A UNÇÃO DA PAZ - (eirēnē) Ειρηνη (Dia 22.12.2008)

TEMA: A PAZ

TEXTO: “Mas o fruto do Espírito é ... Paz” (Gl. 5:22)

INTRODUÇÃO

O fruto do Espírito chamado Paz é o resultado da reconciliação com Deus (Romanos 5:1). Mais que uma saudação, evoca a “paz” que Cristo nos dá (Jo 14:27) e a paz de Deus que ultrapassa todo o entendimento (Fp 4:7). ·A calma, quietude e ordem, a qual tem lugar na alma justificada. Paz, em vez de dúvidas, temores, alarmes, os quais todos os verdadeiros crentes mais ou menos sentem, e devem sentir até que a certeza do perdão traga a paz e satisfação de mente e coração. A paz é o primeiro fruto sensível do perdão do pecado, como declara o apóstolo Paulo: Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1).

O fruto Paz, fala da paz com Deus na própria consciência do homem, produzida ali pelo Espírito de Deus, em conseqüência da paz efetuada pelo sangue de Cristo. Seu sangue é aplicado para o perdão, e a Sua justiça para justificação de um pecador sensível pelo bendito Espírito, cujo efeito é a paz, quietude e tranqüilidade de mente.

A paz é um dos dons mais gloriosos que Deus tem para seus filhos. É um tema central da Palavra de Deus. Quando a Bíblia fala de paz o faz em um sentido muito mais profundo e significativo do que o mundo o faz. Para este, paz significa simplesmente tranqüilidade e ausência de guerras ou distúrbios; ou se refere àquele temperamento sossegado e aprazível, ou à afabilidade de uns com os outros, especialmente nas relações familiares.

A paz da qual nos falam As Sagradas Escrituras é mais que o estado de repouso, harmonia ou calma; é o ato de receber todos os benefícios e graças de Deus. Tem seu fundamento em Deus mesmo: "e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus" (Filipenses 4:7).

É impossível gozar de uma genuína paz interior sem o auxílio e a presença de Deus.

Para o apóstolo Paulo, Deus é "nossa paz". Em suas epístolas sempre menciona "a graça e a paz de Deus e do Senhor Jesus Cristo".

O Deus da paz deseja conceder uma perfeita e completa paz a seus filhos, para que possam repousar nele em todas as contingências da vida.

Que o Espírito de Deus deve infundir paz nos filhos de Deus deve ser entendido à luz do fato de que

*      Seu Pai celestial é "o Deus de paz" (1 Ts 5:23)

*      Seu Senhor Jesus Cristo é chamado "Príncipe da Paz" (Is 9:6)

Mas alguém poderia perguntar: O que é esta "paz" desfrutada por aqueles que caminham no Espírito? Como chega alguém a ter esta paz? Como podemos estar seguros de conservar esta paz, e desfrutá-la em sua magnitude?

I. DEFININDO A "PAZ"

A. A PAZ É DEFINIDA ALGUMAS VEZES EM TERMOS NEGATIVOS

Como se a paz fora simplesmente a ausência de conflito. Por exemplo: “A única condição de paz neste mundo é não ter idéias, ou, ao menos, não as expressar." (Oliver WENDELL HOLMES). "O que conhece a paz abandonou o desejo". (THE BHAGAVAD GITA)

B. UMA DEFINIÇÃO BÍBLICA DA PAZ INCLUI ELEMENTOS POSITIVOS:

1. A palavra grega é eirene, definida como:

*    "A paz entre indivíduos, por exemplo, harmonia, concórdia" (THAYER)

*    Acesso a uma concepção distintivamente peculiar ao N.T., o estado de tranqüilidade de uma alma confiada em sua salvação por meio de Cristo, e assim não temendo nada de Deus e contente com sua parte terrestre, qualquer que seja

2. Em vez de uma simples ausência de conflito, a paz que Deus provê:

*    É uma condição positiva em natureza

*    Na qual há comunhão ativa, harmonia e concórdia entre os indivíduos

Aqui está como a virtude da paz é descrita em alguns diferentes dicionários da Bíblia e comentários:

*    A presença e experiência de relacionamentos corretos;

*    A tranqüilidade de alma;

*    Sentido de bem-estar e realização que vem de Deus e é dependente da Sua presença;

*    A tranqüilidade interior e porte do cristão cuja confiança está em Deus por meio de Cristo;

*    Tranqüilidade, descanso, harmonia,  ausência de agitação ou discórdia.

A qualidade da paz deve ser uma das principais que deve ser trabalhada em nós através do Espírito Santo no processo da santificação. Sem a paz de Deus operando em nossa vida, podemos nos tornar muito facilmente chacoalhados, sacudidos, atormentados e retirados de cena no Senhor, na primeira vez que qualquer adversidade venha ao nosso encontro.

Tendo definido a paz como uma bênção que deve ser desejada e desfrutada por todos, permita considerar o que a Bíblia tem a dizer sobre

II. A FONTE DESTA PAZ

A. VEM DE JESUS, O QUAL VEIO TRAZER A PAZ

*    Foi profetizado que Ele seria o "Príncipe de Paz" (Is 9:6-7)

*    Quando Ele veio, Ele veio pregando a paz (At 10:36)

Certamente, Ele oferece a paz

*    Que o mundo não é capaz de dar: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14:27).

*    Que alguém pode possuir até em meio da tribulação: Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16:33)

B. A PAZ QUE JESUS TRAZ ENVOLVE:

A paz com Deus (Rm 5:1-11)

*      Que vem quando somos "justificados pela fé": “Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1)

*      Que é acompanhada com gozo e amor, até na tribulação: “Por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5:2-5)

*        Que é tornada possível pelo amoroso sacrifício e sangue de Jesus: Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque dificilmente haverá quem morra por um justo; pois poderá ser que pelo homem bondoso alguém ouse morrer. Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” ( Rm 5:6-9

*        E continua pela virtude de Sua vida ressuscitada: Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isso, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora temos recebido a reconciliação” (Rm 5:10-11; por exemplo, Heb 7:25)

A paz com o homem (Ef 2:11-22)

*      Os judeus e os gentios, uma vez distanciados um do outro, podem estar em paz em Jesus Cristo: “Portanto, lembrai-vos que outrora vós, gentios na carne, chamam circuncisão, feita pela mão dos homens, estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade” (Ef 2:11-14).

*      Tornado possível por meio do mesmo ato que faz a paz com Deus: a morte de Jesus Cristo! “Isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um novo homem, assim fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade” (Ef 2:15-16).

*      Então Jesus veio a pregar a paz a toda a humanidade: “E, vindo, Ele evangelizou paz a vós que estáveis longe, e paz aos que estavam perto” (Ef 2:17).

*    As maravilhas desta paz são descritas por Paulo:

1) Uma paz que permite o acesso por um mesmo Espírito ao Pai: “porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Ef 2:18)

2) Uma paz onde todos podem ser concidadãos dos Santos: “Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos” (Ef 2:19a)

3) Uma paz onde todos podem ser membros da família de Deus: “e membros da família de Deus” (Ef 2:19b)

4) Uma paz onde todos podem ser um templo do Senhor, uma habitação de Deus no Espírito: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo no Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito” (Ef 2:20-22)

A paz consigo mesmo

*    A paz interior de alguém é resultado principalmente de:

1) Estar em paz com Deus

2) Estar em paz com aqueles que nos rodeiam

Assim quando Jesus nos traz a paz com Deus e com o homem, o que se segue naturalmente é a paz interior!

*    Mas há uma paz que abençoa a alma a partir de dentro:

1) Ela vem de Deus

2) Ultrapassa todo entendimento

3) Serve como uma fortaleza para guardar nossos corações e nossas mentes e vem por meio de Jesus Cristo! “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus” (Fp 4:7).

[Quando alguém está em Cristo, goza as bênçãos da justificação, junto com a reconciliação, tanto com Deus como com o homem, e a paz é uma conseqüência natural. Mas há algo que podemos e devemos fazer para preservar a paz que temos de Deus em Jesus Cristo? Certamente há.]

III. A PRESERVAÇÃO DE NOSSA PAZ

A. O MANTER A PAZ COM DEUS E CONSIGO MESMO REQUER

*    Manter nossas mentes fixas em Deus: Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Is 26:3).

*    Amar a Palavra de Deus e guardar Seus mandamentos: Muita paz têm os que amam a tua lei, e não há nada que os faça tropeçar” ( Sal 119:165). Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! então seria a tua paz como um rio, e a tua justiça como as ondas do mar” (Is 48:18). Disse Jesus: Se alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada” (Jo 14:23).

*    Ser diligentes na oração: “Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus” (Fp 4:6-7).

*    Encher nossas mentes com pensamentos espiritual: Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus de paz será convosco” (Fil 4:8-9) (ver Rm 8:5-8).

B. MANTER A PAZ COM OUTROS REQUER...

Estar primeiro em paz com Deus: Quando os caminhos do homem agradam ao Senhor, faz que até os seus inimigos tenham paz com ele” (Prov 16:7). Como podemos ter a paz com outros quando não estamos em paz interiormente?

Ter a paz com Deus nos dá a paz interior pela qual estamos em uma melhor posição de estar em paz com outros!

Precisamos fazer um esforço concentrado para "seguir" a paz (ver 1 Pedro 3:8-12)

*      A paz deve ser procurada e seguida: “Aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a.” (1 Pe 3:11)

*      Pedro menciona algumas das qualidades necessárias (1 Pedro 3:8-9-NVI).

1) Ser de um mesmo pensar: Finalmente, tenham todos de um mesmo modo de pensar.”

2) Ter compaixão uns dos outros: “Sejam... compassivos”

3) Amar-nos como irmãos: “Amem-se fraternalmente”

4) Ser misericordioso com os outros e humilde: “Sejam... misericordiosos, humildes”

4) Não devolver mal por mal, mas responder com uma bênção: “Não retribuam mal por mal, nem insulto com insulto; ao contrário, bendigam.”

Só então podemos esperar "amar a vida e ver dias felizes"! (1 Pe 3:10)

Note que a busca da paz não requer comprometer a verdade.

*    Porque a sabedoria que é de cima é "primeiro pura, depois pacífica..." (Tg 3:17)

*    Mas se desejamos dar o fruto da justiça, devemos "semear a paz para aqueles que fazem a paz"! (Tg 3:18)

CONCLUSÃO

1. Nunca esqueçamos que Jesus, como o Príncipe de paz:

·        Veio pregando a paz,

·        Morreu na cruz para tornar possível a paz com Deus, o homem e conosco mesmos;

·        É o caminho por meio do qual Deus agora dá a paz ao homem, como foi declarado na noite em que Ele nasceu (ver Luc 2:11-14).

2. Certamente, o elemento da paz é uma característica chave de Seu reino: “Porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo. Pois quem nisso serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. Assim, pois, sigamos as coisas que servem para a paz e as que contribuem para a edificação mútua” (Rm 14:17-19)

·        Devemos permitir então que "a paz de Deus governe nossos corações" (Col 3:15)

·        E permitamos que Jesus nos dê Sua paz como é expresso nesta oração:

"Ora, o próprio Senhor da paz vos dê paz sempre e de toda maneira. O Senhor seja com todos vós” (2 Ts 3:16)


LEITURA ADICIONAL

O FRUTO DA PAZ

I - A PAZ COM DEUS

A. Cristo é o manancial da PAZ

"Justificados, pois, pela fé temos paz para com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Romanos 5:1). O homem, morto em seus delitos e pecados, está separado e afastado de Deus; vive escravo da maldade, dos vícios, do mundo, da carne e do diabo.

Mas pela graça de Deus, pelo sangue precioso derramado por Cristo na cruz, somos limpos, salvos e santificados. Longe de Cristo estávamos sem esperança e sem Deus no mundo, não podendo agradar nem ao Senhor nem aos nossos semelhantes. Mas agora, Cristo efetuou a reconciliação. Podemos desfrutar de comunhão com Deus e o próximo. "E, vindo, ele evangelizou paz a vós que estáveis longe, e paz aos que estavam perto; porque por Ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito." (Efésios 2:17-18).

A paz do coração, do interior da alma, vem a nós pelo perdão efetuado pelo sangue do Cordeiro de Deus. A consciência intranqüila e culpada só pode descansar plenamente pela restauração que a cruz de Cristo opera. "O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53:5). "Porque aprouve a Deus que nele habitasse toda a plenitude, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus" (Colossenses 1:19,20.)

B. O Espírito Santo é o agente da PAZ

Jesus disse: "Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso" (Mateus 11:28). A si mesmo Ele se apresentou como a origem, o produtor, a fonte da paz. Ele é a paz, o descanso e o repouso do povo de Deus. Por meio de Seu sacrifício o homem pode viver em harmonia com Deus.

Mas, quem promove e apregoa a paz de Cristo hoje é a terceira pessoa da Trindade, o bendito Espírito Santo. Ele é o vigário, o representante, o substituto de Cristo. Ele é o "outro Consolador" que teria o ministério de ajudar-nos, fortalecer-nos e saturar-nos de paz.

Quando Jesus deu a promessa do Consolador a Seus discípulos, disse: "Não se turbe o vosso coração"... "Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador para que esteja convosco para sempre".

Quando recebemos o batismo no Espírito Santo, com o sinal de falar em outras línguas, sentimos imediatamente a paz de Cristo na alma. É uma paz profunda, inundante, dominante. É uma paz "como um rio impetuoso" que corre por toda nossa personalidade nos alagando de uma maravilhosa segurança.

"Mas a inclinação do Espírito é vida e paz" (Romanos 8:8). Quando nos preocupamos procurando as inescrutáveis riquezas do Espírito, Ele se encarrega de nos fortalecer. O Espírito é quem dá testemunho em nosso espírito. O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Romanos 8:16).

II. A PAZ DE DEUS

"E a paz de Cristo, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos." (Colossenses 3:15). "Ora, o próprio Senhor da paz vos dê paz sempre e de toda maneira" (2 Tessalonicenses 3:16).

A. A paz que Jesus concede

Jesus, antes de ser crucificado, falou várias vezes com Seus discípulos, buscando prepará-los para o momento de Sua morte. Anunciou-lhes que seria menosprezado pelos anciãos e sacerdotes e depois crucificado e morto. Os discípulos ficaram muito tristes e preocupados. Então o Mestre lhes deu a promessa da descida do Consolador e de que Ele lhes daria de Sua paz: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27).

O Senhor viu o que esses corações turbados e abatidos precisavam; eles urgentemente necessitavam Sua paz, essa paz que só Cristo podia lhes proporcionar, porque Ele veio para trazer a paz. Sua paz não é temporária nem passageira, é perene. Seja em momentos de vitória, ou nas tormentas e furacões da vida, essa paz permaneceria. Não é uma paz circunstancial, nem falsa como a que o mundo oferece, mas uma paz inamovível.

A paz do mundo é fugaz e traiçoeira. Quantos tratados de paz foram violados, quantas promessas, quantas normas de convivência!

A paz que Cristo nos concede é plena e abundante. Não compreende tão somente a tranqüilidade espiritual, mas também todos os benefícios que Ele obteve ao morrer na cruz, a saúde, a prosperidade, a bênção, o bem-estar.

B. Assegurados pela paz de Deus

Diz-se usualmente que "a vida é uma batalha" e isto é muito certo. Existem muitos adversários que temos que enfrentar; o pecado, o mundo, a carne, os perigos, as doenças, as provas, o diabo, etc. Muitos cristãos perdem a compostura e a calma devido às adversidades e às circunstâncias. Em lugar de exaltar-se ou irritar-se pela insipidez da vida, o cristão genuíno deve depositar suas cargas no Senhor. "Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus” (Filipenses 4:6-7). Pela súplica constante o crente deve levar suas necessidades ao Senhor. De nada serve ficar nervoso e perder o controle ou a calma. O Senhor nos deu a receita para obter ajuda em meio aos embates da existência. Teremos que descansar em Seus braços de amor, jogando toda nossa ansiedade sobre Ele, porque ele tem cuidado de nós. A oração do justo é muito eficaz.

Quando oramos pomos em movimento a mão que criou o mundo, que traçou os céus.

O Senhor promete responder todas as nossas súplicas: Ele nos dará Sua paz, a paz que só Ele possui por ser santo, puro, bom, poderoso e cheio de amor. Temos que "ter os pés calçados com a preparação do evangelho da paz (Efésios 6:5), o qual nos dá firmeza e estabilidade. Quando Sua paz nos envolve podemos parar corajosamente diante do inimigo, tendo a completa segurança de que Ele nos dará a vitória. Se Sua paz estiver conosco não escorregaremos, nem cairemos. Os temores e lutas serão tornados insignificantes pelo divino Consolador e exclamaremos dos recônditos mais íntimos de nosso ser: “Que maravilhoso, que glorioso é o Senhor!”

A paz que nos vem do Espírito é eminentemente prática. Faz sentir sua generosa influência em nosso viver diário. Para cada problema e necessidade está disponível para nos cobrir com Seu manto de segurança. Quando aparecem os ataques de saúde, aumentam as dificuldades econômicas. Quando os temores querem apoderar-se de nós, podemos recorrer àquele que nos disse: "Deixo-vos a paz; a Minha paz vos dou". Ele pode nos auxiliar e nos alentar para sairmos triunfantes em qualquer contingência, por difícil que seja.

Precisamos nos acostumar sempre a lançar mão da paz de Cristo. Não devemos permitir nunca que as tempestades da vida nos dobrem e desalentem. O desânimo precede o fracasso.

Temos uma rocha firme em quem descansar, um castelo forte para nos refugiar. Ele é o dono da situação. Nada há difícil para Ele. Ele permanece sentado no trono, é nosso Supremo Sacerdote. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hebreus 4:16).

III. A PAZ CONSIGO MESMO

"E a paz de Cristo, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos” (Colossenses 3:15). O Senhor deseja que nosso coração seja um jardim de paz, onde ela possa crescer e dar seus generosos frutos, "muita paz têm os que amam sua lei" (Salmo 119:165). "Mas os mansos herdarão a terra e se recrearão com a abundância de paz" (Salmo 37:11).

A. A paz deve crescer

A paz do Espírito deve ser como um impetuoso rio, fluindo, crescendo em nosso interior. Mas para que essa paz corra livremente é necessário caminhar em santidade. Em Isaías 48:18 Yahweh nos diz. "Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! então seria a tua paz como um rio, e a tua justiça como as ondas do mar." Deus deseja nos conceder uma transbordante paz; mas para isso devemos guardar sua Palavra, eliminar de nosso coração todo pecado. Se deixarmos que o orgulho, a inveja, o rancor, o ciúme, floresçam em nosso coração, será impossível que tenhamos uma genuína paz. O pecado traz intranqüilidade, insônias e naufraga.

A pomba da paz que é santa e pura foge do coração rebelde e pecaminoso. A ira deve ser refreada, a soberba extirpada e o ódio arrancado pela raiz. Se permitirmos que estes males cresçam, tornar-nos-emos praticantes da iniqüidade e perderemos a comunhão com Deus e a vida eterna.

Para que possamos desfrutar de uma sobrepujante paz é preciso que sejamos humildes e mansos. Quanto mais quebrantados estamos, mais reconheceremos nossa total dependência do Altíssimo. Os mansos são aqueles que renunciaram a seu eu, ao egoísmo, ao orgulho, para servir a Deus e a seu próximo.

Aquele que está quebrantado pode facilmente comunicar-se com seus semelhantes; seus contatos com as pessoas já não são marcados pela brutalidade, ou ressentimento. Seu caráter é humilde e aprazível, e todo seu ser, suas maneiras, sua voz, mostram que possui a paz interior do Espírito.

Quando estamos quebrantados não confiamos em nossas próprias capacidades humanas, mas aprendemos a descansar e esperar nele com uma fé decidida e firme.

"Pois assim diz Yahweh Deus, o Santo de Israel: Voltando e descansando, sereis salvos; no sossego e na confiança estará a vossa força" (Isaías 30:15).

Deus deseja que a paz que hoje pulsa em nosso ser continue crescendo. Andemos em santidade, quebrantemo-nos mais e mais; e a paz do Espírito será um tesouro inestimável em nossa vida espiritual.

Atualmente muito se fala de paz. Mas o certo é que existem muito poucas pessoas que podem desfrutá-la. A ciência diz que setenta por cento das enfermidades têm sua origem em fatores psicossomáticos; preocupações, angústias, temores e ansiedades. Uma infinidade de pessoas adoece do coração. Úlceras e problemas nervosos por causa de tensões emocionais; porque lhes falta tranqüilidade interior. Vivem em um estado de depressão que às vezes as conduzem ao próprio suicídio.

As instituições de doentes mentais estão repletas de pessoas que viveram em um estado de ansiedade, angústia, prostração e derrota. A psiquiatria, com suas diversas terapias, não pode dar uma solução definitiva aos conflitos interiores. Os médicos podem ajudar ao corpo, mas só Deus pode salvar a alma e proporcionar imperecível paz.

Para que haja uma complete paz interna, a chave é uma boa relação com Deus. Quando estamos saturados com Sua Palavra, e dependemos de Sua ajuda diariamente, procurando-a por meio da oração, não existe lugar para a ansiedade, a preocupação ou a depressão.

B. Plenitude de paz

Isaías 26:3-4. diz: "Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti. Confiai sempre em Yahweh; porque Yahweh Deus é uma rocha eterna.”

Paz completa, perfeita, têm aqueles que confiam, cujos pensamentos perseveram no Senhor. Não é só um sentimento de repouso e quietude; é uma experiência decisiva de bem-estar e segurança que procede de um abandono incondicional e total ao amparo divino.

"Eis que lhe trarei a ela saúde e cura, e os sararei, e lhes manifestarei abundância de paz e de segurança" (Jeremias 33:6).

O Senhor está disposto a nos dar abundância e plenitude de paz, paz que ultrapassa todo entendimento, paz tão sublime e gloriosa que nenhuma circunstância, por adversa que seja, pode menosprezá-la.

IV. A PAZ COM NOSSOS SEMELHANTES

"Segui a paz com todos" (Hebreus 12:14). "Tende paz entre vós" (1 Tessalonicenses 5:13).

A.     Instrumentos de paz

Disse o sábio Salomão: "Quando os caminhos do homem agradam a Yahweh, faz que até os seus inimigos tenham paz com ele" (Provérbios 16:7).

Nossa paz deve mostrar-se também nas relações que temos com nossos semelhantes, especialmente em nossa família e igreja. Devemos ser promotores da paz, canais de paz. Isto significa que no lugar onde nos movemos, atuamos ou trabalhamos, devemos cuidar para não fomentar situações embaraçosas, discussões que possam alterar os ânimos e criar uma atmosfera de discórdia.

Em toda relação devemos mostrar sempre um espírito perdoador, mantendo uma atitude amorosa e compreensiva. Precisamos eliminar todo sentimento de desforra, todo desejo revanchista, "minha é a vingança, diz o Senhor”: “A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas dignas, perante todos os homens. Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor. Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça" (Romanos 12:17-20).

Perdoar é um atributo divino, uma virtude do espírito. Jesus perdoou até nos últimos momentos de Sua vida: "Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23:34).

Se nós não perdoarmos as ofensas, tampouco nosso Pai celestial perdoará nossas ofensas. O fato de perdoar é um ato de paz, de harmonia, de conciliação. Só os corações cheios do amor do Espírito podem perdoar como Cristo perdoou.

B. Seguir a paz

O Senhor quer não apenas que promovamos a paz, mas também que sigamos a paz. O apóstolo Paulo aconselha a seu filho na fé Timóteo: "Segue a justiça, a fé, o amor, a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor" (2 Timóteo 2:22). O que revela realmente que somos propriedade de Deus e que produzimos justiça, amor e paz. Paulo também aconselha: "Assim, pois, sigamos as coisas que servem para a paz e as que contribuem para a edificação mútua" (Romanos 14:19). Na igreja, na fraternidade dos santos, teremos que fomentar tudo o que contribui à unidade e harmonia do corpo de Cristo.

"Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Efésios 4:1-3).

Em meio a um mundo turbulento, como a ave que em meio às tempestades que rugem pousam no topo de uma rocha, nós, os filhos de Deus, temos paz como um rio, paz de Deus; paz com Deus; paz conosco mesmos e paz com nossos semelhantes. Sigamos, prossigamos, persigamos a paz! Na terra há muita aflição, mas Cristo é nossa maravilhosa paz. Glória a Deus!