas essas categorias refletem comportamentos que são descontrolados e eram comuns nos dias do Novo Testamento e em nossos dias também.

Ter uma vida cristã vitoriosa não era um problema pequeno para muitos nas congregações a quem Paulo escreveu. Ceder às paixões pecaminosas era a ordem do dia. Os crentes que não vieram de um contexto Judeu, onde os preceitos do Antigo Testamento eram rigorosamente seguidos, provavelmente achavam o nível de restrição pessoal requerida de um cristão muito difícil de manter.

O domínio próprio, no entanto, que deriva da presença do Espírito em nossos pensamentos e emoções, é cingido pelo poder de Deus, enquanto os crentes se rendem ao Senhor em obediência à Sua vontade. Vários versículos nos ajudam a entender isto melhor:

*      "Digo, porém: Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne” (Gálatas 5:16).

*      "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade." (Filipenses 2:13).

*      "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Romanos 8:9).

O domínio próprio capacita o crente a:

*      vencer hábitos pecaminosos e destrutivos,

*      foca em ministrar a outros,

*      edifica o corpo de Cristo,

*      e vive em submissão mútua a outros (Efésios 5:21),

*      assim levando uma vida que é positiva e produtiva na família, vizinhança, igreja, e local de trabalho.

Por exemplo, Paulo exortou às igrejas de Éfeso: "Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tem necessidade" (Efésios 4:28).

Aos Gálatas ele escreveu: "Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne, antes pelo amor servi-vos uns aos outros. Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo" (5:13,14).

AS ESCRITURAS DESCREVEM A DIFICULDADE DO DOMÍNIO PRÓPRIO

*      Salomão declara que é mais fácil conquistar uma cidade do que controle nosso espírito: “Melhor é o longânimo do que o valente; e o que domina o seu espírito do que o que toma uma cidade” (Provérbios 16:32). Como a cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não pode conter o seu espírito. (Provérbios 25:28).

*      Até o simples controlar da língua, é um difícil desafio. Falhar em pôr freio na língua nos entrega a uma religião vã: Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã.” (Tiago 1:26).

*      É mais fácil amansar animais selvagens! (Tiago 3:7-10)

ENTRETANTO, EM CRISTO HÁ FORÇA PARA o domínio próprio

Considere o dilema descrito por Paulo em Romanos 7:14-24. Há sempre um dilema quando alguém intenta fazer a vontade de Deus, confiando apenas na lei, pois logo descobre que é incapaz de fazê-lo: Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está” (Romanos 7:18).  A pessoa depara-se com a realidade de que está num estado de cativeiro da lei do pecado e entra em desespero: “Mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:23,24).

Todavia há esperança. A resposta ao dilema é estabelecida muito claramente em Gálatas 5:24: E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.” Isto não contradiz o fato de que há uma batalha sendo travada. Mas aqueles que estão em Cristo têm que experimentar uma mudança substancial: Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis.” (Gál 5:17). Contudo, há uma realidade em Cristo: A carne foi crucificada quando a pessoa foi unida com Cristo em Sua morte, pelo batismo na morte. Ali o corpo do pecado foi crucificado com Cristo e sepultado com Ele em Sua morte (Romanos 6:3-6). Quando somos levantados dessa sepultura simbolizada na água, levantamo-nos para andar em novidade de vida, livres a fim de viver para Deus! (Romanos 6:7,12-13).

Isto não significa que a partir de então não sejamos mais tentados pelo pecado, mas que de uma forma significativa somos livres do "domínio" (do reino absoluto) do pecado! Paulo enfatiza: Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Romanos 6:14).

Para aqueles que estão em Cristo, há uma força adicional enquanto "caminham de acordo ao Espírito"! Sim, gozamos da liberdade da "condenação" do pecado: Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1).

Gozamos também da liberdade do "poder" do pecado, liberdade da "lei (do motivo) do pecado e da morte": “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Romanos 8:2).

É a "lei (o motivo) do Espírito da vida em Cristo" quem nos provê esta liberdade! O contexto sugere que isto se refere ao auxílio do Espírito que nos ajuda a superar os "desejos do corpo" (ver Romanos 8:11-14; Ef 3:16,20).

Não é isto o que Paulo estava dizendo, em outras palavras, em Gálatas 5:16-18,25? Se Você está andando no Espírito, fazendo morrer os desejos do corpo, com a ajuda do Espírito, não derrotará os desejos da carne? Uma vez que você nasceu do Espírito (Jo 3:5; Tito 3:5), não deve andar também no Espírito (isto é, utilizar ao auxílio que existe)?

QUAL É ENTÃO NOSSA RESPONSABILIDADE?

1. crer na Palavra de Deus, que é por Sua graça.

Nosso velho homem do pecado certamente foi crucificado com Cristo: “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado” (Romanos 6:6). Do ponto de vista de Deus, certamente crucificamos a carne com suas paixões e desejos (Gál 5:24). Deus pode na verdade nos fortalecer por Seu Espírito no homem interior (Ef 3:16). Com Deus podemos fazer todas as coisas de acordo a Sua vontade (Fil 4:13).

2. com tal fé, devemos continuar com o processo iniciado em nossa crucificação:

*    Mortificando os desejos do corpo (Romanos 8:13)

*    Mortificando nossos membros terrenos (Colossenses 3:5,8-9)

*    Revestindo-nos do novo homem, lembrando que este é um processo que começou também no batismo, quando nos revestimos de Cristo (Gálatas 3:27),

*    Compreendendo que este é um processo que continua enquanto crescemos diariamente (Colossenses 3:10-14).

*      Dispondo-nos a trabalhar como se tudo dependesse de nós (Filipenses 2:12b),

*      Mas recordando-nos de que não estamos sozinhos e que Deus está operando também em nós tanto a disposição interior quanto a ação de viver em linha com Sua vontade, que inclui a produção do Fruto do Espírito! (Filipenses 2:13).

ASPECTOS EM QUE DEVEMOS CULTIVAR O DOMÍNIO PRÓPRIO

1.   DOMÍNIO DOS APETITES

Apetites são desejos produzidos pela natureza física; os desejos do corpo, tais como de alimento, bebida, sexo, de companheirismo, existência, conservação, etc. Eles são naturais e essenciais para o bem-estar e existência do corpo. Todos os seres da criação, tanto os animais como o homem, têm estes instintos. Deus os colocou para a preservação e propagação da vida. São normais, bons e corretos. Nossa luta está em mantê-los nos limites estabelecidos por Deus. Muitos sofreram tantos fracassos nesta luta que chegaram à conclusão de que alguns deles são até pecaminosos. Mas não o são. São perfeitamente normais. Todavia, têm que ser controlados, disciplinados e sujeitos em seu estado natural ou normal. O excesso converte em más todas as coisas boas. Todo extremismo é gerador de muitos danos.

Todos os seres criados por Deus têm desejos de alimento, bebida, reprodução e preservação. A natureza física requer estas coisas, porque sem elas a vida não teria significado. Os animais jamais os desprezam ou os ignoram, mas raramente excedem seus limites. O homem, contudo, com inteligência e livre-arbítrio, o ser mais elevado da criação, que deveria compreender perfeitamente o valor real destes desejos, tende a dois extremos: ou os ignora, ou lhes dá uma importância excessiva.

Estes instintos governam ou escravizam a muitos seres humanos. Só vivem para comer, beber, drogar-se ou para seus desejos carnais. A paixão por obter estas coisas os leva a trabalhar, lutar, esforçar-se; e inclusive os pode conduzir ao delito. Muitos utilizam mais energia, tempo e dinheiro em satisfazer estes apetites, do que em satisfazer seus desejos intelectuais e espirituais.

O domínio próprio ou moderação nos obriga a respeitar estes apetites porque são postos por Deus e necessários para a vida, assim como a mantê-los dentro dos seus limites estabelecidos pelo nosso Criador, a quem temos de conta do seu uso.

2.   DOMÍNIO DO CORPO

O corpo é a habitação do homem na Terra. Mas, além disso, para o crente regenerado, é o templo do Espírito Santo. O corpo é a principal ferramenta para todas as suas atividades. Tudo o que se faz ou realiza é com o corpo ou por meio do corpo. Nele está a mente, a qual estabelece os planos e envia ordens para sua execução.

Em todas as épocas da história existem pessoas que desprezam o corpo e o submetem a vergonhoso tratamento, isto é, corrupto e pecaminoso. Outras descuidam do seu corpo por ignorância, não sabendo que esta delicada máquina precisa um esmerado cuidado. Até existem os que torturam seus próprios corpos para conformá-los a algum modelo de beleza, ou para purificar-se ou aperfeiçoar-se, cumprindo estranhos ritos religiosos.

Hoje, com os notáveis avanços da ciência, quase todos os homens conhecem normas de higiene. As crianças, desde pequenas, são ensinadas a como cuidar de seus corpos. Entretanto, a indiferença e o descuido são ainda muito comuns.

Exemplos:

*      É necessário alimentar bem o corpo, para sua preservação; mas não em demasia e de forma errada. Quando se come demais, cai-se no pecado da gulodice ou glutonaria.

*      A água é imprescindível para se beber; mas o que toma bebidas que embriagam debilitam os nervos e entorpecem o raciocínio, e está destruindo a si mesmo.

*      Necessitamos por volta de oito horas diárias para descansar, com o fim de repor energias, mas o que dorme demais entra no prejudicial hábito da preguiça ou ociosidade.

A mente, e não o instinto, deve governar o corpo. O navio é guiado pelo timoneiro, o qual dirige a seu gosto todos os movimentos do barco. Assim também nossa mente deve dirigir todo nosso corpo. Quão importante é ter uma mente consagrada a Cristo! "Nós, porém, temos a mente de Cristo" (1 Coríntios 2:16).

Os animais são governados por seus instintos; comem e bebem para sua satisfação e, em geral, sem se excederem. Mas o homem, senhor da criação, tem uma constituição diferente. Ele tem que pensar a respeito de sua comida ou bebida. Sabe como não deve deixar-se dominar por seus apetites, mas que estes devem ser governados, disciplinados e dirigidos pela inteligência. O corpo deve ser nosso servo, não nosso patrão. Ele é totalmente do Senhor. Deve ser guardado irrepreensível: "E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Tessalonicenses 5:23).

Vivemos hoje em uma das épocas mais corruptas na história da humanidade. Jesus disse que como nos dias da Sodoma e Gomorra, assim seria nos dias da Vinda do Filho do Homem. Os pecados sexuais estão:

*    naufragando muitas pessoas no fracasso e na tristeza

*     destruindo lares e levando casamentos ao divórcio com as trágicas conseqüências que tudo isso acarreta.

As relações sexuais são boas e corretas dentro do matrimônio; mas praticá-las antes ou fora do casamento são pecaminosas, produzem funestas conseqüências, e ao final levam à perdição eterna.

O crente disciplinado, que controla seus apetites físicos, sempre é o que leva o prêmio na carreira cristã. É necessário lutar intensamente contra os "desejos carnais que batalham contra a alma" (1 Pedro 2:11).

3.   DOMÍNIO DOS DESEJOS EGOÍSTAS

O egoísmo é um intenso desejo de possuir alguma coisa, ou de fazer algo que redunde em benefício próprio. Este desejo é pessoal, e se sobrepõe a toda consideração a outros. A cobiça ou ambição é o desmesurado desejo de ter honras e lucros. Uma ambição exagerada pode levar ao desastre, vergonha e ruína. A cobiça impulsionou a Lúcifer a querer ocupar o trono de Deus.

Desejar ter ou possuir algo é uma coisa correta e legítima, mas não deve ser a única consideração. Quando nos esquecemos dos outros e só pensamos em nós mesmos, transformamo-nos em seres mesquinhos.

4.   DOMÍNIO DAS EMOÇÕES

Todos os seres humanos são emocionais. Alguns mais, outros menos. Todos possuem sentimentos de gozo, tristeza, medo, ódio e amor. Há dois extremos no lidar com as emoções:

*      Uns demonstram seus sentimentos sem qualquer freio, com toda liberdade, considerando que qualquer forma de seu controle não é saudável.

*      Outros reprimem toda manifestação de emoções por julgarem que a sua demonstração é sinal de fraqueza.

Qualquer desses dois extremos é um engano fatal. Todos os sentimentos têm que ser regulados. O estóico deve cultivar suas emoções, e o muito emocional deve discipliná-las e controlá-las.

Exemplos:

*      A mais elevada das emoções é o amor. Mas o amor deve ser regulado pelo bom julgamento. Se não se controla pode transformar-se em paixão, e a paixão é irracional, não pensa, não calcula, não raciocina; deixa-se levar pelo impulso.

*      A indignação é uma emoção correta dentro de seus limites. Podemos nos indignar contra o pecado, a corrupção, as injustiças; mas quando se lhe dá rédea solta, pode se transformar em ira, a ira em fúria, e a fúria em ódio cego e desenfreado. Não devemos permitir que "o sol se ponha sobre a nossa ira." É preciso odiar e rechaçar ao pecado, mas não aos pecadores.

O Senhor nos manda amar a nossos inimigos e fazer-lhes o bem. A razão deste comando é que se nos deixássemos dominar pelas paixões, o mundo se converteria em um inferno, e o coração do homem se encheria de veneno mortal. Quem se submete ao Espírito Santo chega a ser uma fonte de amor, paz e compreensão. Suas emoções estarão dirigidas por um poder superior, e serão vínculos de comunhão e irmandade

5.   DOMÍNIO SOBRE OS PENSAMENTOS E PALAVRAS.

A mente é um verdadeiro campo de batalha. O inimigo com freqüência penetrar no receptáculo de nosso cérebro para semear maus pensamentos. Como vencê-los? Como conseguir expulsá-los? Fazendo o que é bom e agradável diante do Senhor. Quando os maus pensamentos nos assaltarem:

*      devotemo-nos a ler a Bíblia ou um bom livro cristão.

*      Busquemos a Deus em oração,

*      ajoelhemo-nos e abramos o coração para que o céu nos inunde;

*      façamos um ato de bondade, como visitar um doente;

*      ou simplesmente comecemos a cantar. “Deus habita no meio dos louvores do Seu povo.” O louvor faz o diabo fugir.

Há pessoas que acreditam que não são responsáveis por seus pensamentos. Mas isto é um engano fatal. O que somos é o resultado de nossos pensamentos. Se não os dominarmos eles nos causarão muitos problemas, já que os pensamentos e os desejos estão intimamente unidos. Os pensamentos produzem palavras, as palavras ações, e as ações hábitos.

Um pensamento acariciado produz intenção, desejo de satisfazê-lo. Domine seus pensamentos! É realmente mau pensar o mal! Se permitirmos que os maus pensamentos nos escravizem, teremos muitos inconvenientes. A paz fugirá do coração, a felicidade será destruída, o lar sofrerá calamidades e o final será uma ruína total.

6.   DOMÍNIO SOBRE A IMAGINAÇÃO.

A imaginação é a representação ideal de coisas reais ou imaginárias. Algumas pessoas têm pouca imaginação, outras, por outro lado, possuem uma imaginação tão grande que vivem em um mundo irreal e fantasioso.

temores imaginários

Os temores imaginários destroem a paz interior, provocam ansiedade, prejudicando e debilitando o organismo.

Grande parte da miséria humana não vem como resultado dos problemas do momento; são frutos de sua imaginação. Não há preocupações que possam torturar tanto a mente ou desgastar mais os nervos que as preocupações imaginadas. Isto implica que as queixas, moléstias e perturbações são da própria invenção da mente e somente podem ser anuladas por uma mudança de atitude e por uma transformação decisiva do pensamento.

"A preocupação é como um ancião encurvado sob uma carga de penas que ele imagina ser de chumbo".

O temor natural é benéfico; todos os animais sentem temor. O temor avisa da proximidade do perigo e lhes obriga a procurar refúgio. Mas o espírito medroso é uma calamidade, uma maquinação infernal, que rouba a paz e faz com que a vida seja uma verdadeira tortura. O temor tira a iniciativa, apaga o entusiasmo e é a sala de espera da derrota. O Senhor "não nos deu o espírito de medo, mas de poder, de amor e de moderação" (2 Timóteo 1:7). O domínio próprio nos ajuda a vencer toda classe de medo, pois temos uma rocha firme em quem confiar, Cristo, nosso doce pastor, que sempre cuidará de nós. O Consolador, o Espírito Santo, estará conosco todos os dias de nossa vida.

esperanças imaginárias

Mas, além disso, estão as esperanças imaginárias que podem também causar desânimo. Toda boa esperança deve ter seu fundamento na razão e na Palavra de Deus. Existem cristãos que vivem em um mundo ideal de fantasias e quimeras. Estão pensando em lucros e conquistas que não têm fundamento nas Sagradas Escrituras. Vivem de sonhos e ilusões, fabricando constantemente castelos no ar no meio de um permanente misticismo. Sua Imaginação voa, voa, para logo darem-se conta de que os pensamentos irreais são somente vaidade.

7.   DOMÍNIO DOS DESEJOS ESPIRITUAIS.

O mais importante mandamento é amar a Deus com todo nosso coração, nossa alma, nossas forças; e o segundo é amar a nosso próximo como a nós mesmos. Estes dois mandamentos são básicos para realmente desfrutarmos de uma vida espiritual positiva. Nestes dois mandamentos descansam toda a lei divina e são a síntese de tudo o que os escritores sagrados disseram sobre nossa conduta como filhos de Deus.

Os desejos espirituais estão indissoluvelmente unidos à nossa devoção pessoal ao Senhor e ao nosso serviço e apreço ao próximo.

Todos desejamos ser melhores, mais úteis, mais consagrados. O desejo de ser uma bênção para nossos semelhantes é razoável e espiritual. Nós vivemos em um mundo sujeitos às mesmas experiências; os gozos e as tristezas sobrevêm a todos. O Senhor nos manda: “alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram!” Temos que identificar-nos com as necessidades de nosso próximo para poder ajudá-lo. O interesse que sentimos uns pelos outros é altamente espiritual.

A religião verdadeira nos leva a servir aos órfãos, viúvas, doentes, presos; enfim, aos necessitados e desafortunados. Mas este desejo deve ser controlado pela razão, a sabedoria e o Espírito Santo. Desejar realizar boas obras está correto. Fazer o bem sem nos cansar é uma louvável virtude. Mas não nos devemos esquecer que o trabalho prioritário da igreja é "ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda Criatura” (Marcos 16:15). Isto é o fundamental, sem deixar de fazer aquilo.

Existem denominações cristãs que tiveram um excelente começo, evangelizando, ganhando almas para Cristo, mas paulatinamente se inclinaram decididamente para a obra social, esquecendo por completo que a igreja existe no mundo para ganhar os perdidos e que o Evangelho é a base para uma verdadeira transformação social.

No exercício dos dons e fruto do Espírito Santo, é de grande importância que eles se manifestem sob o fruto do domínio próprio.

É preciso tomar cuidado em não errar em seu exercício. A Palavra de Deus tem normas e regulamentos dentro dos quais devem operar os dons e fruto, e todo cristão que deseja ser eficaz no ministério dos dons divinos terá seu coração disposto a discipliná-los de acordo com os sábios conselhos das Sagradas Escrituras.

Temos estes tesouros de Deus, virtudes, dons, talentos e faculdades, em vasos de barro. Devemos ser vigilantes, alertas e precavidos, para não errar o alvo. Daí porque é tão necessário cultivar uma intensa vida devocional de comunhão com Cristo, procurando sempre Sua direção para que tudo o que façamos seja para proveito e benefício de Sua obra.

8.   DOMÍNIO PRÓPRIO: BATALHA QUE DURA TODA A VIDA.

A moderação é a chave mestra do domínio próprio. Não devemos fazer nada mal, e o bem que fizermos, façamo-lo com moderação. O excesso geralmente é tão prejudicial quanto fazer o mal.

Pode-se comer, dormir, beber com moderação. Todas estas coisas são naturais, boas, imprescindíveis. Mas, quando seus limites são excedidos, conduzem a muitas dificuldades que levam ao desprestígio. Em geral não gostamos dos extremismos, pois eles não merecem segurança nem confiança.

Para poder gozar do fruto da tolerância ou domínio próprio, necessitamos a imperiosa ajuda do Espírito Santo. É uma tarefa difícil, pois durante toda a vida temos que lutar por ser moderados. Da juventude até à velhice devemos nos esforçar na busca do domínio próprio. É uma batalha encarniçada contra todos os dardos inflamados do maligno. Todas as virtudes cristãs podem ser conquistadas; todas as debilidades e os maus hábitos podem sem vencidos. Se nos deixarmos encher do Espírito Santo, a moderação brotará de nosso coração como uma fragrante e delicada flor.

Querer é poder. Se dependermos de Deus e colaborarmos com o Espírito Santo, a moderação será uma realidade. É imprescindível pôr nossa vontade na busca do lucro de tão louvável conquista. A vontade é o poder dominante da mente. Tudo o que nos propomos fazer com a ajuda do Senhor, o faremos! "Tudo posso em Cristo que me fortalece" (Filipenses 4:13). Todos desejamos corrigir nossos erros, fazer o bem e resistir o mal.

A moderação ou domínio próprio produz uma profunda fortaleza interior; ela é parte da colheita do Espírito que devemos desejar zelosamente. Se somos temperantes, gozaremos do respeito e confiança dos demais, teremos um testemunho bem-sucedido e o ministério que o Senhor colocou em nossas mãos será coroado de êxito.

CONCLUSÃO

Enquanto alguém coopera com Deus em fazer Sua Vontade, o "domínio próprio" será uma conseqüência natural (neste caso, a evidência de que alguém está andando no Espírito).

Não podemos subestimar a importância de desenvolver o "domínio próprio" em nossas vidas.

*      Sem ele, não podemos derrotar as tentação que nos sobrevém;

*       Sem ele, não podemos vencer as obras da carne;

*      Sem ele, não podemos crescer como deveríamos em Cristo;

*      Sem ele, não podemos dar o fruto do Espírito!

Entretanto, em Cristo, temos cada razão, cada motivação, para desenvolver a virtude do "domínio próprio."

*      Fomos libertos do domínio do pecado;

*      Somos apoiados por Deus por meio da habitação de Seu Espírito em nós;

*      Temos a segurança do perdão quando caímos (1 Jo 1:9), sabendo que sempre e quando estivermos dispostos a nos arrepender e o tentemos de novo, haverá auxílio de Deus!

"Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito" (Gálatas 5:25)

Na verdade, Deus "nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo" (Tito 3:5). Ele fez com que "nascêssemos da água e do Espírito" (João 3:5). Posto que em nosso batismo em Cristo Ele nos fez viver pelo Espírito de Deus, não devemos procurar andar de forma tal que produzamos todo o fruto do Espírito em nossas vidas?